Livro enfoca gestão de negócios nos setores de alimentos e bebidas

Marcos F. Neves
Fabio R. Chaddad
Sérgio G. Lazzarini

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Alimentos: novos tempos e conceitos na gestão de negócios, de autoria de Marcos Fava Neves, Fabio R. Chaddad e Sérgio G. Lazzarini, pesquisadores do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (PENSA-FIA/USP) é uma publicação que reúne uma coletânea de textos focados nas principais mudanças e tendências ocorridas nos sistemas produtivos dos setores de alimentos e bebidas. O livro trata, de maneira direta e concisa, as atuais questões que envolvem o mercado de alimentos e os sistemas agroalimentares que o compõem, responsáveis por 40% do PIB brasileiro. O conjunto de textos reunidos na obra aponta caminhos a serem analisados tanto na esfera das estratégias empresárias como de políticas públicas, o que o torna de grande relevância para o contexto brasileiro.


Ao todo são quinze capítulos, entre os quais, dois que tratam de temas mais conceituais e servem como pano de fundo para os demais. O primeiro capítulo faz uma radiografia completa das principais mudanças que estão ocorrendo em todos os elos da cadeia de alimentos nacional e internacional. Partindo das mudanças ocorridas no comportamento do consumidor, os autores também analisam mudanças no setor de distribuição (atacado e varejo), indústria de alimentos e bebidas, produção rural e indústria de insumos. No capítulo seguinte são apresentados os processos de gestão de sistemas agroalimentares.

Uma análise dos produtos hortifrútis é apresentada no terceiro capítulo, no qual os autores apresentam um diagnóstico das preferências do consumidor, que impulsionou alterações no resto da cadeia. "O consumidor é consciente que vegetais e frutas têm importância crescente na alimentação; tem preferências que diferem de região para região; quer fornecimento o ano todo e com variedade; está disposto a pagar mais por produtos ‘ecológicos’, quer produtos pré-embalados; prefere porções menores, sabor e variedade; quer redução dos danos causados aos produtos durante a distribuição; demanda vegetais já preparados e limpos para uso em microondas e também está interessado no local de origem do produto", avaliam os autores.

Alterações na política agrícola americana, pressões sobre a política agrícola, comum na Europa, e os desafios e oportunidades para o agribusiness brasileiro são os tópicos tratados no capítulo três. O capítulo discute ainda as tendências acerca das restrições institucionais sobre o comércio mundial de produtos agroalimentares, com enfoque nas políticas protecionistas dos países desenvolvidos.

Nos capítulos quatro e cinco, exemplos internacionais são utilizados para explorar situações estratégicos consideradas vitais para o embasamento de políticas públicas e privadas que estimulem exportações. A produção de eletrônicos em Taiwan e os distritos industriais do norte da Itália são alguns desses exemplos.

Enquanto o capítulo seis trata do tema relacionado ao fornecedor mundial, o sétimo procura documentar evidências recentes relacionadas à concentração dos sistemas agroalimentares nos Estados Unidos e Europa. Segundo os autores, apesar do processo de concentração ser flagrante, não se pode dizer necessariamente que é resultante da busca de práticas anticompetitivas. "O desafio das políticas públicas é enorme no sentido de avaliar se existem ou não motivos associados à busca de eficiência no caso de novas fusões e aquisições", afirmam os pesquisadores do PENSA. "Ao lado de produtores rurais", prosseguem eles, "cooperativas profissionalizadas e enxutas, associações setoriais atuantes e a organização de grupos de barganha são fundamentais para uma contrapartida no jogo de poder de mercado no âmbito dos sistemas agroindustriais (SAG’s)."

A questão dos produtos geneticamente modificados é tratada no oitavo capítulo, a partir de considerações dos autores com relação ao comportamento dos consumidores sobre o uso de transgênicos, as estratégias de empresas inovadoras que estão realizando pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia, os impactos nas instituições ou regras do jogo do comércio internacional e as oportunidades e ameaças para os SAG’s. Ao final do capítulo são apontados mecanismos sustentáveis para lidar com tais problemas e fazer uso dessas oportunidades no agribusiness. "Coordenação é a estratégia que melhor permite sintonizar as tecnologias adotadas pelos SAG’s aos desejos do consumidores. Não se pode bloquear o avanço da tecnologia e dos seus potenciais benefícios. Deixem os consumidores optarem", consideram os autores da obra.

Nos demais capítulos da publicação, os autores discutem o que está acontecendo com os canais de distribuição de produtos e serviços; os processos de bundling (que implica na junção de produtos e serviços oferecidos aos produtores em uma única transação), bem como as vantagens competitivas relacionadas ao conhecimento e as oportunidades para o setor agrícola, em particular para grupos de produtores organizados por meio de cooperativas. Traz ainda uma análise sobre o setor de serviços de alimentação e as oportunidades existentes; referências sobre a importância de práticas de gestão de riscos no agribusiness sob a ótica do arranjos contratuais focados nos SAGs. E, finalmente, um texto argumenta como o marketing poderia ajudar o sistema de agribusiness brasileiro a conquistar mais espaço no cenário internacional.

A coletânea foi escrita entre 1998 e 1999, período em que os autores estiveram no exterior realizando estudos acadêmicos. Nessa mesma época, o material serviu para compor a coluna mensal de uma revista vinculada à Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Esalq/USP, de Piracicaba/SP. Editado pela Pioneira, o livro é indicado para profissionais de empresas públicas e privadas e aos órgãos de pesquisa interessados nos mercados de alimentos e bebidas.


Alimentos – novos tempos e conceitos na gestão de negócios
Autores: Marcos F. Neves, Fabio R. Chaddad e Sérgio G. Lazzarini
Editora Pioneira, SP, 129 pp, 2000.

Contatos com os autores:
Telefones: (11) 3032-5966
E-mails: pensa@fia.fea.usp.br

 

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