Monte
Castelo

Ainda
que eu falasse a língua dos homens e
falasse
a língua dos anjos,
sem
amor eu nada seria.
É
só o amor, é só o amor, que conhece o que é
verdade.
O amor
é bom, não quer o mal.
Não
sente inveja ou se envaidece.
Amor
é fogo que arde sem se ver.
É
ferida que dói e não se sente.
É
um contentamento descontente.
É
dor que desatina sem doer.
Ainda
que eu falasse a língua dos homens e
falasse
a língua dos anjos,
sem
amor eu nada seria.
É
um não querer mais que bem querer.
É
solitário andar por entre a gente.
É
um não contentar-se de contente.
É
cuidar que se ganha em se perder.
É
um estar-se preso por vontade.
É
servir a quem vence, o vencedor.
É
um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão
contrário a si é o mesmo amor.
Estou
acordado e todos dormem,
todos
dormem, todos dormem.
Agora
vejo em parte, mas então veremos face a face.
É
só o amor, é só o amor,
que
conhece o que é verdade.
Ainda
que eu falasse a língua dos homens e
falasse
a língua dos anjos,
sem
amor eu nada seria.
(Renato
Russo)