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MORRISSEY A notícia caiu feito uma bomba: Morrissey cantaria no Brasil a partir do dia 1º de abril. A data parecia brincadeira, justo no dia internacional da mentira. E Stephen Patrick Morrissey, considerado por muitos como o maior inglês vivo, aterrissa no Brasil (no meio do caminho o privilégio de ver o cara pela primeira sobrou para Porto Alegre, que teve um show agendado de última hora para hoje à noite) para fazer cinco apresentações da turnê Oye Esteban. São quase vinte anos de angustiada espera. Depois de vãs esperanças de ver os Smiths no país durante os cinco anos de existência da banda, os fãs arrebatados desde então perderam um pouco as esperanças de ter por aqui o vocalista em carreira solo. Tudo sempre pareceu tão distante, ainda mais se for levado em conta que muita gente que curtia a banda de Manchester durante os anos 80 acha - mesmo que erroneamente - as produções posteriores de Morrissey sem o mesmo brilho. Para ter uma idéia da grande importância deste show basta comparar Morrissey aos Beatles. Não no som, claro, pois há muitas diferenças. Entretanto, depois da banda de Liverpool, somente Moz - solo ou com os Smiths - conseguiu provocar níveis absurdos de comoção. Depois de quase duas décadas de carreira, a história permanece inalterada: a histeria é coletiva por onde o vocalista passa. Os fãs de Moz sempre foram um capítulo à parte. Juram fidelidade ao vocalista, sobretudo por sempre se identificar com os versos escritos por ele. As letras, arrebatas explosões confessionais, são capazes de provocar os mais diversos sentimentos, da paixão à raiva, do choro ao desespero. O absurdo é que quase sempre levam ao descontrole emocional - o mesmo que faz as pessoas parecerem animais brigando por um prato de comida ao dispuarem a tapas retalhos das camisas que o vocalista joga para a platéia. A mágica de Moz se estende ao imaginário recheado de referências cinematográficas (sobretudo nas capas dos álbuns e singles, habitadas pelos mais diversos atores e atrizes) e à aura mítica formada em torno da persona do vocalista. Moz raramente dá entrevistas. Justifica que tudo o que precisa ser dito aos fãs ele diz no palco ou nas músicas. Sua vida pessoal é um mistério. Embora muitos lhe atribuam uma suposta homossexualidade, nunca houve qualquer comentário de que Morrissey tivesse sido visto com alguém. A opção pela reclusão também se estende às turnês, quando o artista só sai do quarto para se dirigir ao local do show. Seu ativismo vegetariano também pode ser ponto de partida para muitas discussões - além de não fumar e beber, o vocalista proíbe que em seus shows sejam vendidos alimentos que contenham qualquer tipo de carne ou derivados. Esta não é a única exigência de Morrissey para suas turnês. O vocalista proíbe a entrada de espectadores com a camisa do time de futebol Manchester United (o mais popular de sua cidade), pede uma limosine idêntica àquelas dos filmes e um camarim especial, com pouca liz, velas, tapetes, frutas, sucos, vegetais, bebidas energéticas, barras de cereais, água mineral e chá preto inglês. Para os fãs mais apaixonados, a turnê ainda desembarcará para vender materiais promocionais, de camisetas a fronhas com a estampa do cantor. Serviço. Show com Morrissey. Hoje, dia 31 de março, em Porto Alegre (Bar Opinião). Dias 1º de abril em Curitiba (Forum), 3 e 4 em São Paulo (Olympia) e 5 no Rio de Janeiro (ATL Hall) REPERTÓRIO? Estas são as músicas que Morrissey incluiu em alguns de seus shows mais recentes. Para as apresentações no Brasil o vocalista pode ainda preparar algumas surpresas, como antigas músicas dos Smiths hoje executadas apenas durante as passagens de som. "A Swallow On My Neck" TODO MORRISSEY SMITHS The Smiths (1983): A Terra treme. O disco de estréia dos Smiths é de um impacto inimaginável. Se este álbum tivesse apenas duas músicas, a aterrorizante "Suffer Little Children" e a canção de ninar "The Hand That Rocks The Cradle", já seria o melhor disco de estréia de uma banda na história do rock. Mas ainda tem mais: "Hand In Glove", "Reel Around The Fountain", "What Difference Does It Make?". Não é à toa que a imediatista imprensa inglesa até hoje procura desesperadamente por novos Smiths... Meat Is Murder (1984): O primeiro grande sucesso comercial dos Smiths é um disco ao mesmo tempo mais leve e mais político que o anterior. A melhor música é "Well I Wonder" e, mesmo não sendo vegetariano, você vai se emocionar com "Meat Is Murder" (que Morrissey pode cantar nos shows). Hatful Of Hollow (1985): Misto de sobras de estúdio e novos lançamentos, este disco inicia uma das manias recorrentes em toda a carreira de Morrissey: a inserção de músicas que já haviam sido lançadas em álbuns e compactos anteriores. Os destaques são dois riffs inesquecíveis de Johnny Marr: "How Soon Is Now?" (presente na lista de melhores músicas de todos os tempos de muito grunge e metaleiro) e "This Charming Man". Os fãs mais sensíveis (puxa vida...) vão preferir "Please Please Let Me Get What I Want" e "Girl Afraid". The Queen Is Dead (1986): Eleito recentemente o melhor de todos os tempos por críticos ingleses, este é um álbum exuberante, virulento, debochado. "I Know It's Over" é possivelmente a música mais emocionante de todos os tempos. E ainda tem clássicos como "There Is A Light That Never Goes Out", "Bighmouth Strikes Again", "The Boy With The Thorn In His Side". The World Won't Listen (1987): Coletânea com muitas músicas que aparecem em outros álbuns. Aliás, se você tem os outros álbuns dos Smiths, não precisa deste. A não ser, é claro, que você queira ouvir o Johnny Marr tocando na instrumental "Money Changes Everything". Louder Than Bombs (1987): Esta coletânea é quase uma cópia de Hatful Of Hollow e The World Won't Listen mas tem mais músicas que ambos. Da beleza de "Half a Person", "Rubber Ring", "Asleep" à alegria de "Sheila Take A Bow", passando pelo deboche de "Sweet And tender Hooligan", este é o melhor conjunto de músicas em disco dos Smiths. Strangeways, Here We Come (1987): O último álbum dos Smiths tem uma sonoridade completamente diferente dos anteriores - é mais parecido com a carreira solo de Morrissey. A maravilhosa "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" tem sido executada recentemente nos shows do vocalista e "Death Of A Disco Dancer" tem um tema que você nunca mais vai esquecer. Rank (1988): Disco ao vivo lançado depois do fim dos Smiths. Algumas canções, como "The Queen Is Dead" e "London", são executadas com bem mais peso que nas versões ao vivo. The Best Of Smiths - vol. 1 e 2 (1992): Estas duas compilações ainda podem ser encontradas em praticamente qualquer loja de discos. Você não tem nada dos Smiths? O que você está esperando? Vá correndo comprar, começando pelo que há de melhor! Singles (1995): Coletânea com todos os lados A dos singles dos Smiths. Não precisa falar mais nada. SOLO Viva Hate (1988): Disco de grande sucesso comercial, lançado pouco após o fim dos Smiths. Impressiona pela grande variedade musical. "Everyday Is Like Sunday", "Break Uup The Family" e "Angel, Angel, Down We Go Toghether" são os maiores destaques. Há três anos este mesmo álbum foi reeditado com capa diferente e oito faixas inéditas a mais. Bona Drag (1990): Meio coletânea, meio novo
lançamento, este álbum marcou o início de uma tempestuosa relação de Morrissey com a
crítica, ávida por mais discos dos Smiths. Embora com alguns pontos fracos, traz grandes
canções. Entre elas "November Spawned A Monster", "The Last Of Kill Uncle (1991): Lento e amargo, este é o álbum do Morrissey mais desprezado pela crítica. Realmente é meio "esquisito" nas primeiras audições, mas cresce e muito em qualidade com o tempo. "Mute Witness", "The Harsh Truth Of The Camera Eye", "There's A Place In Hell For Me And My Friends" estão entre as melhores músicas da carreira solo de Morrissey. Your Arsenal (1992): Com canções pungentes ("I Know It's Gonna Happen Someday", "Seasick, Yet Still Docked") e pesadas ("We hate When Our Friends Become Successfull", "You're Gonna Need Someone On Your Side"), este trabalho significou um renascimento para Morrissey, tanto em termos de crítica como de público (nenhum outro disco da carreira do cantor havia vendido tanto nos Estados Unidos, incluindo aí os álbuns com os Smiths). Beethoven Was Deaf (1993): Ao vivo, baseado em Your Arsenal. Algumas canções, como "We'll Let You Know", "He Knows I'd Love To See Him" e "National Front Disco" estão melhores aqui do que nas versões de estúdio. Vauxhall And I (1994): Brilhante em todos os sentidos, este álbum é considerado por muitos o melhor disco da carreira solo de Morrissey. Mais lento que Your Arsenal, Vauxhall And I tem tanto letras extraordinárias ("Lifeguard Sleeping, Girl Drowning", "Why Don't You Find For Yourself") quanto melodias inspiradas ("Now My Heart Is Full", "THe More You Ignore Me, The Closer I Get", "Speedway"). World Of Morrissey (1995): Mais uma daquelas coletâneas com diversas músicas que já apareceram em outros discos. Mas tem a primeira versão em álbum de "Boxers". Já basta. Southpaw Grammar (1995): Ao contrário do inédito anterior, este disco é pesado, agressivo e, por vezes, irritante, como naquele longo solo de bateria no início de "The Operation". Mas se estamos falando de Morrissey, logo esperamos por obras-primas! E elas são "Reader Meet Author", "The Teachers Are Afraid Of The Pupils", "Best Friend On The Payroll". Maladjusted (1997): O mais recente álbum de estúdio de Morrissey é bastante irregular, com maravilhas (como a faixa-título e "Trouble Loves Me") e faixas fracas. "Ambitious Outsiders" deve ser a pior música da carreira do bardo inglês. The Best Of Morrissey (1997): Coletânea com os maiores sucessos da carreira solo do cantor, e com algumas canções que não haviam saído anteriormente em álbuns. Como "Interlude", dueto com Siouxsie Sioux. My Early Burglary Years (1998): A expectativa era de uma coletânea apenas de b sides, mas acabou saindo, como sempre, com relançamentos de faixas que apareceram em outros álbuns ("The boy racer" e a versão ao vivo de "Jack The Ripper"). Com músicas emocionantes como "I'd Love To", "Girl Least Likely To" e "Swallow On My Neck", este é o álbum que levaria para uma ilha deserta, se pudesse levar apenas um. LADOS B Os Smiths não lançaram em álbuns grandes canções como"Jeanne" e "I Keep Mmine Hidden". Na carreira solo de Morrissey, a coisa se torna ainda mais incompreensível. É impossível alguém adivinhar por que alguém põe em lados B canções como "Lost" (uma das músicas mais bonitas de todos os tempos), "I Know Very Well Where I Got My Name" e a versão de estúdio de "Jack The Ripper". |
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