Coletivo no movimento comunista (Kolinko: Kollektiv in kommunistischer Bewegung), Vale do Ruhr, Alemanha. Dezembro, 1999

Onde está a tendência revolucionária na atual realidade de classes?

Proposta de pesquisa coletiva dos Call Centers

Estimados companheiros:

Estamos propondo uma pesquisa coletiva dos métodos de exploração nos call-centers, como contribuição para um debate geral sobre os objetivos e as tarefas dos revolucionários. Esperamos que nos enviem suas críticas a nossas perguntas e teses, e que apóiem nossa investigação, buscando informações e fazendo contatos em sua região.
Na primeira parte desta carta, expomos resumidamente nossos pontos de partida; na segunda, esclarecemos por que começamos uma pesquisa sobre os call centers em nossa região. Na terceira parte, encontram-se nossas perguntas iniciais e as primeiras teses; na quarta, apresentamos recomendações para o desenvolvimento posterior da discussão e a troca de experiências.

1) Apresentação do "Coletivo no movimento comunista" (Kolinko)

Queremos acabar com o capitalismo, porque reduz nossas vidas à mera rotina de trabalho e escassez; porque a riqueza que produzimos só serve para multiplicar o Capital e aumentar nossa pobreza; porque o desenvolvimento das formas de sociabilidade e das possibilidades técnicas não liberta do trabalho miserável, mas significa a intensificação da exploração e da crise.

Se quisermos contribuir para a superação do atual bloqueio da luta de classes mundial, devemos buscar as possibilidades materiais de libertação na circulação diária dos explorados no interior do processo de produção capitalista. A partir das cadeias de produção em contínua expansão mundial, da migração dos trabalhadores e da circulação de seus conhecimentos, da nova organização do trabalho, surgem a fúria, o poder e o processo de organização de uma nova composição de classe. É aí, nesse lugar, e não nos programas das organizações políticas, onde se desenvolve o comunismo enquanto movimento.

Não queremos organizar os trabalhadores dos call-centers em sindicatos, nem criar novas formas de representação e intermediação. Buscamos as tendências revolucionárias, o poder operário e a necessidade do comunismo. Queremos impulsionar as forças de auto-organização e autolibertação, é por isso que atuamos de maneira coletiva ainda dentro da exploração – alguns de nós trabalham atualmente em call-centers – e propomos esta pesquisa.

2) Por que pesquisamos os call-centers?

Políticos, capitalistas e dirigentes sindicais concordam que o auge dos serviços e as novas tecnologias de informação podem agravar a crise do capitalismo. Um ponto central é a expansão do setor de processamento eletrônico de informática, através da telefonia e das redes de dados. Através do exemplo dos call-centers, eles discutem as perspectivas da exploração do trabalho. Segundo os ideólogos do Capital, os call-centers devem assumir, dada a sua flexibilidade, um papel destacado como exemplo de "trabalho moderno". Os representantes do estado exaltam a capacidade dos call-centers de gerar empregos para gente que de outra maneira teria poucas possibilidades no mercado de trabalho. Os sociólogos burgueses citam os call-centers como um paradigma das novas formas de trabalho, numa "sociedade de informação e serviços".
Os sindicatos criticam os call-centers como um devorador improdutivo de subvenções ou um incentivo à precarização das relações de trabalho, sem regulamentação de tarifas. Os sindicatos tentam aumentar sua capacidade organizativa para situar-se nesse terreno e compensar sua crise de representatividade em outros setores, introduzindo e/ou defendendo os "progressos conquistados nos acordos salariais".
Cada qual, segundo seus interesses, produz um novo mito, necessário para fundamentar sua esperança de mudanças no interior das instituições do capitalismo.
Temos que destruir os mitos capitalistas para pesquisar as tendências reais de exploração escondidas atrás deles. Há que esclarecer, com o exemplo do desenvolvimento da tecnologia da informação, que o Capital não possui nenhum poder inovador. Portanto, o Capital nos confronta, enquanto poder, porque (e na medida em que) não reconhecemos que nós mesmos, através de nossa crescente cooperação social, desenvolvemos as forças produtivas e não o Capital.
Sublinhamos que a crescente produtividade não representa nenhuma saída para crise capitalista, mas a recria e intensifica ainda mais. O Capital (como volume de valores) pode se multiplicar unicamente por meio da desvalorização do trabalho vivo. Os "progressos" da tecnologia informática, o aumento da produtividade e com isso a diminuição do quantum de trabalho vivo significam, para nós, empregos de merda em call-centers ou em montagem de placas de circuito impresso, por exemplo.
Começamos a investigação dos call-centers porque representam uma nova aglomeração de trabalhadores sob condições diferentes, uma nova organização do trabalho, e, portanto, um ponto de aglutinação das lutas de um novo tipo de trabalhador. Esse novo setor já absorve a força de trabalho jovem de nossa região, como nenhum outro. Sabemos, também, que são montados muitos call-centers em outras regiões da Europa e que, de Dublin a Lisboa, os trabalhadores estão acumulando experiências semelhantes. Vemos aqui a possibilidade de pesquisar o desenvolvimento desse fenômeno, em nível europeu e até mundial, no que poderia ser o primeiro passo para compreender totalmente a nova composição da classe operária.
Queremos tratar conjuntamente da questão da existência, por trás da configuração de um novo tipo de trabalhador, de uma tendência mais profunda no desenvolvimento capitalista e da possibilidade do comunismo.

3) Perguntas e teses da pesquisa

Uma pesquisa revolucionária deve abranger vários níveis, começando pela análise das leis do movimento e das contradições do capitalismo. É preciso aguçar nossa visão, para que atravessemos a vastidão de materiais, estatísticas e propaganda da administração dos call-centers, e façamos a experiência de ser uma espécie de máquina de resposta telefônica de carne e osso dos call-centers. Desse modo, nossas entrevistas com outros trabalhadores de call-centers partirão das perguntas no sentido da produção de uma subjetividade do trabalhador, um processo no qual averiguaremos as linhas diretrizes de uma intervenção revolucionária.
A seguir, apresentamos uma série de teses e questões sobre as quais fundaremos as pesquisas e que deve servir como estímulo para futuras contribuições:
a) Ciclo de acumulação
Qual é o significado dos call-centers no ciclo de acumulação total do capital? A posição e a função dos call-centers dentro do processo de acumulação é decisiva para uma distinção qualitativa de cada um dos call-centers. Se os call-centers aceleram a rotação de capital, de dinheiro e de mercadoria, contrapõem-se à tendência de queda da taxa de lucros? Outros call-centers ocupam diretamente, enquanto intermediários da organização de materiais e dos transportes, uma parte integrante na logística do sistema produtivo. Qual a repercussão da permanência do antigo aparato de planificação do Capital nessas atividades de coordenação no sistema geral de produção, na composição [ Zussammensetzung ] e nas condições dos trabalhadores?
Contra o mito de um "capital de informação" livre da crise, devemos perguntar se os call-centers não são uma expressão da crise do Capital que, forçado pela crescente produtividade e pela composição de classe do proletariado nas fábricas, tem de reestruturar os setores "improdutivos" (em que sua composição orgânica é menor).
Perguntamos, também, se os call-centers são apenas máquinas de trabalho subvencionadas estatalmente dentro de regiões desindustrializadas. Como podem se manter dessa maneira, sem gerar lucros próprios e sem significado histórico para acumulação do Capital?
É importante discutir com outros trabalhadores a posição dos call-centers no desenvolvimento capitalista, para mostrar que sua existência não é o resultado de nenhum processo "natural", mas representa uma forma de produção particularmente exploradora e contraditória. A função que os call-centers desempenham no processo de acumulação fornece algumas coordenadas para um possível desdobramento do poder dos trabalhadores!
b) região
Obviamente, o Capital concentra os call-centers em determinadas regiões. Quais são as estratégias do Capital e do estado que estão por trás disso? Os call-centers atuam como uma máquina de rotação para a qual é enviada toda uma massa de estudantes, donas de casa, desempregados, jovens trabalhadores e empregados em condições "precárias". Como repercute essa mobilização no mercado de trabalho da região?
Quais são os fundamentos materiais (excluindo as subvenções estatais) para a concentração de call-centers em certas regiões? A existência de determinados setores que dependem da comunicação flexível e interconectada pode ser um fundamento, como a existência de um proletariado dos call-centers, que introduz no processo de trabalho determinadas qualificações para serem exploradas. Que significa a concentração dos call-centers em algumas regiões, como a Irlanda?
Para nós, é particularmente interessante verificar se acontecem desenvolvimentos paralelos na luta de classes e se existe uma circulação de experiências dos trabalhadores que nós poderíamos apoiar.
c) Composição do capital
Há conexão entre o deslocamento e reconcentração de alguns "trabalhos de oficina", nos call-centers, e um deslocamento da composição técnica do capital? Houve uma mudança substancial na relação entre o capital constante (máquinas, edifícios etc.) e o capital variável (força de trabalho)? Em que setores e ramos os call-centers cumprem uma função "racionalizadora"? Uma tese inicial seria a de que a formação dos call-centers representa uma fase de transição de um ataque global de restruturação e recomposição [Neuzusammensetzung] contra os trabalhadores (racionalização da atenção do cliente, "taylorização" do trabalho de oficina, ataque às garantias salariais dos trabalhadores das filiais, ataque à sua qualificação, conversão ao comércio eletrônico).
d) Composição técnica de classe
Numa observação imediata, constata-se que nos call-centers se exploram, freqüentemente por curtos períodos de tempo, em primeiro lugar a força de trabalho das mulheres, flexível e móvel. Para o Capital, é difícil situar essa força de trabalho, a que aderem as necessárias atitudes sociais (capacidade de comunicação e de suportar tensões), dentro de uma qualificação formal.
Até onde chegam nossas experiências, a própria administração capitalista não sabe exatamente como poderia organizar o complexo desenvolvimento dos call-centers; nisso, depende de que os trabalhadores se autoqualifiquem durante o ritmo de trabalho. A administração pode se apropriar desse conhecimento dos trabalhadores e confrontá-los com uma nova imagem da ocupação, como se proviesse de seu próprio saber? Habitualmente, reconhece-se que a qualificação dos trabalhadores bancários e administrativos dos call-centers é novamente padronizada, o que é muito fácil, considerando a distribuição de informação pelos meios técnicos dos call-centers. Dessa maneira diminui o tempo de aprendizagem, acelerando a rotação do trabalho, o que acarreta uma crescente "proletarização" dos empregados.
Na maioria dos call-centers, não se exige nenhuma "qualificação especial". Na seção de recepção de pedidos, trabalham em sua maioria mulheres, por salários miseráveis. Em outras, trabalham técnicos, em sua maioria homens, que respondem, por exemplo, a complexas perguntas sobre a programação de computadores. Aqui se mantêm a divisão sexual do trabalho, ainda que em muitos call-centers aparentemente a tendência é suprimi-la.
Devemos investigar se essa variedade de condições admite um comportamento comum dos explorados. Onde e como se desenvolveriam novas possibilidades para uma luta comum?
e) Organização do trabalho
1 – Concentração
Nos call-centers não ocorre a tão comumente chamada "atomização" espacial do trabalho pela tecnologia. Muito pelo contrário, criam-se novas aglomerações de trabalhadores. Devemos investigar por que o Capital aposta nessas aglomerações, apesar de saber os perigos que traz. A pergunta é se a concentração dos trabalhadores implica uma diminuição no gasto de capital constante. Porém, o importante é saber se o Capital avalia que a possível cooperação (informal) dos trabalhadores é uma maneira mais produtiva para sustentar o aparato técnico e o ritmo de trabalho do que utilizar uma força de trabalho espacialmente isolada.
2 – Divisão do trabalho e cooperação
Os trabalhadores dos call-centers são parte de um processo de divisão do trabalho que ultrapassa a sua função nos call-centers (não só falar com clientes, mas, por exemplo, recompilar e entregar informação ou organizar o transporte de material de trabalho)?
Dentro do call-centers existe divisão de trabalho e cooperação? Como se organiza? Aqui, deve-se distinguir entre uma cooperação "oficial", segundo as normas de trabalho, e uma "informal" (improvisada), organizada pelos próprios trabalhadores.
Essas perguntas são importantes, pois remetem à dependência do Capital da força de trabalho e dão a chave para o poder numa possível organização das lutas dos trabalhadores.
3 – Maquinário
Os sistemas de comunicação e telefonia formam parte da maquinaria capitalista?
Qualquer trabalhador dos call-centers pode confirmar que os meios de trabalho são ao mesmo tempo meios de controle de seu trabalho, que as chamadas são controladas e processadas estatisticamente. Os meios cumprem uma função de intermediação entre as atividades dos trabalhadores e os confrontam assim com uma forma de poder do capital?
Como se dá a apropriação do conhecimento pelo Capital, no aperfeiçoamento do maquinário? Em muitos call-centers, o trabalhador funciona como conexão viva entre o telefone e um sistema computacional.
Pode-se pensar que ele seja substituível com o desenvolvimento da internet e da simulação da fala pelos computadores?
Devemos investigar, enquanto revolucionários, como os empregados podem utilizar suas ferramentas de trabalho para conseguir um certo controle sobre os processo de trabalho e quais são as possibilidades de se apropriar desse meio de produção como arma e meio de organização (por exemplo, a intranet, como um "comitê virtual de greve").
4 –Hierarquia
À primeira vista, dada a escassa diferença de qualificação e de divisão de trabalho, existiriam poucas possibilidades de hierarquias dentro dos call-centers. Que possibilidade tem o Capital de impor uma hierarquia para produzir tanto uma segmentação como um anzol para o ascensão salarial de seus trabalhadores? (Por exemplo, a diferenciação pelo tempo de permanência na empresa, diferença em suas relações legais, em modelos de trabalho – tais como meia jornada ou jornada completa – e as diferenciações salariais correspondentes). A hierarquia nas fábricas se justifica pelo processo de trabalho e a necessidade de organizá-lo. Como se justifica a hierarquia nos call-centers? Que tipos de funções "produtivas" ou de controle assume? Que papel desempenham os comitês das empresas e os sindicatos dentro das hierarquias capitalistas? Que interesses e dificuldades encontram na organização de uma força de trabalho, que, por sua mobilidade, não pode ser representada tão facilmente mediante estruturas sindicais ou profissionais?
Não é de se estranhar que a mobilização sindical nos call-centers se dê sob a aparência de um movimento de base e que por isso se torne (ou deva se tornar) uma "organização de trabalhadores".
5 – Horário e salário
Os call-centers são considerados também como um campo de experimentação para modelos de horários de trabalho e de salários. Através dos call-centers, expandem-se mesmo no setor dos "funcionários" os turnos de trabalho e o serviço em dias de feriados. A padronização do processo de trabalho e, com isso, a possibilidade de medição do rendimento individual, preparam o caminho para a introdução, no trabalho de escritórios, de um salário por empreitada semelhante ao das fábricas. Sabemos que, nesse particular, existem conflitos entre os trabalhadores e a direção que devemos pesquisar criticamente. No setor dos call-centers dos bancos, por exemplo, as exigências de salários foram seguidas pela introdução de salários proporcionais ao rendimento e a implementação regular de testes para medi-lo. Através dessa estratégia, impôs-se uma hierarquia de salários até então inexistente.
f) Formas de trabalho e produto
Que tipo de trabalho um trabalhador de call-centers executa? Que tipo de responsabilidades e funções complementares deve assumir durante seu trabalho para cumpri-lo? É melhorado dessa maneira o desenvolvimento do trabalho, segundo o ponto de vista da administração da empresa? Quais são as qualificações adequadas e como o Capital as utiliza? Qual o significado do trabalho "intangível" e de seus produtos nesse estado de coisas? Como um produto "intangível" pode se concretizar num valor, como pode absorver-se assim o trabalho vivo e multiplicar o capital? Numa fábrica, o trabalho de muitos operários se materializa num produto, que eles consideram também como um resultado de sua cooperação. Como seria, no caso em que o "produto" dessa relação é uma informação ou um "cliente satisfeito"?
Perguntar pela forma de trabalho conduz aos fundamentos materiais da subjetividade dos trabalhadores, de suas relações com o trabalho, com a configuração produtiva e com a sociedade em geral.
g) Subjetividade dos trabalhadores
1 – Atividades concretas
Que tipo de relação os trabalhadores têm com sua própria atividade? A administração capitalista afirma, por um lado, sua preocupação com uma boa qualidade. Mas, está interessada antes de tudo na quantidade. Como se comportam os trabalhadores diante dessa contradição? Querem realizar "um bom trabalho para um bom produto"? Como reagem diante de uma intensificação do trabalho? O que lhes agrada no trabalho? Como se adaptam à tensão que o trabalho produz? Que relação têm com a hierarquia? Que meios desenvolvem para rejeitar o trabalho? Que relação têm com a ocupação/profissão? De onde vem a mobilidade de suas próprias necessidades?
2 – Inter-relações dos trabalhadores
Como se comportam os trabalhadores, em relação a suas estreitas interconexões? O Capital incorpora forças de trabalho individuais que logo são levadas a um funcionamento cooperativo. Que tipo de relação se produz entre esses trabalhadores quando trabalham conjuntamente? De que maneira desenvolvem formas de marcar a separação e a participação? Como se arranjam com os problemas diários de sua divisão do trabalho? Vêem no trabalho em conjunto também a base de seu poder, que por sua vez seria utilizado contra o capital?
3 – Sociedade
Como os proletários dos call-centers vêem seu trabalho, em relação a produção social? Que sentido vêem no seu trabalho e no seu produto, em relação às suas necessidades e às necessidades da sociedade? Que relação têm com a "ideologia dos serviços"? Como se consideram, em relação ao desenvolvimento social e como evoluem dentro dele?
Nessa relação entre a autopercepção da própria atividade como trabalhadores, por um lado, e o trabalho e o desenvolvimento social, por outro, pode se reconhecer como se exprime na prática a necessidade de comunismo?
4 – Organização e discussão dos trabalhadores
Devemos notar na experiência concreta da exploração que tipo de discussões, conflitos e pontos de organização já existem e tentar, em conjunto com os trabalhadores, submetê-los à crítica e desenvolvê-los.
h) Greves e lutas
Que experiências de lutas tiveram os trabalhadores nos call-centers? Havia alguma tendência revolucionária no conflito? Que formas de organização surgiram? Nós investigaremos nesses terrenos, tomando em consideração, entre outros, o conflito dos trabalhadores do Citybank no vale do Ruhr contra a formação de um call-center central e a conseqüente diminuição de seus salários e a deterioração de suas condições de trabalho.
i) Poder dos trabalhadores e comunismo
Com o exemplo dos call-centers, queremos pesquisar os fundamentos para o poder dos trabalhadores e a auto-organização revolucionária. Nas discussões com os trabalhadores, devemos assinalar as tendências comunistas que circulam ou se escondem por trás dos repugnantes desvarios da "sociedade de informação e serviços". Como percebem os trabalhadores a extensão do trabalho capitalistamente organizado a todos os espaços da vida, a crescente proletarização e dependência do trabalho social que nos apresentam como "sociedade de serviços"? Têm alguma idéia de uma maneira diferente de socialização que não nos transforme em novos "servos"?
Como se desdobra a evolução das tecnologias de informação, possibilitando a cooperação dos trabalhadores num nível novo? O que significa a possibilidade de poder enviar informações a todos os lugares do mundo? Com relação ao desenvolvimento das forças produtivas, a contribuição da força de trabalho individual na criação de um produto se torna cada vez menos aparente e mensurável; com isso se elimina tendencialmente um dos fundamentos do capitalismo? Vêem, além do mais, oportunidades de desviar as "tecnologias da informação" na luta de classes contra sua utilização capitalista e, com isso, a possibilidade de minimizar a separação entre o produtor e os conhecimentos necessários para a produção, enquanto tendência para a abolição do trabalho?

4) Passos adiante e convocatória

Organizaremos coletivamente os passos já enumerados da investigação (discussão política, evolução do material concreto, entrevistas com outros trabalhadores), para estabelecer um texto mais refinado, que sirva como fundamento para a discussão dos trabalhadores e para a determinação de intervenções.

Queremos que todos os companheiros participem na investigação e no debate, na medida do possível, com informações e contatos diretos. Isto é uma convocatória para intensificar a discussão sobre as organizações revolucionárias e fazer circular a totalidade de experiências e materiais recolhidos.

Façam esta convocatória chegar a outros coletivos, escrevam-nos ou encontrem-nos!

Falamos bem: alemão, inglês, polonês e turco. Lemos bem: italiano, espanhol e francês. Contudo, preferimos que as contribuições sejam escritas em inglês (ou alemão), já que de outra maneira ficaremos sobrecarregados pela necessidade de traduções.

Paixão e energia na luta!

Coletivo no movimento comunista. Dezembro de 1999
Endereço:
Kolinko
A/C Archiv
Am Förderturm 27
46049 Oberhausen
Alemanha
e-mail: Kolinko@koma.free.de
http://www.nadir.org/nadir/initiativ/kolinko/



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