TESES SOBRE HEGEL E A REVOLUÇÃO (1931)

I. A filosofia hegeliana e o seu método dialético não são compreensíveis sem levar em conta sua relação com a  revolução.

1º. Historicamente, saiu do movimento revolucionário de sua época.

2º. Cumpriu a tarefa de traduzir, em pensamento, esse movimento revolucionário.

3º. O pensamento dialético é revolucionário também em sua forma:

a) desvinculando-se do imediatamente dado – ruptura radical com o que existe – subvertendo-o – para recomeçar;

b) princípio de oposição e de negação;

c) princípio de mudança e de desenvolvimento incessantes: “salto qualitativo”.

4º. Marginalizada a tarefa revolucionária e estabelecida a sociedade burguesa, o método dialético revolucionário desaparece inevitavelmente de sua filosofia e de sua ciência.

II. Não se pode criticar a filosofia hegeliana e seu método dialético sem considerar sua relação com o caráter histórico-concreto do movimento revolucionário de sua época.

1º. Não se trata de uma filosofia da revolução em geral, mas da revolução burguesa dos séculos XVII e XVIII.

2º. Inclusive, como filosofia da revolução burguesa, ela não expressa todo o processo desta revolução, mas apenas a sua conclusão final. Neste sentido, não é uma filosofia da revolução, mas da restauração.

3º. Esta dupla determinação histórica da dialética hegeliana se manifesta sob a forma de uma dupla limitação de seu caráter revolucionário:

a) Apesar da dissolução dialética de todos os elementos permanentes, a dialética hegeliana leva a uma nova fixação ao “absolutizar” o próprio método dialético e, com ele, todo o conteúdo dogmático do sistema filosófico hegeliano edificado sobre ele.

b) O fio revolucionário contido no enfoque dialético se curva sobre si mesmo até “fechar o círculo”, isto é, até restabelecer conceitualmente a realidade imediata, reconciliando-se com essa realidade e glorificando as condições existentes.

III. A tentativa de Marx e Engels - e Lênin, depois deles – de "salvar" a arte do pensamento dialético, transplantando-o da filosofia idealista alemã para a concepção materialista da natureza e da história, da teoria revolucionária burguesa para a teoria revolucionária proletária, aparece somente como um passo transitório, tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico. O que se conseguiu não é uma teoria da revolução proletária desenvolvida sobre bases próprias, mas uma teoria da revolução proletária emergente de uma revolução burguesa. Portanto, uma teoria marcada em todos os seus aspectos, quanto ao conteúdo e ao método, com os sinais do jacobinismo, ou seja: da teoria revolucionária burguesa.

Karl Korsch

 

 



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