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BREAKBEAT ERA
Luciano Vianna

"Oi, tudo bem? Como você vai?". Quando liguei para Bristol, para a casa da simpática e extrovertida Leonie Laws eu estava preparado para ouvir tudo, menos português. "Mas é que
eu tenho família em Portugal, aprendi algumas palavras por lá e queria te surpreender", explicou ela aos risos. Ah, entendi. Mas surpreendente mesmo é o primeiro álbum do grupo de Leonie, que junto com Roni Size e DJ Die forma o Breakbeat Era, responsáveis por um dos melhores discos de toda a história do drum'n'bass. Com seu instrumental nervoso e a potente voz de Leonie, o álbum Ultra-Obscene conseguiu dar uma revitalizada no estilo, que até então estava começando a ficar meio em baixa com a classe média inglesa. Com shows irrepreensíveis e um disco até certo ponto bem acessível comercialmente, o Breakbeat Era tem tudo para se transformar no primeiro grande grupo de alcance mundial de drum'n'bass do ano 2000. Confira agora os melhores momentos da conversa com Leonie Laws.

AnoZero - Ultra-Obscene foi aclamado pela crítica inglesa como o melhor disco de drum'n'bass do ano. Você esperava todo esse reconhecimento?
Leonie Laws - Isso para mim é um conto de fadas, se for um sonho eu não quero nunca mais acordar. É claro que foi um surpresa tanto para mim como para o Roni e o Die, mas é legal ter esse reconhecimento todo já no primeiro álbum. Procuramos dar o melhor para fazermos um disco muito bom e queremos conquistar cada vez mais o público, apostando bastante nas apresentação ao vivo do Breakbeat Era.

AnoZero - Por falar em shows ao vivo, qual é o segredo para fazer uma apresentação tão eletrizante?
Laws - O segredo é gostar muito do que faz. Eu acho muito bom tocar ao vivo, sentir a vibração da galera perto de mim. Além disso a gente preferiu fazer tudo orgânico no palco. O Breakbeat Era ao vivo são quatro pessoas: eu nos vocais e três amigos de Bristol no baixo, bateria e teclados. Isso faz o nosso som ficar bem real, pesado. Eu costumo dizer que o Breakbeat Era é a banda punk do drum'n'bass.

AnoZero - O que te dá mais prazer, encarar a galera ao vivo ou trabalhar no estúdio com Roni e Die?
Laws - Sem dúvida é tocar ao vivo. Eu sempre dou muito de mim nos shows, faço questão de fazer a melhor apresentação possível, fico me cobrando muito nesse aspecto.

AnoZero - Porque a demora de quase dois anos entre o lançamento do primeiro single e do álbum?
Laws - Por incrível que pareça, o Breakbeat Era é um projeto anterior ao Reprazent (que conta com Roni Size e DJ Die e lançou em 97 o sensacional álbum New Forms). Na época do primeiro single a idéia era continuarmos a fazer o álbum para lançarmos no mesmo ano, mas aí o disco do Reprazent estourou e o Roni Size e o Die passaram mais de um ano envolvidos com a turnê mundial do Reprazent e não conseguiam tempo para continuar tocando o Breakbeat Era. Preferimos dar um tempo e esperar a poeira assentar para retomarmos os trabalhos no estúdio. Essa é a razão da demora.

AnoZero - Qual a maior diferença que você vê no som do Reprazent e do Breakbeat Era?
Laws - O Reprazent é um projeto mais experimental, viajante, bem jazzy até. O Breakbeat Era tem vocal em quase todas as músicas, é mais agressivo, cheio de sons estranhos e um clima bem punk.

AnoZero - DJ Die e Roni Size já tocaram no Brasil e os singles do Breakbeat Era fazem muito sucessos nas festas de drum'n'bass nacionais. Alguma chance de o grupo passar pelo Brasil no ano que vem?
Laws -Eu não posso esperar para tocar no Brasil. O Roni me disse que sempre que ele tocava o single de Ultra-Obscene em São Paulo o público cantava junto e foi meses antes de sair o disco oficialmente. Isso me deixou muito emocionada. O Die também disse que a resposta do público ao Breakbeat Era em seus sets era impressionante. Eu adoro música brasileira, Tania Maria, bossa nova, falo algumas palavras em português. Acho que ia me dar muito bem no Brasil (risos).

AnoZero - Como você vê a cena do drum'n'bass na Inglaterra hoje em dia?
Laws -Acho que temos bons clubs que ainda mantém a essência do drum'n'bass, mas o que está acontecendo atualmente é que os DJs não estão mais tocando o que o público quer, só ficam preocupados com as novidades, como tocar primeiro determinado white label, essas coisas chatas que acontecem por competição. O futuro do drum'n'bass é saber dosar as coisas novas com as antigas. Os DJs têm que tocar para o povo e não para eles. Isso é o mais importante para o drum'n'bass continuar crescendo em todo o mundo.

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