anozero01.jpg (17084 bytes)

1 6 . 0 2 . 0 0  - t   u  d  o       c  o  m  e  ç   a       a  q  u  i

NICK HORNBY
No Teatro. No Brasil.
Rafaela Tavares

Rob Fleming é um trintão dono de uma loja de discos que está se separando da namorada e tem a incrível mania de fazer listas para qualquer coisa. Sua história, problemas existenciais e os dramas amorosos contados de uma maneira bem humorada, estão em A Vida É Cheia De Som e Fúria, peça teatral baseada no livro Alta Fidelidade, de Nick Hornby. O espetáculo, que estreou nesta última quarta, fica em cartaz até o final do mês no Teatro da Classe (R. Treze de Maio, 655, em Curitiba).

Quando foi lançado, o livro de não recebeu boas críticas na Inglaterra. Por outro lado, nas cidades americanas de San Francisco e Nova York começou uma espécie de culto a Hornby. "Acabei conhecendo as obras através de um amigo que estava por lá", conta o diretor Felipe Hirsch, também responsável pela adaptação do texto para o teatro. "Quando terminei de ler High Fidelity descobri que aquele poderia ser um grande projeto para o teatro."

Entretanto, a montagem e adaptação de obras consideradas cult, que não possuam exatamente uma linguagem teatral, muitas vezes pode se tornar um risco. "Minha preocupação foi pensar que estava fazendo teatro e não cinema ou literatura. Se eu pensasse em fazer literatura no palco, estenderia este espetáculo a um grau quase épico, uma coisa muito estudantil".

O projeto levou cerca de uma ano e meio para ficar pronto. Diversos detalhes tiveram que ser analisados afim de evitar qualquer tipo de queda para o que poderia se tornar um estereótipo. "Eu correria este risco trabalhando com pessoas não identificadas com este universo. Todos que estiveram comigo no processo de criação não estão distantes da cultura pop Isto ajudou muito."

Assim como a escolha dos figurinos e da trilha sonora, peça-chave nas referências musicais do livro, também exigiu atenção dobrada. "Escolher a trilha sonora foi a parte mais gostosa. Era o que a gente escutava", revela Felipe. Há ainda uma parte da trilha original, cheia de texturas musicais que foi feita pelo Rodrigo Barros e pelo Ferreira, respeitando o texto e tentando sublinhá-lo no aspecto teatral". Hirsch também optou por usar alguns recursos visuais (imagens sãi projetadas em uma tela à frente do palco). Até o programa da peça possui um ar pop, com uma diagramação e impressão que lembra a dos fanzines.

No palco, duas fotos imensas estão dispostas lado à lado. Uma de Kurt Cobain, outra de Bob Dylan. "Quando defini o cenário queria uma imagem de um ídolo da década de 90 e um da de 60",conta o diretor. Tantos cuidados parecem ter valido a pena - ao assistir à apresentação a identificação se torna imediata. "A obra atrai desde gerações anteriores, os seventies londrinos, quem escutou Clash e Elvis Costello, até os mais novos que escutavam Nirvana e Pixies". Felipe conclui com uma bela constatação: "Fiquei impressionado com a semelhança que há entre a juventude de Curitiba, pois mais que ela esteja bem distante do mundo, com a de Seattle e a de Londres."

UM GRANDE GAROTO
Abonico R. Smith

Quem se deliciou com a verve pop de Nick Hornby com certeza já tem um motivo a mais para correr até a livraria mais próxima. Um Grande Garoto (About A Boy, no título original), escrito antes de Alta Fidelidade e o romance com o qual o autor despontou como um dos nomes mais cultuados da literatura britânica da década, acaba de ganhar edição em português pela Rocco.

Como não poderia deixar de ser, Hornby procura colocar em sua obra tonalidades explicitamente autobiográficas. Volta e meia não resiste à tentação de fazer citações ao mundo da música, televisão e cinema e ainda deixa pistas claras de que certas atitudes dos protagonistas foram baseadas em suas próprias experiências.

Will Freeman, o homem que se nega a crescer, sugere uma das facetas dos desejos íntimos de Hornby. Aos 36 anos, o personagem vive imerso em sua síndrome de Peter Pan. Aproveita a vida como pode, ganha dinheiro sem trabalhar muito e se divertindo ao máximo.

Marcus, o garoto de 12 anos que conquista o coração de Will, é exatamente seu contraponto (e o reflexo inverso das vontades de Hornby?). Obrigado a amadurecer precocemente, ele traça mil e uma teorias a respeito dos percalços da vida, revela grande preocupação com a felicidade da mãe divorciada e ainda procura manter o equilíbrio suficente para driblar as provocações vindas pelos meninos mais velhos da escola.

Disposto a fazer mais reflexões sobre a nossa esquizofrenia comportamental do dia-a-dia, Hornby justifica todos os elogios e o culto à sua obra. Pode parecer ter gosto de fast-food, mas a vida é feita de coisas assim, bem simples como seus curtos capítulos.

lobão, woyzeck, stellar, jupiter apple, flu, sepultura, oasis, érika palomino, jason e simpsons