Publicação discute universidades coorporativas

Marisa Eboli

Professora da FEA/USP organiza primeiro trabalho realizado no Brasil sobre o tema de educação continuada nas empresas

Universidades Corporativas: educação para as empresas do século XXI é o título da coletânea de artigos organizada pela professora Marisa Eboli, da área de Recursos Humanos da FEA/USP, também responsável pela coordenação de Projetos de Universidade Corporativas do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas – PROGEP-FIA/SUP. A publicação, que vem acompanhada de um CD-ROM, conta com artigos de especialistas estrangeiros, docentes da área de Recursos Humanos da FEA/USP, executivos e consultores, complementados por quatro estudos de caso e duas entrevistas, tudo organizado em três partes.

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A coletânea traz colaborações dos membros da equipe do PROGEP, como o prefácio, de autoria da professora Maria Tereza Leme Fleury, Coordenadora do Programa; o estudo sobre as políticas e práticas de gestão das competências gerenciais nas empresas brasileiras, de autoria do professor André Luiz Fischer; do artigo intitulado Desenhando programas de desenvolvimento a partir da identificação das competências essenciais, do professor Joel de Souza Dutra, e do trabalho Cidadania Organizacional: uma caminho de desenvolvimento, de autoria da professora Rosa Maria Fischer, Coordenadora do Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor – CEATS-FEA/USP.

A primeira reúne textos de executivos e pesquisadores que discutem quais as tendências para educação nas organizações. Num segundo momento, outros artigos abordam o contexto de surgimento das universidades corporativas, a missão, objetivos e alguns princípios de funcionamento dessas entidades. Os trabalhos apresentados na terceira parte do livro têm como objetivo estabelecer uma conexão entre a teoria e a prática, trazendo quatro estudos de caso de empresas brasileiras que já adotam esse conceito. Nessa parte da publicação, o leitor encontrará alguns conselhos da especialista americana Jeanne Meister, presidente da Corporate University Xchange, para os empresários brasileiros interessados em conceber e implantar projetos de Universidade Corporativa e um questionário que permite avaliar o quanto uma empresa está preparada para empreender com sucesso iniciativas dessa natureza.

Para a organizadora da coletânea, o conceito de Universidade Corporativa aplicado adequadamente nas empresas, com um sistema eficaz de desenvolvimento de competências e talentos humanos, não é uma ameaça às universidades tradicionais, nem significa esvaziamento no papel das mesmas. Segundo Marisa, as experiências mais bem-sucedidas de Universidades Corporativas são aquelas que realizam parcerias com algumas universidades que têm a competência para agregar valor a estes programas das empresas, contribuindo assim para que elas realizem com mais competência e alcancem melhores resultados no processo de gestão dos conhecimentos considerados críticos para o sucesso do negócio.

A coletânea é iniciada por um artigo de autoria de César Souza, executivo brasileiro que ocupa o cargo de Vice-Presidente Senior da Odebrecht of America também professor no Advanced Management Program da Wharton School of Management. Ele aborda o fim da educação de executivos nos formatos que se conhece hoje. Segundo o autor, a maioria dos atuais programas de treinamento e desenvolvimento foi desenhada para um ambiente em que vários setores da economia brasileira ainda estavam protegidos da competição, um período em que poucas empresas nacionais se aventuravam no exterior e que a privatização não passava de uma idéia em debate.

Os novos programas de educação corporativa, propostos pelo executivo, precisam adequar-se as seguintes prerrogativas: foco maior no gerenciamento do que no empresariamento, maior ênfase no desenvolvimento de uma nova mentalidade empresarial do que no domínio de técnicas; instrumentos que habilitem lideres para empresariar organizações virtuais e o desenvolvimento de aprendizagem contínua.

A coletânea reúne ainda textos de especialistas internacionais como o Diretor do Centro de Recursos Humanos da Wharton School Peter Cappelli, que debate as práticas e programas de treinamento profissional, e Jeanne C. Meister, que analisa a reconfiguração do mercado e os investimentos que devem ser feitos pelas empresas para se alinharem a esse novo cenário. O artigo trata ainda dos critérios de expansão do campo de ação das empresas e da criação de vantagens competitivas.

Duas outras contribuições sobre o tema são apresentadas na obra sob o formato de entrevistas. A primeira concedida pelo Diretor da Escola de Graduados em Administração e Direção de Empresas do Instituto de Tecnologia de Monterrey (México), Jaime Afonso Gomez, sobre a processo de implantação de programas de educação a distância realizados pela instituição mexicana. A outra traz opiniões do presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), Miguel Ignatios, sobre o treinamento de equipes de vendas e investimentos na área de educação corporativa.

Para o Ministro da Educação Paulo Renato Souza, que faz a apresentação da coletânea, as reflexões contidas na obra, além de constituírem uma contribuição importante para o entendimento do universo da educação corporativa, também representam uma contribuição concreta para todos os que lutam por um sistema nacional de educação de qualidade.


Universidades Corporativas
Coordenadora: Marisa Eboli
Editora Schmukler, SP, 224 pp, 2000.

Contato com os autores:
Tel.: (11) 211-6526 ou 3818-5836
E-mail: meboli@usp.br

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