A.A.U.-E.: ORGANIZAÇÃO UNITÁRIA CONTRA A DIVISÃO ENTRE LUTA POLÍTICA E ECONÔMICA

Diego Negri

A A.A.U.-E. (Allgemeine Arbeiter Union-Einheitsorganization = União Geral dos Trabalhadores – Organização Unitária) formou-se em outubro de 1921, na Alemanha, num contexto social conturbado pelas lutas e greves selvagens. Nos inícios da década de 1920, o sindicalismo alemão (controlado pelos sociais democratas) foi ultrapassado por uma nova prática organizativa: os conselhos operários. Nesta estrutura, os trabalhadores formulavam imediatamente o problema da gestão operária da economia. A social democracia recupera estes conselhos, transformando-os em estrutura de co-gestão entre patrões e operários, mas a potencialidade revolucionária destas estruturas permanece relevante.
A A.A.U.-E. era uma das três principais correntes da esquerda comunista alemã, as outras duas eram o K.A.P.D. e a A.A.U.D. (1). Juntamente com o restante da esquerda comunista alemã, a A.A.U.-E. julgava que a sociedade havia mudado com relação ao século XIX, quando o proletariado formava só uma restrita minoria da sociedade e, então, devia inevitavelmente aliar-se com outras classes. Esse tempo havia passado, o proletariado - ao menos nos países desenvolvidos do ocidente - constituía agora a maioria da população, portanto acontecera uma nítida separação entre burguesia e proletariado, polarizando os respectivos interesses. A revolução estava na ordem do dia (basta recordar as análises sobre a ruína do capitalismo, elaboradas nos anos 20 e 30). Esta mudança social alterava também a concepção do movimento comunista. O movimento comunista era a ação autônoma dos operários, que se auto-organizavam em conselhos contra as estruturas burguesas e/ou de mediação: o sindicalismo e a luta parlamentar. Enquanto o K.A.P.D. e a A.A.U.D. mantinham intacta a divisão entre política e economia (partido e sindicato), a A.A.U.-E. pensava numa superação deste dualismo. Queria edificar uma grande organização unitária cujas tarefas seriam conduzir a luta prática dirigida pelas massas e, mais tarde, assumir a gestão da sociedade baseada no sistema dos conselhos operários. A A.A.U.-E. era contra os partidos porque nenhum deles podia substituir o proletariado, e este deveria superar por si mesmo suas deficiências. Embora muito semelhante à I.W.W. (Industrial Workers of the World: Trabalhadores Industriais do Mundo, organização sindicalista revolucionária), organizando os operários por empresa e não por categoria, era diferente dela porque considerava necessário um poder político especificamente operário. Apesar das diferenças de posição política geral, uma parte do movimento anarco-sindicalista alemão (muito numeroso na época) colaborou com a A.A.U.-E. nas lutas, influenciou-a e foi influenciado por ela.
O antiautoritarismo e a democracia direta operária eram a base da organização. Todavia, esta experiência duraria pouco (até 1923), sendo destroçada pela repressão social-democrata e por uma avaliação equivocada da fase social (a suposta ruína do capitalismo que tornava iminente a saída revolucionária). Foi uma das primeiras organizações de esquerda a condenar o bolchevismo, denunciando-o como sistema econômico burguês e contra-revolucionário. As elaborações teóricas da A.A.U.-E. se encontram principalmente na revista Die Aktion e nos opúsculos de Otto Ruhle, o maior teórico alemão do comunismo de conselhos. Pannekoek (2), embora tenha se mantido afastado de qualquer organização depois de 1920, demonstrou sua afinidade com a A.A.U.-E. escrevendo: “A idéia de que devam existir duas diferentes organizações de operários é falsa.” Esta concepção organizativa unitária será retomada durante as lutas surgidas em 1968 e 1977, negando porém os aspectos gestionários e produtivistas de tal modelo.

LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA A A.A.U.-E. ( extraídas de Die Aktion n. 41/42 – 1921)
TESES: (3)



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