O QUE É TRABALHO SOCIALMENTE ÚTIL?

Texto publicado em Askö #10, 10/1998, livremente traduzido e adaptado de WHAT IS USEFUL SOCIAL LABOUR?, extraído de REFLECTIONS ON MARX'S CRITIQUE OF POLITICAL ECONOMY, publicado por COLLECTIVITIES – Majdoor Library, autojopin Jhuggi, N.I.T. FARIDABAD 121001, INDIA. E-MAIL: revelrytion@hotmail.com

Se uma pessoa trabalha para uma empresa, para o estado ou qualquer outra instituição a serviço do capital, então se considera que ela faz um trabalho socialmente útil.

Esse trabalho dito socialmente útil pode ser numa fábrica de armamentos, numa usina nuclear, numa indústria de alimentos nocivos à saúde, numa montadora de automóveis, numa fábrica de televisores, numa escola ou mesmo num hospital. Não importa o que essa pessoa faz, desde que produza algo que se possa vender, o trabalho se torna socialmente útil – isto é: útil para o capital.

Porém, se uma pessoa tem aptidões e deseja produzir coisas para si mesma e/ou satisfazer as necessidades de outras pessoas, sem intenção de vender ou trocar o produto de sua atividade, então o que esta pessoa faz não é considerado socialmente útil. Esta pessoa corre o risco de não conseguir sobreviver porque o que ela faz não é útil para o capital – isto é: não há exploração, nem lucros para serem acumulados.

Portanto, o que se chama de "trabalho socialmente útil" é toda a atividade que mantém a sociedade capitalista e reforça suas estruturas hierárquicas.

O capitalismo é um sistema social, logo tem de satisfazer um mínimo de necessidades humanas. Um exame rigoroso do quanto se produz e como se divide, permitirá constatar algumas coisas e deduzir outras.

Constatações:

1 - noventa e quatro por cento de tudo o que a humanidade produz são usados para manter e perpetuar hierarquias;

2 - mais importante é que os seis por cento restantes têm sido destinado à nutrição e sustento do conjunto da humanidade.

Deduções:

1 - se abolirmos todas as hierarquias, não teremos necessidade de noventa e quatro por cento do que é produzido atualmente (basta que se leve em conta o que se gasta com policiais, juizes, políticos, sem falar da escória burguesa e seus parasitas). Seis por cento são o bastante para que todos vivam bem, numa sociedade livre e igualitária;

2 - tendo abolido todas as hierarquias, o tempo de trabalho será reduzido a 1/16 (um dezesseis avos) do atual. Isto significará um enorme avanço da humanidade, em termos de enriquecimento material e de abertura de imensos espaços para a criação e a liberdade;

3 - uma vez que se tenha libertado do pesado fardo equivalente a noventa e quatro por cento de tudo o que hoje é trabalho, juntamente com suas nocivas conseqüências, como degradação ambiental, as moléstias profissionais e outras, a humanidade disporá de tempo livre e liberdade para repensar, redefinir e recriar o processo de produção, tornando harmoniosas as relações homem-natureza.



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