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| 01.02.0 0- t u d o c o m e ç a a q u i - a n o z e r o @ y a h o o . c o m |
| ERIKA PALOMINO Sintetizando um Universo Humberto Slowik Moda, música - especialmente a feita para dançar - e comportamento sempre estiveram unidos e se modificaram com o passar do tempo influenciando atitudes e gerações. No auge do macartismo americano, os anos 50, o rock'n'roll chacoalhava os quadris e a mente dos adolescentes enquanto chocava os conservadores da época. Na década seguinte chegou a vez do twist não deixar ninguém parado. Em 70, depois da onda flower power e da chatice hippie, quem se popularizou mesmo foi a divertida onda disco que levava todos para as pistas com um visual over, cabelos frisados e meias de lurex. O rap, por sua vez, apareceu em Nova York no início dos anos 80 para tomar o mundo de assalto logo depois. O acid house estourava em 88 na Inglaterra (naquele que ficou conhecido como o verão do amor), e demorou dois anos para aterrissar no Brasil. Babado Forte (Editora Mandarim, 284 páginas) é um documento sobre a cultura urbana observado através dos clubes noturnos que atravessaram os anos 90. Com capítulos dedicados aos bares citados, cultura gay, techno, raves... É possível encontrar no final de cada um, as seções Outros Momentos (um rápido resumo dos acontecimentos mais importantes relacionados ao assunto tratado) e Que fim levou (que conta o que aconteceu com pessoas que foram influentes na cena em determinado momento), além do quadro com algumas gírias relativas ao ano em que eram usadas, um glossário básico de gêneros musicais e entrevistas especiais com ícones como Madonna, Ru Paul e Kate Moss. A autora, a jornalista Erika Palomino - que se especializou neste segmento no jornal Folha de S. Paulo - sintetiza e retrata o surgimento do mundinho por aqui, narrando histórias e apresentando perspectivas para o futuro da cena. Em entrevista, a autora fala sobre drags, clubbers, música eletrônica e conta como foi a realização deste projeto. Ano Zero - Quais foram as maiores dificuldades - e as maiores surpresas -
no processo de pesquisa para a construção de Babado Forte? Ano Zero - Bateu um certo saudosismo no processo? Ano Zero - A cena clubber, como o livro deixa bem claro, é um organismo
em movimento. Além da maneira de se divertir e da própria estrutura das festas (bem como
uma diferença de público), qual a maior mudança que você pôde constatar do início
até o final da década? Ano Zero - Existe a possibilidade da cena, referindo-se especificamente a
São Paulo, voltar a viver um período de vacas magras, com poucos clubes interessantes?
Ou o próprio caminho que a música eletrônica toma neste fim de século serviria como
garantia para a sobrevivência (ou qualidade) e o aumento de público nas pistas? Ano Zero - É possível dissociar diversão, vida noturna, sexo, drogas e
os caminhos a serem tomados pela cultura jovem? Ano Zero - Você escreve que as pessoas não devem ver a noite apenas como
um território em que sexo e diversão, entre outros elementos, são o principal. Porém,
em centros urbanos menores, esta ainda é a imagem de boa parte da população. Você vê
um caminho para que a tal "globalização" chegue também o território da noite
nestes lugares? Ano Zero - Quais seriam os perigos da situação econômica atual do país
interferir no desenvolvimento da cena, em termos de informação e comportamento? A moda
brasileira como a conhecemos hoje correria os mesmos perigos? Ano Zero - A popularização das raves não seria um caminho para a
extinção das mesmas? Ou o ciclo pode ser diferente do que acontece com os clubes, que
perdem com a entrada de não iniciados? Ano Zero - Qual o elemento mais forte trazido pelas drags para o mundo
fashion? Ano Zero - As drag queens (em termos de conceito de comportamento e moda)
devem sobreviver? Quais seriam os meios de evolução delas? Ano Zero - Como você vê o futuro da cena? Ano Zero - Houve alguma história que teve que ficar de fora do livro? Por
quê? Ano Zero - Quais os maiores contratempos de contar histórias sob o seu
ponto de vista? Ano Zero - No começo do processo para o livro, você tinha idéia do
documento histórico que estava produzindo? |