Escritor defende racionamento de água em 150 cidades da Paraíba
[05/06/03 - 09h39]
WSCOM Online, da Redação


A propósito da passagem do Dia do Meio Ambiente, hoje, o funcionário público e escritor Pedro Severino Souza encaminhou ao WSCOM Online um artigo no qual defende o racionamento de água na Paraíba a partir de maio, em 150 cidades. Leia a íntegra do texto:

ÁGUA : RACIONAR PARA NÃO FALTAR...

Seria mais do que providencial o anúncio pela Cagepa e a Secretaria de Recursos Hídricos da Paraíba do estabelecimento já este mês do racionamento de água em mais de 150 municípios da Paraíba. Segundo monitoramento diário da SEMARH- PB, os mais de 133 (cento e trinta e três) mananciais monitorados por esta secretaria no final de abril (30.05.2003), tinham apenas 40% de todo armazenamento acumulado no Estado. E mesmo assim, devido ao Sistema Estevão Marinho/Mãe Dágua, conhecido popularmente pelo o açude de Coremas, pois ainda está com: 936.000.000m³ (novecentos e trinta e seis milhões) de metros cúbicos de água, que corresponde a 68.9% de sua capacidade máxima, que é de l.358.000.000m³ (um bilhão trezentos cinqüenta e oito milhões de metros cúbicos) de água.

Só para se ter uma idéia, este volume mencionado anteriormente (capacidade máxima do açude de Coremas), equivale a quase 34% de toda capacidade máxima acumulativa de todo estado, que é de 4.023.000.000m³ (quatro bilhões e vinte e três milhões) de metros cúbicos de água...

Entretanto,no momento em todo Estado, só estamos com apenas 1.635.000.000m³(um bilhão seiscentos e trinta e cinco milhões) de metros cúbicos de água...O que corresponde, como se sabe a 40% de acumulação. E que em contrapartida no mesmo período do ano anterior (Maio/2002), estávamos com um volume bem superior, ou seja, 1.970.000.000 m³ ( um bilhão e sessenta e quatro milhões ) de metros cúbicos de água. O que correspondia a 49% de acumulação. Mas, como visto, de janeiro/2002 á maio/2002, tivemos uma estação chuvosa acima da expectativa, tanto no sertão, como no cariri. Um exemplo disto, é que o sistema Estevão Marinho/Mãe D’água, recebeu uma recarga de mais de 500.000.000m³ ( quinhentos milhões ) de metros cúbicos de água e o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), recebeu uma recarga de mais de 100.000.000m³(cem milhões) de metros cúbicos de água.
Enquanto que no ano em curso, agora em 2003, apesar da normalidade dos índices pluviométricos estarem dentro da média histórica, pelo menos até a presente data (30.05.2003), entretanto, os dois principais (maiores) Açudes do Estado da Paraíba, como: o sistema Estevão Marinho-Mãe da água (açude de Coremas), entre ganhos e perdas, só recebeu uma recarga de 150.000.000m(cento e cinqüenta milhões) de metros cúbicos de água e o Epitácio Pessoa (açude de Boqueirão), somente 10.000.000m³(dez milhões) de metros cúbicos de água.

E o mais grave de tudo isto, é que estão se confirmando, pelo visto acima, as previsões de alguns Institutos de Meteorologias, como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) e até mesmo pela NASA (Agencia Espacial Norte-Americana), que a década que está em curso, até 2010 e a próxima década que vai até 2020. Assim, paulatinamente até o final dos tempos serão anos de chuvas escassas ou seja, serão anos estes que seus índices pluviométricos, vão gradativamente diminuindo suas médias pluviométricas anuais, ano após ano, no Semi-árido do Nordeste do Brasil, Indonésia e Austrália Oriental. E concernente ao Estado da Paraíba, principalmente no Cariri e Curimataú, não só devido ao “El Niño, e principalmente, decorrente do desequilíbrio do meio ambiente global, provocado e acelerado pelo próprio homem, pensando somente no lucro fácil, em conseqüência disto, polui ás águas dos rios, lagoas, lagos e até mesmo dos mares e oceanos, e como também, devasta matas e florestas, diminuindo em parte a evapotranspiração, em suas fotossínteses, subtraindo, evidentemente a umidade relativa do ar de qualquer meio ambiente devastado.

Afora a poluição da atmosfera, devido à emissão de dióxido de carbono e outros gases de estufas produzidos por fabricas, industrias de automóveis, entre outros gases poluentes. Afetando demasiadamente o ciclo hidrológico, ou melhor, o ciclo das chuvas. Como se vê, este quadro que ora se apresenta e o futuro e uma situação dantesca e preocupante, pois ele é crescente. Voltando para a questão do Estado da Paraíba, basta citar como exemplo”, O Plano das Águas “do Governo Maranhão II, por ser ambicioso e futurista, todavia, ainda não acumulou “água”, suficientemente para se atingir nem ¼(um quarto) da capacidade do volume planejado. Só a barragem de Araçagi, atingiu um volume de 63.000.000m³ (sessenta e três milhões) de metros cúbicos de água, que representa o volume de 100% de sua capacidade máxima.
Enquanto que Barragem Acauã, a maior do plano das águas, está com somente 5% de sua capacidade máxima, isto, talvez, só represente a metade do seu volume morto... A Barragem Câmara, em Alagoa Nova, idem, só está também, com 6,1% de sua capacidade máxima... Já a Barragem Mucutú, em Juazeirinho, está com 11,2%. E entre outras, só a Barragem Condado, em Conceição do Piancó, está com 21,8% de sua capacidade máxima, como se vê, ligeiramente acima do seu volume morto. Então, diante do exposto, é mais do que urgente o racionamento de água já! No estado da Paraíba. Para não faltar depois...

 


 

 

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