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1 6 . 0 2 . 0 0 - t u d o c o m e ç a a q u i |
JORGE MAUTNER Trata-se de um autêntico disco de resgate. Pouco conhecido das gerações mais novas, Jorge Mautner é um dos malditos da música popular brasileira que, com outros trabalhos na área literária e cinematográfica, é influência reconhecida na produção de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Se para os mais velhos, O Ser da Tempestade pode ter gosto de lembrança, para os teens é mais uma peça importante para aqueles que procuram conhecer um pouco mais da MPB, em suas mais elaboradas produções. O álbum duplo é a comemoração de 40 anos de carreira do músico e compositor e, segundo Mautner, as músicas foram escolhidas de acordo com o que as gravadoras originais disponibilizaram. Assim, algumas canções ficaram fora - só porque, segundo as próprias majors , elas querem relançar mais tarde. Com dois CDs, o projeto proposto pela gravadora ao músico tem 28 canções. O primeiro tem os originais de 17 músicas na voz de Mautner. O segundo traz outros intérpretes em 11 faixas. O disco possui também um esmerado encarte, algo que merece destaque - pois as gravadoras insistem em desrespeitar os fãs com encartes mal feitos e pouco informativos. Este veio com todas as letras, fotos e textos de Mautner, Caetano e Gil. Só ficaram faltando mais informações sobre as gravações, já que estamos falando de passagens importantes de nossa história musical. No meio de um disco limpo e bem produzido, destoa do conjunto a crua "Não, Não, Não", primeira gravação de Mautner, que saiu em um compacto cujo show de lançamento contou com a participação do então desconhecido grupo Os Mutantes. O valor histórico desta música tem a ver também com a história da repressão militar, já que a faixa - juntamente com o lançamento do livro Vigarista Jovem - levou o autor ao exílio. A primeiro metade é toda permeada pelo bom humor de Mautner em canções como "Rock Comendo Cereja", "Samba dos Animais". Mas deixa a brincadeira um pouco de lado em letras como a de "Pedra Bruta" ou "Não, Não, Não". O outro disco abre com a versão de Gilberto Gil para "Maracatu Atômico" e termina com a gravação que Chico Science & Nação Zumbi fizeram da mesma música. Ouvir as duas interpretações só reafirma a força da leitura feita por Chico, como um bom exemplo de influência benévola - o artista não se deixa engolir pela genialidade do criador, consegue criar outra obra com a mesma intensidade e sem dever nada ao original. Este disco tem ainda a bela interpretação de "Lenda do Pégaso" (Moraes Moreira) e "Lágrimas Negras" (Gal Costa), além da força do sotaque de Zé Ramalho em "Orquídea Negra". AnoZero - Foi você quem escolheu o repertório? AnoZero - Entre as gravações está o primeiro
fonograma que você gravou "Não, não, não", que acabou contribuindo para o
exílio... AnoZero - Qual o seu balanço desses 40 anos de
carreira,? Você está satisfeito? AnoZero - E outros projetos? |
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