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2 2 . 0 3 . 0 0  - t   u  d  o       c  o  m  e  ç   a       a  q  u  i

AUTORAMAS
Alexandre Matias

Quem tentou fazer rock nos anos 90 passou por maus bocados. Promessas infundadas, contratos ultrajantes, shows desmarcados em cima da hora, empresários picaretas, produtores infames, crítica especializada quase inexistente, intrigas, boatos e, claro, pouca - ou nenhuma - grana. Salvo os sobreviventes da geração Juntatribo, o rock nacional voltou a ser mal visto no meio musical brasileiro. Mas a cara de bandido cantada por Rita Lee nos anos 70 mudou e roqueiro brasileiro passou a ser visto como otário.

Os três Autoramas passaram por tudo isso. Em suas bandas anteriores, Gabriel Thomaz (que saiu do Little Quail & the Mad Birds), Simone do Vale (Dash) e Bacalhau (Planet Hemp) levaram calote, tomaram rasteira, tiveram seus tapetes puxados, apanharam até aprender. Mas aprenderam. Reunindo todos os prós e contras da cena underground e do showbusiness, transformaram seu novo projeto numa banda teoricamente infalível, pronta para dominar ambos terrenos. E depois de voltar ao zero de suas carreiras (produzindo os próprios shows, cartazes, turnês e gravações), entraram numa grande gravadora (a Universal, através do selo Astronauta) do jeito que queriam, fazendo tudo de acordo com o que estava nos planos.

Mas ninguém sairia impune. Mesmo que não tivessem a chance de vingar-se como deveriam dos entraves que atrapalharam suas carreiras anteriores, resolveram disparar farpas em forma de canção. E sem querer o letrista Gabriel encontrou uma lacuna na música brasileira - poucos artistas cantam o troco que os pilantras merecem tomar (sendo que a maioria destes fazem samba). Passaram a cantar contra os pulhas que só atrasam a vida de qualquer um, seja amorosa, profissional ou pessoal. Canções ácidas em que a ironia e o veneno tomam conta, transformando-se em hinos pessoais que qualquer ouvinte pode encaixar em seu próprio ponto de vista.

Mas se por um lado as letras cospem no olho do mau-caratismo, a música faz dançar. Com um pé na new wave e outro na surf music, os Autoramas fazem rock como se todo show fosse um baile. A assinatura musical do grupo é o baixo terrivelmente distorcido de Simone, que conduz as canções como um rolo compressor, deixando Gabriel livre para solinhos ocasionais de guitarra. No fundo, a bateria pesada e dançante de Bacalhau ajuda a festa começar.

O resultado pode ser conferido no primeiro disco do grupo, que chegou às lojas esta semana. Stress, Depressão & Síndrome de Pânico (Universal), a estréia do supergrupo é o melhor retrato deles mesmos. Produzido pelo ex-Ultraje Carlo Bartolini (que conseguiu capturar a atmosfera elétrica dos shows da banda), o álbum empurra goela abaixo a fórmula mágica que o grupo desenvolveu em seus dois anos de existência.

Sobram elogios para todos. Fale Mal de Mim, a música de trabalho do grupo, é um bom exemplo da força das letras do grupo: "Sua vida anda meio sem graça/ Pois a única saída que você acha é me difamar/ Isso até que veio bem a calhar/ Eu estava precisando de alguém para me divulgar", canta Gabriel, sempre em tom sarcástico, "Fale mal de mim/ Fale o que quiser de mim/ Pois todo mundo que te conhece/ Sabe que é isso que você merece". Com cara de rockabilly e peso punk, a faixa é só o começo da lista negra que forma o repertório do grupo.

Carinha Triste é o que os Buzzcocks fariam se em vez dos Beatles, ouvissem Roberto Carlos: "Talvez a humildade tenha sido o meu defeito/ Mas só me critica quem jamais amou alguém", lamenta antes de xingar o excesso de felicidade que é ingrediente da hipocrisia, "Eu não sei lhe dizer se estou fazendo mal em não fazer o mal". A frenética Ex-Amigo dá a bela cutucada naquele sanguessuga que se diz seu amigo: "Eu chego à conclusão que na verdade é minha culpa/ Por não ter me livrado de você há muito tempo atrás", espeta antes de levantar o que pode ser o lema do grupo, "Dizem por aí que a vingança não leva a nada/ Mas, pensando bem, pode tornar tudo isso bem mais divertido".

A ótima Agora Minha Sorte Mudou traz o único vocal solo de Simone, que transforma-se numa Ronnie Spector pós-punk, sussurrando sua voz grave ao cantar o "vai ou racha" que marca a nova fase de suas carreiras: "Agora que o tempo passou/ Agora é fácil ver o que eu posso corrigir/ (...) Agora que o tempo passou/ Agora é fácil ver onde eu errei/ Nada me impede eu posso ir em frente/ (...) Agora eu sei o que realmente quero/ Assim é bem mais fácil conseguir". O final da canção monta paredes de microfonia enquanto Gabriel e Simone dividem backing vocals que nos levam aos momentos mais bucólicos e
hipnóticos dos Pixies.

Autodestruição não tem meios termos: "Em nome da ambição e da vaidade/ E da vontade de passar por cima de quem você bem entender/ Fruto de um deslumbramento totalmente equivocado/ Atitudes que só fazer acontecer/ A sua autodestruição". Pesada e insistente, ela te avisa do perigo que é "se meter com gente burra/ Sabendo que ela é burra/ E bem mais poderosa que você". A instrumental Jogos Olímpicos casa baião com surf music em clima de perseguição policial. Tudo Errado opta pela ironia para alfinetar a passividade de quem só reclama: "Se tudo está errado/ A culpa não é minha/ Nunca quis atrapalhar ninguém/ Também não vou perder meu tempo/ Tentando mudar a imagem errada/ Que as pessoas têm de mim/ É bem melhor ficar calado", enquanto a banda embala uma versão rock e minimal para o tema de Peter Gunn.

Eu Não Morri embala um baile anos 50 enquanto descreve o prazer de perceber-se vivo: "Foi a melhor coisa que já me aconteceu/ Foi a maior emoção que eu já conheci/ E é tão bom estar aqui pra contar/ Por essa eu não esperava: eu não morri". A fulminante Boa-Fé ameaça um traidor com "um bom corretivo" e é quase grudada na elástica Bahamas.

"Se você não entendeu então preste atenção/ Eu não agüento mais papo, eu quero ação/ Então deixa de dar voltas e escolhe sim ou não". Ação cobra uma reação do outro lado, seja ele uma namorada ou a própria platéia. Catchy Chorus, a única em inglês, canta o "refrão grudento/ que veio nos importunar/ Uma nova obra-prima/ Escrita por um jovem gênio/ Porta-voz de nossa geração/ E o fim da minha paciência", até que esta se esgota, "Não, não, não/ Eu não quero ouvir esta música de novo". A instrumental Souvenir (do grupo OMD) fecha o disco em tom instrospectivo. O pacote é completo com outra instrumental, Motocross, que não está no disco, mas pode ser comprada no compacto em vinil lançada pela gravadora goiana Monstro Records, que você pode conseguir via email (monstrodiscs@yahoo.com) ou por telefone (062-9998-6780, com Leo Bigode). A faixa também se encontra disponível em MP3 através do loja virtual Som Livre.

Com o primeiro disco, o Autoramas quer marcar terreno e dar a cara à tapa. É um chute na porta, tentando fazer com que o rock volte ao inconsciente coletivo nacional na marra ao mesmo tempo em que é um disco de rock (no sentido mais puro do termo) como há muito não se via por aqui. Garanta o seu já!

STRESS, DEPRESSÃO E SÍNDROME DE PÂNICO, FAIXA A FAIXA (por Gabriel Thomaz)

Fale Mal de Mim
"A que a gente escolheu essa pra ser o single e a música doclipe por caracterizar bem a banda, tem todos elementos aí: baixo distorcido, guitarra limpa, vibrato, palminhas, eu e a Simone cantando, batida dançante e a letra. Que é aquele papo: pra falarem mal de você, basta que você exista".

Carinha Triste
"Essa é mais jovem guarda, jovem guarda destilada, como já escreveram aí. A letra é uma reclamação, eu fiz junto com o Kassin e o Nervoso do Acabou La Tequila".

Ex-Amigo
"Talvez ela seja a mais porrada do disco, o baixo distorcido vai levando a música inteira. É uma das letras que eu mais gosto. É uma situação que todo mundo já passou, com aquela pessoa escrota que vive do teu lado se dizendo teu amigo quando na verdade é a última pessoa que você precisa ter ao seu lado".

Agora Minha Sorte Mudou
"Essa é a que a Simone canta, é a mais linda (risos). Deu arrepio na hora em que a gente ouviu na mixagem, a voz subindo. A letra é aquilo: "tomei na cabeça, tomei na cabeça, tomei na cabeça, mas agora vai" (risos)".

Autodestruição
"Essa é a que a gente mais trabalhou na gravação, a questão de efeito e timbres. A guitarra entra fazendo outra melodia, diferente da voz. No show é uma das que têm mais impacto".

Jogos Olímpicos
"É uma das que eu mais gosto. Foi a que deu menos trabalho na gravação, a primeira instrumental. Ela é bem simples e eu fiquei muito feliz com o resultado, o solinho ficou meio japa (risos)... Já ouvi em pista, a galera vai ao delírio. Eu encarno o Dick Dale geral, só que eu não toco um décimo do que o velhinho toca".

Tudo Errado
"É uma das mais antigas, é a única que no disco que tem o instrumento a mais do que o baixo, a guitarra e a bateria, que é o teremim. A letra é sobre preguiça, letargia, aquela pessoa que sempre deixa que os outros façam as coisas, mas é cantada num tom bem irônico".

Eu não Morri
"Uma sensação de alívio, da pessoa ter passado por um monte de coisas e no fim dá tudo certo, ela não morre".

Boa-fé
"Essa é a do Nervoso. É a música do cara que roubou a namorada do outro (risos)".

Bahamas
"Curta pra caramba e bem dançante. Adoro esse solo de guitarra, tem um puta impacto. Aliás, as instrumentais têm um puta impacto, não fazem o show cair, isso é muito legal".

Ação
"Uma das mais pop e a letra mais masculina do disco, só que a Simone canta o refrão e mostra que não é tão masculina assim, pode acontecer com qualquer um, homem ou mulher. Gosto pra caramba do riff".

Catchy Chorus
"É a inglês, a "alternativa". É um puta orgulho pra gente, é a que mais rolou em pista de dança. As pessoas acham que é de banda gringa (risos). Meu pai achou que era de banda gringa, "essa música é sua?" (risos)".

Souvenir
"É uma música do OMD, uma banda technopop dos anos 80. Ontem a gente tava ouvindo aqui, o nosso arranjo é completamente diferente. Essa música fez com que um sonho meu se realizasse, que era o público cantando com a gente uma música instrumental e rola isso total. É um grande orgulho para nós".

ENTREVISTA: GABRIEL E BACALHAU (AUTORAMAS)

AnoZero - Conta um resumo da história dos Autoramas até aqui.
Gabriel Thomaz - Depois dos fins de nossas ex-bandas a gente resolveu montar a banda e fez um caminho totalmente comum pra qualquer um que já tinha a experiência que a gente tinha. A gente resolveu fazer tudo de novo, começar do zero, só que agora a gente tinha a facilidade de estar tudo objetivo, a gente já sabia o que queria fazer. Sabe, já tinha uma agenda, já sabia os nomes que tinham que falar, os jornalistas, já andava pelos "corredores" e isso facilitou muito. Mas preferimos fazer todo caminho de novo como se fôssemos iniciantes: filipetamos, demos demo, nós mesmos marcávamos os shows, fazíamos os cartazes, viajávamos de ônibus. E assim acabamos assinando um contrato com a Astronauta, que é o produto pop/rock da Universal. Havíamos propostas de outras gravadoras, nem dá pra dizer que foram propostas, porque foram reuniões... Com a Natasha, a Abril e a Sony, a coisa demorou um pouco por causa disso. Só que preferimos a Astronauta por sermos um único produto nesse segmento e assim teríamos vários privilégios ficando na Universal. Além da questão de grana e de época de lançamento - o que estava nos nossos planos estavam nos da Universal - , tudo saiu do jeito que a gente queria.

AnoZero - Controle completo.
Gabriel - E é ótimo isso, porque se não der certo a gente não vai reclamar de ninguém. Tudo foi feito com a nossa cara, do nosso jeito, com o produtor que a gente queria, no estúdio que a gente queria... Não existe a possibilidade de dizer que o disco ficou descaracterizado, isso é literalmente impossível.
Bacalhau - O disco ficou bom demais por isso - a gente sabia que ia ficar bom. Mas quando você grava, é diferente... Eu fui o primeiro a gravar. Então até a música ficar formada, rola uma apreensão. Tem umas que você já entrega pronta e outras vão ficando com mais cara na mixagem. As instrumentais me impressionaram bastante e não tem aparato eletrônico, a tecnologia foi usada pra captar o som, tudo na medida certa...

AnoZero - Mas por que vocês preferiram voltar e começar do zero? 
Gabriel - A gente foi obrigado a fazer isso de novo. Se a gente não tivesse corrido atrás de tudo isso, não tinha dado certo do jeito que a gente queria. E além do mais é um prazer fazer isso tudo. É o principal: fazer a demo, e a galera conhece as músicas antes de ter um disco lançado. A gente queria estar em contato com o público e os frutos que a gente colhe disso são os melhores possíveis. Sem contar que a gente tá com uma cancha de shows muito boa, se eu tivesse ficado parado, ia ficar enferrujado. Mas estamos tocando direto.

AnoZero - O que você acha dessa volta do pop/rock? 
Gabriel - A gente tá fazendo as nossas coisas e esse é um caminho que a gente tá seguindo. Mas a gente não tá nem aí, tamos fazendo o nosso sem se preocupar com isso. Isso é uma pergunta que tu tem que perguntar lá pra cima. 
Bacalhau - É engraçado, isso me remete àquela coisa de uns cinco anos atrás, aquela efervescência, Raimundos, Little Quail, Planet Hemp, Juntatribo... Isso tá meio que voltando agora, só que neguinho se ligou que tem que trabalhar, senão não rola. E o mercado vai perceber que tem segmentação, não pode ficar só na monocultura. Tem que ter o café, mas tem que ter a cana, a soja e o que mais tiver.

AnoZero - Mas o que você acha como ouvinte?
Gabriel - Eu acho ótimo essa volta, porque tanto o pop quanto o rock são os gêneros que eu gosto. A melhor coisa é ligar o rádio e estar tocando rock. É complicado, porque em São Paulo, no Rio Grande do Sul e até aqui no Rio a gente tem rádios rock. Quando a gente vai ouvir rádio e não tá tocando nada legal, é só por na rádio rock que resolve. Mas no resto país não: não tá tocando rock, tem que ouvir lixo. Eu acho que as pessoas têm de ter o direito de escolher, uma pessoa que esteja no Acre tem o direito de escolher. Pode nascer no meio dos trio elétricos, o cara tem todo direito de querer ouvir rock. Mas eu acho que as bandas não podem ficar muito preocupadas com esse papo. Tem que correr atrás do próprio público, criar a própria identidade, ter personalidade. Se calcar numa velha promessa de sucesso, isso vem de gente que não tem nada a ver com rock. Você quer ver uma coisa? Veja quem é quem quando o rock não tá na moda, quem é que continuou tocando. Muita gente por que só quer fazer isso, outras porque só sabem fazer isso. Quem é do rock sempre tá no rock.

AnoZero - Quanto a esse lance de personalidade, o Autoramas tem um destes aspectos nas letras, que falam de vingança -
Gabriel - (cortando) Vingança, angústia, no final das coisas é um tipo de vingança como se o personagem da música sempre saísse por cima. Rola uma brincadeira com o pessoal da Loud, que é uma festa que tem aqui no Rio, que esse é um disco de autoajuda.

AnoZero - Legal porque essa temática é praticamente nova na música brasileira, que é chegada sempre num oba-oba.
Gabriel - Esse foi um dos motivos pra eu continuar fazendo isso, é um terreno pouco ou nada explorado, até onde eu sei. E como escrevo as letras, achei um caminho pra fazer de uma forma original. Acho que foi uma sacada legal e ao mesmo tempo isso tem tudo a ver com o rock’n’roll.

AnoZero - Ao mesmo tempo, é uma espécie de vingança em relação a todas os problemas que aconteceram nas carreiras de vocês.
Gabriel - A vida não é cor-de-rosa pra ninguém. E as letras falam sobre situações que qualquer um pode viver: namoro, amizade, trabalho. Todo mundo tem, independente do que faz. No nosso caso foi com música porque é do que a gente saberia escrever.

AnoZero - Mas a carapuça serve em quem ela couber.
Gabriel - Exatamente, não é uma coisa muito fechada. Todo mundo pode se identificar com a letra, de um jeito ou de outro.

AnoZero - O disco vai estar em todas as lojas?
Gabriel - Já tá em estoque. Agora é a hora de vender e esse esquema não é lento. Uma das coisas que pesou com a Universal foi fato que ela tem uma tradição de ter a melhor distribuição do Brasil, quando eles falam no slogan que são "a gravadora número 1 do Brasil" é isso.

AnoZero - De quanto foi a primeira tiragem? 
Gabriel - 10 mil de início. É a maior tiragem inicial das nossas carreiras, as primeiras do Little Quail eram só 2 mil, as do Planet Hemp eram 3,5 mil...

AnoZero - Mas como a pessoa pode saber onde tem, se ela não achar?
Gabriel - A gente vai tá vendendo pelo correio com o Astronauta. Um dos nossos lances é esse: juntar o esquema grande da Universal com o esquema independente da gente, a gente falou isso nas reuniões, que íamos entrar nos buraquinhos de rato que os elefantes não conseguem entrar. Vamos fazer também um esquema de vendas com as lojas menores, vamos fazer vendas através do nosso site, que já tá no ar - http://www.autoramas.com.br - e quem precisar de mais informações escreve pra nossa caixa postal (Caixa Postal 34141. Rio de Janeiro-RJ. CEP 22462-970).

AnoZero - Um dos segredos então é continuar trabalhando.
Gabriel - Claro. Hoje em dia as facilidade são muitas, por conta do CD, da internet e outras coisas, as pessoas vão tendo essa consciência de não adianta ficar só reclamando. Dá pra fazer porque é fácil, só não faz quem não quer. E tem que ser bem egoísta, bem individualista e fazer suas próprias coisas pra você mesmo, do jeito que você quer. O que atrapalha mesmo o underground é uma coisa de mendicância, esse papo de "vamos prestigiar". Nada disso, cada um tem que fazer seu próprio esquema. Os caras sabem que não vão virar sucesso de uma hora pra outra, então não adianta ficar em casa esperando. Tem que trabalhar. Tem que ir no correio pra vender. Mas tem que trabalhar, de verdade, tem que gostar de trabalhar. Eu acho que o que falta é vontade de trabalhar.

AnoZero - Tem clipe novo? Turnê de lançamento?
Gabriel - O clipe tá sendo dirigindo André Schütz, a gente fez em São Paulo. Vai ter animação, a gente filmou as nossas cenas na semana passada. No clipe também predominam as cores azul e vermelho, que é uma padronagem na programação visual da gente.

AnoZero - Quais as melhores bandas hoje em dia?
Gabriel - Guitar Wolf é a melhor banda do mundo. E eu acho que pode aumentar muito a autoestima das bandas brasileiras que cantam em inglês. Os caras do Guitar Wolf cantam em inglês tudo errado e estão com a Matador. O problema do underground é o complexo de inferioridade, ninguém vai lá e faz. Vai lá e faz, porra. Tu é punk ou não é?

AnoZero - E as bandas nacionais?
Gabriel - Tem o Butchers’ (Orchestra), mas eu sou muito suspeito pra falar dos caras... O 4-Track Valsa deu um show no Rio que foi lendário! Los Hermanos também, eu adoro Anna Julia (enfatizando). Adoro Los Hermanos e se você não gostou de Anna Julia, ouve o resto do disco antes de falar. Tem o Pancake, eu não sei como elas estão. O Prot(o), de Brasília, do Pinduca... 

Bacalhau - Os Zumbis do Espaço, o Zumbi do Mato, Carbona, o Jason, o Mukeka di Rato... Gosto de bandas que são exemplos de pessoas que foram lá e fizeram, não ficaram esperando e querendo ou não fazem alguma coisa pro bem geral. Esses caras vão sempre ter um ponto positivo. Los Hermanos também... Queria que mais bandas mandassem fitas demo pra nossa caixa postal, pra ver o que tá rolando aí. Tem nomes como Acústicos & Valvulados, Tequila Baby, uma rapaziada do Sul que eu conheço há uns quatro anos e não chega aqui. Acho que a gente tem que fazer um intercâmbio com o Sul, com o Nordeste, com o resto do Brasil.

lthe gilbertos, captain beefheart and his magic band, breakbeat era, 4-track valsa,
vibrosensores, wander wildner, pólen, lunik 9, atari teenage riot e beastie boys

nick hornby, jorge mautner, musikaos, second come, nme premier shows, cure,
cores d flores, dado villa lobos e marcelo bonfá, vulgue tostói

lobão, woyzeck, stellar, jupiter apple, flu, sepultura, oasis, érika palomino, jason e simpsons