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| 01.02.0 0- t u d o c o m e ç a a q u i - a n o z e r o @ y a h o o . c o m |
| JASON Diário de Bordo - South Part Tour 99 Leonardo Panço Quem leu alguns meses atrás o diário da nossa segunda turnê pelo nordeste, já pôde constatar que mesmo para nós da banda, ter conseguido excursionar mais uma vez, já tinha sido algo inesperado. Todo mundo sabe como é a situação de uma banda pequena e sem verba no brasil, né? E eis que estou aqui novamente contando outra proeza do Jason para quem quiser ouvir. Antes de começar, vale um esclarecimento para quem estava integrado sobre a viagem. Tínhamos seis datas no sul do país, sete na Argentina e uma no Uruguai. Muita gente sabia que o que faríamos seriam esses shows. Só que um dia antes de viajarmos, os shows gringos foram por água abaixo. O melhor a dizer é que várias coisas aconteceram totalmente fora do nosso alcance e o que restou foi a promessa de novas datas mais organizadas. Não é assim tão simples e não sabemos se poderemos voltar. De qualquer modo os pedidos de desculpas dos gringos foram aceitos e sigamos em frente. Saímos daqui - eu, Vital e Flock - numa quinta-feira dia 25 de novembro numa viagem tranqüila nas tradicionais 12 horas até Curitiba. Chegando lá, o primeiro passo: achar alguém do Anões de Jardim que pudesse nos ajudar. Xande estava em reunião e Felipe na faculdade. Ah, tudo bem. Só passaram 5 horas até o Felipe aparecer para nos buscar. Dava quase para voltar até São Paulo. Mas na boa. Sobrevivemos ao chá. Fomos comer dezenas de esfihas e vender CDs em lojas. Uns 15 cdzinhos - não só da nossa banda - morreram nessa história. Beleza. De lá para a Lipes Caxanga tomar um banho, comer coisas, ouvir o cover do Pinheads que eles gravaram para o tributo e as 10 músicas do Anões novas gravadas num ensaio muito bom. Deu pra sentir que o CDzeeto novo promete. Umas 3 horas depois do previsto, eis que surge Rafael, nosso baterista vindo de São Paulo. Eis que Felipe tem a idéia genial de nos encaixar em um show que estaria acontecendo, mais cedo que o nosso oficial, no Floresta, na verdade uma sala na faculdade de Engenharia Florestal. Mesmo que não tivesse dado certo - e deu - teríamos visto os Malditos Ácaros do Microcosmos ao vivo. Guilherme (voz) e Lúcio (baixo), ambos ex-Boi Mamão se redimiram de terem assassinado o Boi fazendo ska só para tentar vender, montando uma banda que é total insanidade a la Mr. Bungle, a influência mais clara deles. Junto a guitarrista e baterista fantásticos, está o saxofonista Rodrigo - irmão de Guilherme, ex-Pogoboll e grande ajuda para gente na viagem, vocês vão saber porque mais à frente. Não percam. Voltando ao Floresta, não é que o show foi muito bom? Improvisado ali na hora, rolou de primeira. Valeu Minduim e todos que emprestaram coisas. De lá fomos para o QG. Digamos que deprimente não foi, mas também não foi o show de nossas vidas. AMF e Real Subb foram as bandas de abertura. Bem legais, principalmente a primeira. Metal moderno, essas coisas. Só nego sinistro tocando. Esse show valeu pra encontrar um povo que não víamos há alguns anos como Piu e Daniel (a quem acabei de ver na TV apresentando um programa de esportes radicais) do Resist Control, o lendário Bufunfa ex-Ovos Presley, hoje nos Cervejas, Digão do Papakapika zine, Manuel, que lançou a coletânea Lototol, entre outros CDs e Elton Negão, que reencontraríamos mais a frente em Guaramirim. Depois de constatarmos que JR. Ferreira - aquele do Magnéticos, hoje no Limbonautas e eterno dono do 92 Degrees tinha sumido, assim como o casaco do Vital (esse levado por alguém), fomos para a rodoviária esperar três horas até pegarmos o ônibus que nos levaria pela primeira vez para Florianópolis. Foi sentar no banco e acordar em Floripa, acho que umas 6 horas depois. Algo do tipo. Compramos passagens para Joinville e esperamos uma merrequinha até o grande amigo Mancha chegar e nos levar para sua casa. Uhuh. Eu que já o tinha hospedado durante duas Expo Alternative na Vila da Penha, iria poder agora ir à forra. Fomos almoçar uma parada clássica em um (blergh) shopping e depois dar uma olhada nos lugares legais tipo Lagoa da Conceição e Praia Mole - onde fomos de calça comprida. Muito bom. Depois disso, um soninho esperto, um banho no maior banheiro que já vi na vida e show. O lugar - Heaven - era muito legal. Perfeito para um show pequeno. 200 pessoas entre banda, pagantes e bicões. Antes da gente tocaram Cainitas e Ambervisions - esse muito bom e depois de nóis, os super-heróis locais do Euthanásia. Depois de uns 6 ou 7 anos de correspondência, finalmente vendo a banda do Mancha ao vivo. Matador. Estavam lá no show, Leonardo ex-Tormento dos Vizinhos e Mauricio, baixista do Butt Spencer. Pudemos finalmente dormir de verdade e almoçar um clássico churrasco do Seu Mancha e Dona Mancha. Valeu mesmo. Apesar de que ainda me deves uns 5 almoços, viu Manchete? Fomos para Joinville e de lá para Guaramirim, ainda em Santa Catarina. Parados na microrodoviária local, o Rafael foi reconhecido pela mina do Jean, do Deltacid e graças a isso, fomos confortavelmente de carro para o maravilhoso Curupira. Já falei várias vezes do Curu, mas sempre tem alguém que não leu. É um lugar todo de bambu, no meio de um sítio com laguinhos de peixes, com o clima perfeito e sempre com as pessoas perfeitas. Podendo, passem por lá um dia. Poucas cidades têm - se é que alguma tem - um lugar como esse. E olha que Guaramirim é na verdade uma grande fazenda. Não muito mais que isso. Back. Esse é o local certo de rever velhos conhecidos como Edson e Marcos ex-The Power of the Bira, de quem gravamos um cover, que está na coletânea em CD Squema, lançada pela Grito Records, do Cha Chá, que não lembro de já ter conhecido antes desse dia, Mari e Eliete. Tocaram com a gente, Schnaps, Los Bodegueros, Deltacid e Butt Spencer. Todas elas com boas gravações, fariam frente a qualquer banda mais conhecida de punk rock, hc e no caso do Butt, de Skapunk. Nosso show foi muito bom. Edson estava alucinado nesse dia. Pegou uma bacia com água dos pobres peixinhos e jogou no salão para poder escorregar bastante. Resultado: deu com a cabeça na base do palco, feito com aquelas pedras coladas umas nas outras, e no dia seguinte amanheceu com o travesseiro vermelho. Além disso, ele ficou pendurado de cabeça pra baixo nos bambus do teto. Nada demais. Ainda tivemos a presença do homem-bananeira no palco, um cara que fica plantando bananeira por intermináveis minutos enquanto as bandas tocam. Vital e Flock saíram correndo porque tinham ônibus de volta para casa, saindo de Jaraguá do Sul. É. Eles tinham que trabalhar. Eu e Rafael fomos também para Jaraguá com o Jean, onde depois de comermos - muito bem - nos separamos. Ele voltaria pela manhã para Curitiba e de lá para o Rio. Fui para casa da Mari, da Eliete e por tabela, do Edson, com quem conversei até altas horas. Por motivos inexplicados acordei 3 horas depois, às 6 e meia. Banho, café da manhã style e fomos para a Abrigo Nuclear, a loja de CDs do Edson. Quem me dera ter um espaço daquele por aquele preço. Poucas lojas têm estrutura tão legal. O segundo andar com um sofázinho foi providencial depois do almoço. Vendi coisas, troquei, e tive que comprar. Não teve jeito. Duas fitas cassete com shows ao vivo dos Replicantes e gravações inéditas. Músicas desconhecidas para mim até então. Arqueologia pura. Ainda comprei uma fita de vídeo com um show de 87 em Jaraguá mesmo, com Wander no vocal, capa colorida, fotos inéditas e tudo. Não empresto, não dou, não vendo, não troco e não nada. Comprei minha passagem para Porto Alegre e às 7 da noite, lá fui eu. Só 3 pessoas no bus até Blumenau, onde capturaríamos o resto do povo. Entramos até em Massaranduba. Camboriú, Blumenau, Itajaí e outras que não lembro os nomes. O ônibus é o tal do pinga-pinga. Às 6 da manhã da terça-feira, criminosamente telefonei para casa do Zé, guitarrista do No Rest pedindo para ele me buscar. Quem bom que ele me pareceu estar de bom humor. Disse que já me esperava. Muito bom. Direto para a casa dele, vimos o Palmeiras perder o mundial. Se o Vascão, o melhor de todos, já tinha perdido, o justo era o verdinho perder também. Um soninho, almuerzo, encontramos com a Aline, vocal do No Rest, e fomos ao trabalho. Jornais, rádios e TVs. Como em qualquer grande cidade, a mídia impressa é sempre a mais acessível e foi no Correio que conseguimos uma foto no dia do show e na Zero Hora, um nota bem interessante no sábado anterior ao show. Não é capa do caderno cultural, mas para primeira vez, tá valendo. À noite fomos para a famosa Oswaldo Aranha, uma espécie de Baixo Gávea, só que muito deprê. Tá aí um lugar que por mais que eles tenham falado que já foi legal e que não sei o que mais, me deixou a pior impressão possível. Só tinha visto nos filmes de Nova York. Os traficantes te abordando no meio da rua e você tendo que desviar e estar recusando o tempo todo - pelo menos no meu caso. Uma boa palavra a ser usada é "desagradável". No mínimo. Ah. Além disso demos uma passada no Garagem Hermética para conhecer o lugar e colar filipetas. Na quarta-feira de tarde fomos na passagem de som do Wander Wildner no Ocidente só para confirmar o meu convite e pedir um pro Zé. Tudo em cima. De lá fomos preparar os panfletos, tirar cópias e começar a distribuir. Pela primeira vez em 10 anos tocando em bandas eu teria um lambe-lambe. Não sei como se chama nos outros estados aqueles cartazes gigantes de mais de um metro de altura que se cola escondido na madrugada, mas aqui no Rio eles se chamam lambe-lambe. Essa ainda não era a noite de colá-los. Finalmente chegou a noite e fomos para o show de Wander Wildner. Conheci os caras do Chulé de Coturno que atualmente formam sua banda de apoio e depois de umas cervas, entramos para ver o show. Como sempre, Wander é o bicho. Já que não é uma resenha de um show dele, só isso basta. Quem quiser saber mais, cá estarei a disposição. Depois do show, encontrei com o Mini, o vocalista do mudhoneiniano Walverdes. Um cara de vinte e poucos anos como ele gosta de se definir. E acabo de me lembrar que fui no camarim cumprimentar o Wander pelo show e que lá estava um antigo conhecido que demorei a reconhecer. Silvio Ayala. Um dos primeiros zineiros de PoA, que eu conheci palestrando no 1º ZineMutante aqui no Rio, está com um programa no Canal 14 local, o canal comunitário. Foi assim que acabei entrevistado, respondendo perguntas muito boas sobre o meu trabalho. Na quinta fomos em lojas vender CDs e colar cartazes. Não lembro muito bem, mas pode ter sido nesse dia que tomamos cervejas em frente à Casa de Cultura Mário Quintana, enquanto esperávamos pela Aline. Isso depois de ter andado que nem um camelo pedindo patrocínios, tomado cervejas em outros lugares, pedido mais patrocínios e tomado mais cervejas em outros lugares. De noite, depois da polêmica sobre quem deveria ter comprado a soda cáustica para fazer a cola para colar os lambe-lambe, tudo se resolveu com uma tempestade das boas. Nada a se fazer. Fomos para o programa do Zé e do poeta Santiago - também baterista do No Rest - numa rádio comunitária tocando só bandas legais. Na sexta-feira só há registros da parte da noite. Saímos - eu, Zé e Mano, baixista da No Rest - para colar os cartazes na clandestina. Maneirão. Minha primeira vez. :) Acabei no Garagem Hermética com o Santiago e a mina dele para ver o show do Minimaus - muito boa banda, com cara de Suede e TNT, e do Video Hits. Banda essa liderada por Diego Medina, outrora conhecido como Doiseu Mindoisema, o autor do hit "Epilético". Muito melhor que sua banda anterior. Não tenham dúvidas. Bem. Para quem é fã, estava por lá Heron Heinz. Tá, tá. Para quem mora por lá, ver o baixista dos Replicantes na esquina toda semana é moleza, mas não para mim. É claro que não fui pelar o saco dele, mas foi maneiro. Estavam por lá também o Flu - em outros tempos Flávio Santos do Defalla, Jimi Joe - o cara por trás de uma das músicas mais legais dos Replicantes e que recentemente invadiu o palco e lascou um beijo na boca do Ian do Echo and the Bunnymen e Kleber, batera dos Replicantes - da nova formação sem o Wander. De lá, já com o Zé de volta, fomos para um trailler do lado do Beira Rio comer um sanduíche de peso. Chegamos para dormir às 7 da manhã e a banda chegava às 10. Boa, campeão. A ansiedade me fez acordar cedo, mas é claro que Murphy não deixaria ser assim tão simples. Eles atrasaram - ou o ônibus, como queiram - apenas 4 horas, o que complicou tudo. Lá fomos nós - eu e Aline - buscar a cambada para os seus primeiros minutos de "Bah, tri". Vamos a um detalhe que poucos sabiam. Como já disse inicialmente, faríamos shows na Argentina que a agenda do Rafael não permitia que ele cumprisse, então uns 2 meses antes começamos a ensaiar com o PC, batera do Unabomber. Quer dizer, fomos na rodoviária buscar o Vital, o Flock e o PC. De lá, direto para os mega sanduíches, depois para casa do Zé - já com os pais dele na praia - de lá para a piscina, banhão, e show improvisado no Axé Bahia. Soubemos do show e pedimos para tocar. Não é que das cinco bandas escaladas para tocar só uma foi? Conosco foram duas. Um lugar de reggae, mó viagem. Tocamos só pancadaria no meio da rua com velhinhas a passar, olhares espantados e a melhor de todas: um caminhão de lixo passou com os lixeiros correndo e olhando para gente ao mesmo tempo. Por alguns segundos quem estava nos vendo do outro lado da rua, ficou sem ver nada. Parece sem graça, mas foi surreal. A essa altura já tinha chegado a kombi comandada pelo Daniel, logo apelidado pela gente de Pica-Pau maluco. Alguém aí lembra de uma época do Pica-Pau que ele era muito mais louco? Essa kombi veio de Santo Antônio da Patrulha, 80 km de Porto Alegre, com a banda Scream Noise e mais uns amigos juntos. De lá fomos para a casa do Zé buscar coisas e de lá para Cachoeirinha, uns 30 km de Porto Alegre, direto para o bar Formiga Atômica, onde tocamos com um som horrível, mas com um pessoal animado. O Scream tocou, depois nós e fechando o Walverdes. O lugar, com um som melhor, é muito bom mesmo. Palco muito bom, camarim, cervejas, tudo bem legal. De lá, nos separamos do povo No Rest - até que enfim eles descansariam de mim - e fomos de kombi para Santo Antônio. Coloca aventura nisso. O piloto - que aprontaria uma sinistra dois dias depois - errou o caminho e parou num lugar bizarro, igual à Floresta de Blair, numa espécie de ponte que dava a impressão de que não havia nada do outro lado. O Vital admite que quase infartou. Ele deu um pulo gigante no banco, quando ao invés de ir na moral, o cara foi voado nessa ponte, feita de barro molhado. Depois de acertar o caminho - aliás só para registro, tinha 14 pessoas nesse trem fantasma, rumamos para Santo Antônio. Aliás põe fantasma nisso. Breu total na estrada, uma reta infinita. 5 da manhã, me recusando a dormir para se preciso, ver o fim trágico acordado. Chegamos na casa do Pica-Pau e logo que possível estávamos todos dormindo. Só que ele acendeu a luz e acordou geral ao meio-dia da madrugada. A dor de cabeça veio pela primeira vez. Vimos uns vídeos e conhecemos 4 caras que vieram de São Leopoldo, Novo Hamburgo e Portão para o show. Aliás - todos juraram que é verdade - em Portão, vive nada mais nada menos que o Kiko. É. O bochechudo que aporrinhava o Chavez. Dá para acreditar? Eles falaram que as bochechas eram de algodão. Se eu tivesse mais tempo, ia lá para tirar uma foto. O dia foi clássico. O pai do Pica-Pau era sangue bom total e preparou um almoço totalmente gaúcho pra geral. Supimpa. Trocamos várias idéias com ele e com a mãe do Daniel, que por coincidência se chama Lívia - o mesmo nome da Sra. Flock. Só isso? Sabemos que o mundo é uma ervilha, não é mesmo? Ela morou na mesma rua que a Lívia mora hoje, em Niterói. Como sempre acontece em 95% das casas de quem nos hospeda, assim como a mãe do Zé, ela foi professora e pinta quadros. O mesmo que Vital e Flock fazem. Depois de uma descansada, fomos para a rádio da cidade, dar entrevista para um programa de rock semanal. Assim como no nordeste, quanto mais afastado do centro, maiores as oportunidades. Falamos o que quisemos, tocou o CD inteiro de fundo, e como numa festa de faculdade, um violão apareceu do nada para então fazermos "Insônia", que já tínhamos tocado em Aracaju, "Que bom que eu não amo ninguém", "A bela Canção", uma música do CD novo e atendendo a pedidos, "Eu amo a sua mãe", do morto e enterrado Soutien Xiita. Lindo, não? De lá para o show. Não antes sem passar pela tensão de estar chovendo e do evento ser em local aberto. Ficamos por lá tomando mais cervas e vendo várias lermu chegarem, até o Scream of Life, de Canoas começar a tocar. Insano total. Tipo um Fugazi mais louco e bem mais barulhento. Depois deles foi nossa vez. Tivemos problemas novamente com equipamento, mas o show foi muito bom. Um dos melhores da viagem. Na seqüência, um stress gigante do pessoal do No Rest com o pessoal de Canoas por causa de equipamento, não fez com que o show deixasse de ser muito bom. Eles tocaram com raiva e fizeram geral pular. Fechando, o Scream Noise, ou Oscriminosos, tocaram na base da atitude total, jogando em casa. É estranho, mas vendemos mais CDs do que em shows em cidades muito maiores. Até camisas foram embora. Marcante mesmo. Por algum motivo, sabia que daria alguma preguicinha no pessoal do Walverdes. Pode ter sido algo maior, mas o fato é que não deram as caras. Algo que esqueci de bem legal. Fomos a primeira banda não gaúcha a tocar em Santo Antônio na história. Reza a lenda que em Cachoeirinha também. É mole? Fazendo história. Fomos para casa e enquanto fui arrumar minhas coisas, o povo foi para o bailão. Mas já estava terminando. Depois disso, eles foram ver filmes do Baiestorf. Acabei dando uma passada pela sala de vídeo na hora do filme "Boi Bom". Não aconselho. Posso estar sendo hipócrita, já que como carne, mas o que vi por ali passou bem longe do aceitável. Na segunda-feira, fomos a casa do Dr. Nicanor, um médico-poeta que nos deu uns livros de poesia e com quem eu tinha trocado várias idéias no show. Ele é pai do barba-verde, guitarrista e malabarista "doscriminosos". Pelo menos 25 pessoas que estavam no show, estavam nessa casa. Eles vão passando e entrando. Viagem total. De lá fomos no jornal local buscar nossas matérias que haviam saído nas semanas anteriores, de lá para a Fonte da cidade, onde reza a lenda, uma vez bebendo água dali, casa-se com uma menina da cidade. Vimos um antigo depósito de armas da guerra de Farroupilha. Será que é essa a guerra que eles falaram? Conhecemos o enésimo bar da viagem e fomos para casa nos arrumar para ir a Porto Alegre tocar no Garagem. Não seria assim tão simples. 9 da noite e nada do motorista da kombi. Uma confusão geral até se descobrir que o cara tinha ido para um sítio com a mãe, levado o carro, a grana adiantada da galera, enfim, sumiu do mapa. O pai do Daniel acenou com uma possibilidade para nós perfeita mas que ainda não temos notícias de ter funcionado. Ele alugou 2 táxis por 160 reais e nos mandou para Porto Alegre, só que ele disse que o dono da kombi iria pagar por essa viagem e ainda ressarcir a galera por danos morais. Deu pra ver que a chefia da situação é advogado, né? Ele afirmou que se o safado não pagasse, ele baixaria as portas do escritório. Espero que dê tudo certo. Fomos para POA de táxi. Que onda, né? É claro que o crazypecker productions errou o caminho várias vezes e só chegamos meia-noite e meia no lugar. Deserto do Saara total, se não fosse pelos 12 graus. Ninguém dentro nem fora. Que deprê, mas que nada. No final salvaram-se todos. Umas 80 pessoas viram o show. Para o lugar e para uma segunda-feira, foi o bicho. Até o Tonho do Ultramen deu as caras e curtiu a pancadaria. Muito bom mesmo. Nos despedimos de nossos amigos de Santo Antônio e fomos para a casa do Zé em um só carro. Tá aí. Essa viagem até a casa do Zé, eu admito que foi insana. O Vital então, nem se fala. No banco de trás, a banda. Na frente, o Beleira dirigindo e no banco do carona, o Zé e a Aline. O cara dirigia sem as mãos. Juro. Tipo de 30 em 30 segundos, ele dava uma encostada no volante. Horrível foi a hora que ele ficou com as mãos na nuca e virado para trás falando com a gente. Difícil dizer o que foi. Pior que no dia seguinte, quando comentamos com Aline e Zé, nenhum dos dois tinha percebido a bizarrice. Na terça, acordei 2 da tarde, mas todos só acordaram depois das 5. Vital acordou lá pelas 6 e meia. Foi dia de não fazer nada mesmo. Só TV, rapaduras, almoço, lanche, janta, lanche, rapaduras. Na quarta, fomos vender CDs em lojas, tomar cervejas em outros lugares diferentes, ligar para um monte de gente para agendarmos mais shows, encontramos o lunático mór de Porto Alegre, Plato Divorak, tiramos um soninho e fomos para o Garagem Hermética, onde tocaríamos encaixados em um show alheio. Tudo fechado. Nem as bandas forma. Nada feito. De lá para a Oswaldo, aquele lugar deprê e de lá para casa. 5ª feira foi dia de ir no banco, ver o show e as imagens do Agnostic Front em POA no vídeo, eles ficaram na mesma casa que nós. No dia anterior eu tinha ouvido o cunhado da Aline falar de um show no Centro Acadêmico dos Estudantes de Geologia da UFRGS, e depois de um telefonema, lá estávamos para tocar. Foi quando começou a parte mais punk da viagem toda. Desde as 5 da tarde de quinta até segunda-feira 3 da tarde, só rolou um banho e nenhuma cama. Só bancos de ônibus. 4 shows, 4 dias, 4 cidades. Tocamos na Geologia. Beleza. Foi bem legal. Aliás novamente os primeiros não gaúchos a tocarem por lá. Depois disso, geral ficou pancado. Todos. Foi engraçado. Acho que precisávamos disso para descontrair. O melhor de todos foi o Flock. Ele não se lembra de nada depois que pegou uma cerveja na geladeira dos caras, que estava fechada com uma rolha e bebeu tudo. Ele jura que tinha algo na bebida. Do jeito que ele ficou, eu até acredito. PC panhou uma mina de primeiríssima que por acaso era quem vendia as cervejas. Aí...o preço baixou. Flock capturou do local uma Sharon Stone corpo inteiro, daquelas que ficam em bancas de jornal, e levou com ele abraçado até ela perder as pernas algumas horas mais tarde. Ele se vestiu de enfermeiro, com aquela roupa verde amarrada nas costas, máscara e tudo mais e saiu pela cidade gritando e falando alucinadamente. Fomos comer um famoso cachorro quente, o do Rosário. Por algum motivo ainda desconhecido, o PC sumia por tempos, todos os dias. Já tínhamos a piada interna do "Onde está o PC" e o Flock saiu correndo de braços abertos igual o Ronaldinho, gritando essa frase medonha, vestido de enfermeiro. Muito bom. É uma pena que não filmaram. PC foi achado sentado atrás de uma árvore da praça fazendo nada!!! De carro, indo para o Garagem Hermética, Flock soltou as piores frases de sua vida com certeza. A ruim da noite foi quando ele jogou uma garrafa de cerveja pela janela. Zé o dono do carro que até então se divertia, não gostou nadica de nada. Um mês depois, ele foi inocentado pelo verdadeiro culpado: o também pancado no dia, Vital. Como FF não se lembrava de nada, foi fácil para seu vil algoz colocar a culpa nele. E assim pessoas vão para o corredor da morte em países com tradições de insanidade. Quando chegamos ao posto de gasolina, onde estacionaríamos o carro, a melhor cena de todas. Flock abriu a porta e desabou no chão do posto. Como se estivesse em sua aconchegante cama, deitou de bruços, com a cara colada no concreto. Uma cena digna de abertura de um home vídeo. Só que demoraram a filmar e ele saiu correndo pela rua. Chegando ao Garagem, um providencial sofá instalado no canto da pista de dança, serviu para que Flock tirasse um soninho de 2 horas que o trouxe de volta à consciência e também me ajudou a recobrar forças. No final do merecido descanso, vimos o palco ser desmontado com uma rapidez absurda, de modo que não pudéssemos tocar. Lamentável. Tiramos fotos em frente aos cartazes com a galera de Santo Antônio e com quem estivesse por perto. Ficamos enrolando até fecharem a casa, já que nosso bus era só às 8 da manhã. Bom foi ver o Flock escalando o portão do lugar para poder aparecer do lado da placa com o nome da casa. De lá fomos tomar uma sopa e enrolar mais ainda. Nos despedimos da galera do No Rest, que mostrou que trabalha, e muito, para o crescimento de sua própria banda e de suas produções em Porto Alegre. Novamente, um quase desmaio completo até Curitiba. Apesar de que lembrei de estar na banca de jornais da rodoviária de Itajaí, ou de Caxias do Sul, não lembro, e ter um cara contando para uma mulher que nunca tinha visto antes que o irmão dele tinha se matado 3 dias antes. Bizarro. Já em Curitiba e familiarizados com a cena, esperamos por 2 horas na rodoviária pelo Felipe do Anões, que mesmo parecendo que estou reclamando, e não estou, foi novamente mega simpático nos buscando lá e nos levando até o Floresta, no show arrumado pelo já citado em algum lugar da viagem, Jr. dos Limbonautas. Fomos para o show, trocamos idéia com Piu do Resist Control, com Mauricião e Dudu do Pullover, e também com a nova geração do Banx, que fez um show bem legal. Pedimos para tocar na seqüência, antes dos Limbonautas e do No Milk Today, porque o Rodrigo dos Malditos Ácaros tinha ajeitado que poderíamos tocar no Café Beatnik na abertura de um show de Death, se chegássemos até meia-noite. Saímos fora, mas não deu tempo. Pelo menos vimos os shows do Insanity, quem se lembra do outro info, vai lembrar do baixista da banda, George, o cara de Fortaleza, da casa sem portas. Além deles vimos o Nervochaos, dos amigos Edu e Sidney, de São Paulo e um furacão da grosseria, o Disgorge da Califórnia. Os riffs mais velozes que já presenciei e a voz mais assustadora do século. Poderíamos ter fechado esse show, mas preferimos não tocar. Fechamos que tocaríamos no domingo no final da tarde e fomos novamente para a rodoviária local esperar umas 3 horas até o nosso ônibus para Guaramirim. Como são só 3 horas de viagem e o destino era uma outra cidade, pedi para o piloto nos acordar. Muito garoto, eu. Demos sorte que eu acordei uns 100 metros depois da rodoviária de Guaramirim. Ainda tivemos que andar com todo aquele peso de volta. Muito bom. Ainda tive que ouvir: "Ah, é mesmo. A rapaziada que ia ficar aqui." Três horas esperando na rodoviária até irmos para o Curupira. Perceberam que estávamos no RS, fomos para o Paraná e estamos de volta a SC? Lá no Curu, tomamos um banho, FF foi dormir na barraca do Edson - sem o dono por lá, é claro, PC foi ao médico e eu e Vital ficamos tomando algumas até as pessoas irem chegando aos borbotões. Estava rolando desde o dia anterior, o IV Encontro da Cultura Underground, com bandas de Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Naquele esquema, excursão com 40 loucos vindos do interior de São Paulo, já que tocaram o Acmme, Magüerbes e Astromato, carros de várias cidades, barracas, geral acampado, lama. Tatu, roadie dos Muzzarelas apareceu, Klebão e Daniel do Prole. Até uma van vinda de Porto Alegre e Canoas pousou por lá com o Canela da Wall Ride, o batera que esqueci o nome do Scream of Life e mais um povo. Curuwoostock total. Tocaríamos no domingo, que é o dia aberto pra quem estiver passando por perto e quiser mostrar serviço, inclusive não se cobra ingressos. Mas demos sorte, 3 bandas não foram e o Edson nos colocou no sábado mesmo. Assim pegamos mais público e poderíamos ir embora mais cedo para tocar em Curitiba no dia seguinte. O show foi muito bom também. Tínhamos levado as últimas 40 cópias do nosso CD para a viagem e depois desse show, só nos restou uma. Fantástico. Vale ressaltar que nesse dia vi um dos melhores shows do ano, senão o melhor. Madeixas, de Blumenau. Fantástico. Acabamos dormindo sentados no ônibus atolado da galera de Americana. Depois de 3 horas bizarras de sono, acordei às 8 da manhã com os pés congelados. Não tinha como não ficar doente. Levantei, fui dar uma volta e fiquei trocando uma idéia com os caras do Enzime. Depois de uma polêmica que durou mais de uma hora sobre ir no ônibus com o povo de São Paulo até Curitiba ou não, resolvemos almoçar e pegar o diretão para Curitiba. Não foi tão simples. Venderam a minha passagem para uma velhinha que falou que de lá não saía, e que se ela enfartasse, seria minha culpa. Mostrou os pés inchados e de lá não saiu. Resultado: Fui em pé até Joinville. Nada que eu não tenha feito antes, mas o caso é que paguei por aquele banco, né? Quando a simpática senhora ralou peito, desmaiei até Curitiba. Não vi nada novamente. Chegando na nossa velha conhecida, ligamos para o Lipe, mas nem sinal dele. Tentamos o Xande do Anões. Tacada certa. Ele tirou o pai do conforto do seu sofá de domigo para levar 4 sujinhos para o lugar do show. De lá, fomos procurar um boteco para passar o tempo. FF e PC acabaram comprando 25 CDs cada numas promoções supimpas. Vital foi menos voraz, só 5. Eu só preenchi o cupom para ganhar uma 29". Voltamos para o lugar do show, armamos nossa tenda e ficamos lá, vendo o circo pegar fogo. Todo mundo brigou entre si por causa de equipamento, uma galera foi embora, a bateria foi embora, os amplis foram embora e só ficamos nós, o Banx e os grilos. No final, por incrível que pareça, salvaram-se todos. A galera do Banx arrumou coisas do buraco negro do espaço e acabamos fazendo o show com guitarra e voz no mesmo ampli., entre outras. É da adversidade que se tiram os vitoriosos. Que frase horrível. Mas...35 pessoas viram o show, pediram bis e ainda vendemos o último CD pra um loirinho de dread. Além disso vendi outros 3 CDs e uma camisa da banda. Até que não foi de todo mal. Nos despedimos de geral, prometendo voltar com uma estrutura maior e de uma piada, conseguimos carona com o Rodrigo Ácaros. Só que o carro dele, não tem porta malas e na teoria da fábrica, só cabem 2 pessoas atrás. Um verdadeiro milagre ter entrado tudo. Chegando na rodô, o FF tinha visto o horário errado e de nada adiantou chegarmos cedo. Só tinha ônibus para São Paulo. Lá fomos nós. Chegamos em frente ao guichê paulistano as 6 e 24 da manhã. Tinha um bus pro Rio em 6 minutos. Foi correr e pegar esse mesmo, só acordando quase em casa. PC e Vital desceram na boquinha de suas casas na Dutra e eu e FF fomos para a Rodoviária. Ele para o trabalho e eu para casa, onde tomei um banho de 1 hora. Tava com o cabelo igual do Jimi Hendrix sem lavar 5 dias. Novamente saímos ilesos de mais uma viagem do rock. 12 shows, incontáveis cidades e amigos conquistados. No próximo CD, estaremos por aí novamente, quem sabe com uma estrutura maior, mais discos, mais camisetas, mais tudo. Espero não ter esquecido de alguém, nem dos pais de alguém que tenha nos ajudado. Vocês sabem quem são. Obrigado mais uma vez. |