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WANDER WILDNER Depois de ter estado frente a frente com a morte, de ter magoado muitas pessoas entre as quais as que mais lhe importavam, Wander Wildner, o bardo sulista, o legítimo rocker brasileiro, o punk brega, aportou na capital paulista para uma ode, uma orgia, ou simplesmente uma genuína dose cavalar de rock'n'roll. Encurralado num canto de uma sala do Borracharia - pra quem não conhece, sem palco, no chão, cara-a-cara com a platéia - Wander e uma banda básica (guitarra, baixo e bateria) conjugou energia, ferocidade, eficiência e autenticidade num boteco minúsculo, resgatando a magia e o êxtase de um CBGB ou Cavern Club. Somente a presença ensandecida daquele que comeu muita poeira na estrada do rock poderia trazer de volta a redenção e a comunhão de idéias e sentimentos - entre banda e platéia - ao rock brasileiro, vulgarmente banalizado pela indústria, aliada com a fonte criativa rareando. Em pleno ano 2000, com a evolução da música, tanto intrinseca, como mercadológica, parece delíro nostálgico buscar no rock o refúgio, a explicação, a arma, a benção, a fuga e o meu e o seu alimento energético para a alma. Wander Wildner rompeu a barreira do cinismo, da pose e das cifras com rocks simples e autenticidade de princípios, cometendo um verdadeiro concerto punk como há tempos não se via. Sem firulas ou pirulitos. Aliando pérolas do já clássico Baladas Sangrentas com o segundo trabalho solo, Buenos Dias, Wildner e banda esbanjou punch num show de rock acima de tudo, divertido - principalmente pelas hilárias intervenções entre as músicas faladas no castelhano "wildeneriano". Merecem destaque, entre tantas, uma cover demoníaca de Candy do Iggy Pop, uma versão engraçadíssima de Used to love Jer do Guns 'n 'Roses com a introdução de Sweet Child O Mine dos próprios e a inédita e espetacular Eu não consigo ser feliz o tempo inteiro. Wander, ainda, encarnou um Pe. Marcelo hardcore no clássico gaúcho Jesus Voltará, tocou ferozmente a "cover do Ira!" Bebendo Vinho e encerrou com aquela que é a própria essência do punk brega, Lonely Boy. O ponto baixo foi o pouco número de pessoas que foram prestigiar o show. Estavam alí uns poucos amantes do rock, alguns punks remanescentes, a pin up Luciene Adami, o véio Miranda e membros de algumas bandas. Não se viu nenhum dos habitués da casa, que é basicamente formada por britkids e membros de bandas indie - leia-se decalque de rock inglês + Pavement e Sonic Youth. Foi uma pena,pois deixaram de presenciar uma veemente apresentação de um genuíno roqueiro que condensou numa única noite: rebeldia, ironia, peito, inventividade, energia e o que é melhor, risco. Elementos,estes, que são a essência do rock e andam escassas na cena nacional, seja "indie" ou "major". |
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