|
2 2 . 0 3 . 0 0 - t u d o c o m e ç a a q u i |
ASTROMATO Existe um longo caminho entre o velho Weed e o novo Astromato. Embora a banda seja praticamente a mesma, alguns detalhes no percurso fizeram com que Armando (guitarra e vocal), Pedro (guitarra e vocal) e Frebs (baixo e vocal) passassem de um estágio primário de se fazer rock, alcançando a maturidade (mesmo que ainda adolescente) com personalidade, coisa difícil no rock independente brasileiro. Com o Weed, gravado em quatro canais, os três campineiros ainda experimentavam o fato de se ter uma banda sem se importar se soavam parecidos com alguém, contando ainda com a presença do baterista Alexandre. Devido à inexperiência técnica, os primeiros registros do grupo ganharam uma renegada sonoridade hardcore, desfeita logo que apresentavam no palco seu pop inglês filhote do Jesus & Mary Chain, ganhando uma restrita, mas bem vista, reputação no circuito underground paulista. Mas a primeira mudança aconteceria quando eles transformaram o Weed em Astromato, abandonando o inglês para se dedicar à recente descoberta da composição em português. Logo começavam a falar sobre situações pessoais, indo em direção a uma linguagem pop cuja maior influência era percebida com a influência do Teenage Fanclub. Ao mesmo tempo em que aprendiam a escrever em nossa língua-pátria, descobriam o prazer das pequenas coisas da vida, comuns a todo mundo. O som foi inevitavelmente se tornando mais tranqüilo, mais melódico e tranqüilo. A saída do baterista lhes forçou a seguir outro caminho, com uma bateria eletrônica em seu lugar. Sem o pulso humano injetando energia, o som mais uma vez reduz a marcha, buscando parentesco no pop pós-punk de grupos como Cure, Echo & the Bunnymen e Ride. Sem ter de acompanhar o pique do baterista, passaram a se dedicar mais em seus instrumentos, trocando acordes simples de rodinhas de violão por solos de guitarra ou acordes descritos lentamente, sempre superpostos. A intimidade que Armando, dono do estúdio Piranha (novo refúgio das bandas de Campinas, depois do fim do Arenna), foi adquirindo com o processo de gravação fez com que o grupo conseguisse soar mais claros em seu apelo instrumental. A microfonia está lá, mas como cimento musical, não como uma distorção sonora que disfarça problemas de técnica. Talvez por isso o grupo tenha batizado sua nova fita de Sonhos Hi-Fi, numa referência ao cuidado na produção. Este salto é sentido ao compararmos as novas versões para Cadeialimentar e Canção do Adolescente. Em ambos casos, as versões anteriores soam como esboços, esqueletos de canções, que foram completos na nova fita. "Viver não faz falta quando o sonho é de alta definição", cantam no melhor momento do disco. Eles deixam isso bem claro, gravando as guitarras em hi-fi como se o apuro instrumental pudesse dar a sensação de sonho que a letra tenta passar. O belo cruzamento de solos de guitarra no meio desta faixa é a melhor amostra da transformação do Astromato. Hoje eles são uma banda confiante e séria, ultrapassando o hoje primitivista Weed sem muita preocupação. Sem preocupação também é o clima das letras, todas sentimentais mas sem açúcar, deixando transparente a casualidade que o grupo canta. "Quase nunca acordo cedo pela manhã/ Mas sempre que horas são, pelo menos mais ou menos", cantam com preguiça em Ter Uma Canção. Consiga a sua fita com o próprio grupo pelo correio (Rua Décio de Almeida Filho, 73. Jardim Sta. Genebra II. Campinas-SP. CEP 13084-710), por telefone (no Estúdio Piranha: (019) 287-7372) ou email (astromato@hotmail.com). |
lobão, woyzeck, stellar, jupiter apple, flu, sepultura, oasis, érika palomino, jason e simpsons