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ASIAN UNDERGROUND Apesar dos guetos negros americanos terem sido bem-sucedidos ao exportar para o mundo sua música de protesto e conscientização, as terras britânicas nunca ficaram atrás em matéria de reclamação. O único diferencial foi a restrição do grito de guerra contra a opressão, que pode ser creditada ao fator imigração. Se o rap mexe fundo com o orgulho da raça negra espalhada ao redor do planeta, os ingleses descendentes de imigrantes procuram lutar por um mundo mais justo dentro do próprio país, reivindicando - e com toda a razão - a igualdade de direitos, a exterminação de mazelas sociais e a não discriminação pela origem racial. Durante os anos 70 e 80 foi a vez dos caribenhos levantarem a voz (ajudados por expoentes musicais como o punk rock do Clash e os irmãos regueiros do UB40), na última década um outro segmento começou a se destacar no cenário musical do país. O asian underground vem encabeçado por artistas nascidos no Reino Unido mas pertencentes a famílias de imigrantes do subcontinente indiano, que chegaram às terras da rainha depois da Segunda Guerra Mundial. Regados a infintas audições caseiras de clássicos e sonoridades de seus ascendentes, estes nomes souberam unir com naturalidade o background sangüíneo com a incorporação das novas e contemporâneas tendências como o pop, o dub, o techno, o drum'n'bass e o funk. Deste segmento surgiu o selo independente Nation, que tem lançada agora no país sua primeira compilação, Global Nation... And Still No Hits, pelo também indie Subsolo (contato pelo fone 11-288-1214 ou e-mail subsolo@sternsmusic.com. Com doze faixas escolhidas a dedo para o mercado brasileiro, a coletânea prova que o reconhecimento de gente como Cornershop, Asian Dub Foundation e o DJ Talvin Singh (que em 1999 superou nomes consagrados como Blur e Chemical Brothers na categoria artista do ano no prêmio Mercury, concedido pela indústria fonográfica britânica). Não espere, contudo, encontrar aqui faixas que combinam com as paradas. Desfilam no disco faixas genuinamente criativas, mais voltadas para o estabelecimento de uma nova ordem musical oriunda de certos bairros e regiões londrinas. Também não se deve confundir esta nova linguagem com uma palavrinha hoje tão em voga (e erroneamente utilizada) chamada experimentalismo. Estes ingleses-asiáticos sabem muito bem o que querem provocar. Desejam a união entre passado e futuro com a quebra de barreiras sociais e raciais. Provam que tablas podem dialogar com samplers e fazer disto um novo galho na árvore genealógica da evolução musical. Um dos cabeças desta nova revolução que começa agora a ultrapassar os limites geográficos da ilha chama-se Aki Nawaz, co-fundador do grupo pós-punk The Southern Death Cult (embrião do The Cult) ao lado do vocalista Ian Astbury. Líder do projeto Fun<Da>Mental, Aki vive aparecendo nas páginas das Melody Makers da vida dando bombásticas e por vezes cruéis declarações políticas a respeito da situação de seus semelhantes. Ao contrário de certos confetes e serpentinas caetânicos, Aki não hesita em cutucar a ferida aberta pelo racismo e pela postura de superioridade adotada pelos países do primeiro mundo. "Estou muito mais preocupado com a possibilidade de ser morto pelo Combat 18 do que com nossa posição nas paradas de sucesso", chegou a dizer certa vez, referindo-se à atuação de uma sociedade racista britânica. O Fun<Da>Mental aparece neste Global Nation... em dois instantes: no ambient trance "Mother Índia" e assinando um poderoso remix para "Muthaland", faixa dos rappers sulafricanos do Prophets Of Da City. Outro expoente das pistas alternativas britânicas chama-se Transglobal Underground, uma mini-sociedade multicultural que ferve no mesmo caldeirão influências musicais captadas em diversas partes do planeta. Em "International Times", rap e big beat (quem assina a remixagem é o conceituado produtor Justin Robertson, também conhecido como Lionrock) se fundem a sonoridades estranhas aos ouvidos do primeiro mundo e que costumam ser pejorativamente classificadas como world music. Já em "Temple Head", quem assume o comando é uma revitalizada acid house.Antes de estourar com o álbum Rafi's Revenge, o Asian Dub Foundation também pertenceu ao catálogo da Nation. Sua poderosa mistura de punk, drum'n'bass e música indiana vem representada nesta coletânea também em dois momentos: o torpedo "Change A Gonna Come" e uma versão dub para "Jericho". Na categoria artistas-de-uma-faixa-só, TJ Rehmi apresenta "The Fusionist", obra-prima do tabla'n'bass. O Ambisonic opta pelas texturas do dub em "Helicopter Kinda Girl". O Bluebommer, por sua vez, prefere juntar o melhor dos dois e faz d&b viajandão em "Blue Bommer Dub". Nas outras músicas, a Nation ainda prova não ser restrita à veia asiática. O Xangbetos atualiza batidas e dialetos africanos em "Clicksong" e a cantora belga Natacha Atlas, também colaboradora do TGU, mescla house, flamenco e suas origens árabes em "Timbal" (gravada pelo projeto !Loca!). E o já citado Prophets Of Da City encerra a seleção comparecendo em mais uma dobradinha ("Planet Capetown" tem cinco minutos compostos por um atordoante show de scratches). Como apresentação aos brasileiros, este Global Nation é mais do que válido. Resta agora esperar pelos álbuns de seus grandes baluartes. ENTREVISTA: FUN<DA>MENTALJennifer Koppe AnoZero - Como foi a entrada de 2000 no Paquistão e como está a situação política atual do país? Aki Nawaz (Fun<Da>Mental) - O Ano Novo foi ótimo. Claro que, politicamente, todos estavam um pouco preocupados já que os militares estavam nas ruas. Mas percebi que as pessoas estão muito mais calmas e muito mais felizes. Além do mais, o governo atual não é comandado pelos Estados Unidos. Então, acredito que as pessoas estejam relamente mais tranquilas. AnoZero - Quais são os princípios políticos do grupo? Aki Nawaz - Nós acreditamos no que as pessoas normais acreditam. Lutamos contra as injustiças, contra o racismo e a discriminação, o terrorismo econômico e a exploração em um nível global. Somos contra o abuso patético dos direitos humanos principalmente pelos governos. Os governantes têm o poder de serem bons ou não e geralmente optam pelo caminho do egoísmo e dos seus próprios interesses. AnoZero - É esta a situação dos imigrantes na
Inglaterra? AnoZero - Você acredita que o movimento musical
asiático seja um dos responsáveis por isso? AnoZero - Como aconteceu a fusão da cultura
asiática com a música eletrônica? AnoZero - Qual é a dimensão deste movimento de
bandas asiáticas na Europa? AnoZero - Quais são as influências musicais do
Fun<Da>Mental? AnoZero - Por que foi escolhido este nome para o
projeto? AnoZero - Você tem planos de vir ao Brasil? AnoZero - Por falar nisso, como foi a sua
participação no The Cult? |
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