Ontem, 13 companheiros foram presos e permaneceram 7 horas no quartel central dos carabineiros de Bolonha. Dois companheiros foram acusados de portar facas (aquelas de acampamento...). Foram apreendidos mais de mil panfletos. Os companheiros presos eram dos seguintes grupos: Precari Nati (Bolonha, Itália), Kolinko (Alemanha), Workers against Work (Grã-Bretanha).
Este é o texto do panfleto, preparado para as manifestações de Gênova, apreendido pelos policiais:

Queimando todas as ilusões
esta noite...

Se estamos aqui, não é como ativistas profissionais da antiglobalização que procuram uma posição de mediação entre os fantoches da economia e suas 'vítimas' e agem no interesse de outros (os "invisíveis", os proletários revoltados contra o FMI ou o Banco Mundial, os refugiados, os trabalhadores precários). Nós não estamos interessados em representar ninguém e escarramos na cara de quem quer nos representar. Não entendemos exclusão como exclusão dos centros de decisão. Mas como a perda de nossa vida cotidiana e de nossa atividade, como proletários e por causa da economia.

Se estamos aqui, não é porque preferimos o mercado justo ao livre comércio, nem porque acreditamos que a globalização enfraquece a autoridade dos Estados nacionais. Tampouco estamos aqui porque pensamos que o Estado é controlado por instituições não democráticas ou por querer mais controle sobre o mercado. Estamos aqui porque todo mercado é mercado da miséria humana, porque todo Estado é prisão, porque a democracia esconde a ditadura do capital.

Se estamos aqui não é porque vejamos os proletários como vítimas, nem porque queiramos ser seus protetores. Não viemos aqui para ser impressionados por protestos espetaculares, mas para aprender as táticas da guerra de classes cotidiana com os grevistas de Ansaldo e com os proletários desobedientes da indústria metalúrgica. Viemos aqui para trocar nossas experiências com os despossuídos de todo o mundo.

Se aqui estamos, não viemos como membros das numerosas ONGs, grupos de pressão, ATTAC ou de todos aqueles que simplesmente querem ser incluídos nas discussões sobre a modernização do capitalismo, esperando que suas propostas (ex.: Tobin tax) possam salvar as relações sociais capitalistas, isto é, as mesmas relações que perpetuam nossa alienação e exploração.

Se estamos aqui, é como proletários que reconhecem o capitalismo não nas reuniões de vários mafiosos mas no fato de que somos quotidianamente privados de nossas vidas nas fábricas, nos call-centers, como desempregados, pelas necessidades da economia. Nós não falamos em nome de ninguém, partimos de nossas próprias condições. O capitalismo não existe por causa do G8, o G8 existe por causa do capitalismo. O capitalismo nada mais é do que a expropriação de nossa atividade, que se volta contra nós como uma força alienada.

Nossa festa contra o capital não tem início nem fim, não é um espetáculo predeterminado e não tem data fixa. Nosso futuro está além de todas as mediações, além dos estados-nações, além de toda tentativa de reformar o capitalismo. Nosso futuro reside na abolição da economia.

Pela total abolição do Estado e do Capital.

Pela comunidade humana mundial.

proletários contra a máquina, 07/2001



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