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TOM BLOCH
Alexandre Matias

Apesar do Bidê ou Balde ser o provável próximo nome a sair de Porto Alegre (devido ao contrato fechado entre a gravadora Abril e o selo gaúcho Antídoto), o Tom Bloch tem mais potencial. Enquanto o primeiro grupo se escora num hit grudento (Melissa, que já é sucesso local), o segundo tem qualidade, potencial pop e talento à flor da pele.

Basta pegar o primeiro disco do grupo, o belíssimo CD Demo Deluxe, lançado pela própria banda. Com capinha de papelão e design limpo e discreto, o disco mostra que o Tom Bloch não está aí pra brincadeira. Mas a surpresa do tratamento visual fica em segundo plano quando a música começa a tocar. Falando de amor sem deixar o romantismo explícito (optando por relações imperfeitas, casos acabados e paixões platônicas), as letras - todas em português - colam no ouvido com o mesmo impacto da música. E apesar de afirmarem que o único consenso dentro da banda é o gosto pelos Pixies, é o Weezer quem surge como principal referência na banda.

Mas não espere um Weezer abrasileirado. Longe disso: o Tom Bloch tem personalidade suficiente para não precisar de comparações. A banda de Reeves Cuomo surge como analogia pelo potencial pop de canções teoricamente tímidas tratadas com o peso e a força de uma  grande banda de rock. Mas enquanto o Weezer se baseia no big rock de bandas de hard pop/rock (como Cheap Trick e Squeeze), o Tom Bloch busca referências modernas - cortesia do produtor Charles Di Pinto, não por acaso o ponto de partida da banda.

O Tom Bloch começou depois que o vocalista Pedro Veríssimo (neto do escritor Érico Veríssimo) foi brincar no estúdio de Charles e começou a criar músicas sem segundas intenções. Mas o resultado foi ficando bom e logo a banda foi reunida - Gustavo "Mini" Bittencourt (dos Walverdes) foi chamado paras as guitarras e Guilherme Sapo assumiu o baixo. Mini deixou a banda quando viu que ela poderia interferir em seus projetos centrais, abrindo espaço para os guitarristas Iuri Freiberger e Juliano Faerman e para o baterista Juliano Rossato.

O resultado da brincadeira é o CD Demo Deluxe. Com seis músicas perfeitinhas, o disco transcorre a distância entre o pop e o rock com gosto e criatividade, Pela Ciência ("Quando terei outra chance de entrar na sua órbita?") e Carbonos Perfeitos fazem analogias entre ficção-científica e amor. Nossa Senhora (que tem um clipe impressionante no site http://www.tombloch.com) e Ontem brincam com instrumentos sci-fi para cantar os mesmos temas de amor. Os melhores momentos do disco são a balada Difícil Reconhecer e o rock Poderia Ser Eu. Alô gravadoras, olhem para esses caras. Peça seu disco - e rápido - para a própria banda pelo correio (Rua Felipe de Oliveira, 1415. Porto Alegre-RS. CEP 90630-000), pelo telefone (051-331-4164) ou email (tombloch@uol.com.br).

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