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THE GILBERTOS
Adriane Perin

É bom voltar no tempo e ter a ilusão de que o Fellini nunca acabou. Além de ouvir os velhos vinis da banda para matar a saudade, dá para rodar este novo Eurosambas e viajar no tempo sem medo de errar. Pois o Fellini não acabou. É uma viagem nostálgica a que Eurosambas oferece. Gravado pelo multiinstrumentista Thomas Pappon em seu "exílio" londrino, este é um disco mais do que intimista, permeado pela solidão de estar afastado de uma terra que te faz bem - para o bem e para o mal. Mas não é um disco triste.

Estão lá as suaves melodias, o cuidado detalhado com os arranjos, com a sonoridade diferenciada dos instrumentos e das vozes.  A mesma sinceridade e suavidade no dedilhar dos violões e as sutilezas de sons que tornaram o Fellini uma das melhores bandas que este país já teve, mesmo tendo se recusado a ouvi-la.

Eurosambas traz de volta as mesmas viagens por sentimentos escondidos, que vêm quase sussurrados na voz de Thomas e no acompanhamento, perfeito, de sua mulher Karla. "Erundina Song", uma das mais bonitas canções do disco, fala da São Paulo caótica que o músico deixou. "Queria tanto fazer uma canção de amor para Erundina/ No norte a gente vê as coisas diferentes", canta.

Eurosambas é a sincera declaração de amor a uma mulher, à música, a um país e a nós, que ainda temos tempo para sentir a beleza de uma música criada pela sensibilidade. A nostalgia não incomoda o músico. Ao contrário. "Tenho muito orgulho dessa ligação", falou ao AnoZero Pappon, por telefone, da rádio BBC, onde trabalha em Londres. Lançado pela midsummer madness, gravadora independente carioca, Eurosambas só pode ser comprado pela Internet.

AnoZero - O disco tem uma sonoridade refinada, como foram as gravações?
Thomas Pappon - Eram demotapes que gravei sem grandes compromissos, na sala de estar da minha casa, em um pequeno portaestúdio de quatro canais. Usei guitarra e teclado vagabundos e fui gravando da melhor forma possível. Fiquei extremamente satisfeito com o resultado e quando recebi convite não hesitei um momento. Fiz questão de que fosse lançado do jeito que tudo estava.

AnoZero - Mas as sonoridades não são nada vagabundas...
Pappon - Sem dúvida. Sempre me interessei no pop por aquilo que privilegia idéias. E gravar em um portaestúdio obriga a segurar a regra de fazer o melhor com o mínimo de recursos - o que o Fellini já fazia.  Na Europa me aperfeiçoei e tive mais tempo para testar e experimentar.

AnoZero - Você falou que teve que convencer sua esposa a cantar. Como foi a participação dela?
Pappon - Ela tinha um background, pois tocou na banda R.Mutt. No primeiro momento, porém, não mostrou muito interesse no que eu estava fazendo. Na verdade ,ela não assume muito que faz parte da banda. Mas como musa inspiradora, certamente, ela teve papel bem importante.

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