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BEASTIE BOYS No início era o trio de garotos abestalhados, desdenhados pela crítica, expressamente combatidos pelos conservadores defensores da moral e bons costumes e que, tal qual um furacão, causavam problemas por onde passavam. Desde 1979, Mike Diamond, Adam Horowitz e Adam Yauch se propuseram a abalar as estruturas subterrâneas do hardcore nova-iorquino. Nascidos em berço abastados, os três destinavam a adolescência para a erupção da inconseqüência juvenil. Acordes básicos, velocidade, muita gritaria e letras com a profundidade de um pires - são desta época "B.E.A.S.T.I.E. Boys", "Egg Raid On Mojo", "Soba Violence" e outras raridades deste The Sounds Of Science, álbum duplo que mistura hits e b-sides. A sorte grande veio em 1986. Empresariados por Russell Simmons (manda-chuva da gravadora Def Jam e irmão de Josef Simmons, integrante do grupo de rap Run-DMC) e produzidos por Rick Rubin (fã de heavy, visionário de novas promessas musicais e então a outra metade da Def Jam), gravaram o primeiro grande álbum. Fundindo poderosos riffs metálicos com batidas miami e jogos vocais extraídos do hip hop, Licensed To Ill vendeu horrores e fez do grupo um dos baluartes da explosão do rap. As acusações, porém, passaram a vir de ambos os lados. Eram branquelos metidos a fazer som autenticamente black. Também significavam a personificação da bestificação absoluta por subirem ao palco cercados por pênis gigantes, go-go girls enjauladas e verborragia não-estancada de muitos palavrões e baixarias sexistas. Não à toa os três músicos hoje renegam essa fase. Baniram de vez o hit "No Sleep Till Brooklyn" do repertório (a faixa é a grande ausência da coletânea) e só pinçaram três faixas do álbum original ("Brass Monkey", "Slow And Low" e "Fight For Your Right"). Três anos depois o esboço da virada surgiu com o conceitual Paul's Boutique, produzido pelos então iniciantes e desconhecidos Dust Brothers. Mergulhado até a cabeça em colagens sonoras e trechos sampleados de diversas referências do rock e do cinema, o grupo revelou neste álbum pérolas como "Hey Ladies", "Shradach" e "Shake Your Rump". Com a década de 90 veio a consagração. Os matadores álbuns posteriores Check Your Head (1992), Ill Communication (1994) e Hello Nasty (1998) trouxeram um grupo mais consciente em matéria musical. O hip hop permaneceu ("Pass The Mic", "Sure Shot", "So What'cha Want", "Jimmy James", "Intergalactic", "Three MCs And A DJ", "Negotiation Limerick File", "Body Movin'" - esta última em arrasadora versão big beat de Fatboy Slim), a veia metal/hardcore continua vazando aos poucos ("The Biz Vs The Nuge", "Sabotage", "Time For Livin'"), mas os outrora garotos abestalhados, agora sob a batuta do amigo e produtor brasileiro Mario Caldato Jr, passaram a mostrar profunda riqueza musical. A receita sonora passou a bater funkeira deslavada, background jazzístico, alguma latinidade, um ou outro blues e muito, muito molho percussivo ("Root Down", "Something's Got To Give", "Gratitude", "Sabrosa", "Twenty Questions" e tantas outras). Hoje, à beira dos quarenta anos, Mike D e os dois Adams são cultuados por meio mundo, lançam discos sempre bem recebidos pelos jornalistas e comandam um grande conglomerado empresarial que engloba estúdios para gravação e ensaios, produção de revistas em CD-Rom, grife de skatewear e uma grande preocupação político-social (o hoje budista Yauch organiza todas as edições do festival Tibetan Freedom). O tempo é o senhor da razão, já dizia aquele velho provérbio... |
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