ENTREVISTAS

ALAN MOORE, O ESCRITOR SUPREMO

por Steve Johnson - 7 de Agosto de 1996

Originalmente publicada na revista MANIA

Alam Moore fala sobre seu Papel no Extreme Studios, sobre Supremo e o Dia do Julgamento, sobre Watchmen e sobre o futuro da Indústria dos quadrinhos.

O relançamento de Supremo , herói da Extreme Studios, por Alan Moore, já ganhou um Fan Magazine Award como melhor relançamento. Se nós da MANIA déssemos prêmios para relançamentos, ele também teria concorrido. Agora Moore está preparado para fazer a mesma coisa em uma escala infinitamente maior, aperfeiçoando todo o universo Extreme (inclusive Glory, Prophet, New Men e a sempre crescente equipe Youngblood) com um passado, um presente, um futuro, e com sorte, um propósito.

MANIA: Em suas próprias palavras, sobre o que é o Dia de Julgamento?

Alan Moore: Bem, Dia de Julgamentoé algo que originou, de certo modo, em conversas entre eu e Eric Stephenson. Eu não me lembro da ordem exata delas, mas até onde posso recordar, em uma delas eu mostrei à Eric que, no curso de meu trabalho em Supremo , eu estava dando à história de Supremo uma completo revisão, mas isso requer mostrar retrospectos em vários períodos na história do Universo Extreme. O que eu disse na ocasião era que, se Rob quisesse, pelo tempo em que eu estivesse fazendo isso, eu poderia muito bem estabelecer todo um passado na história global do Universo Extreme.

Penso que também disse a ele que eu jamais seria capaz de imaginar o porquê de alguém simplesmente não pudesse me dar todo o seu universo e dissesse, "reordene-o completamente". Porque me ocorreu que seria o que eu faria se estivesse nessa posição.

Seria uma vantagem ter todo um universo não inventado por um comitê ou pelo equivalente de um acidente automobilístico de histórias que são o motivo pelo qual a maioria das continuidades são formadas: cargas de escritores diferentes escrevem histórias diferentes durante um período de dez anos e o conglomerado destas forma uma continuidade. Assim senti que talvez seria interessante ver que, se alguém sugerisse uma continuidade com um fim específico em mente, você obteria o tipo de universo de quadrinhos específico, o qual eu gostaria de criar, e quero um que esteja aberto a tantos diferentes tipos de histórias quanto os quadrinhos são capazes de comportar.

MANIA: O tipo de universo que Marvelman criou no fim e que funcionou, com espertas crianças que vão ao encalço de espiões, monstros na selva e aquele tipo de coisa.

Alan Moore: Bem, algo assim. Aquilo foi um tipo high-tech e futurísta de é, e se nós fizéssemos aquele mundo real sob condições reais?

Isto é um pouco diferente. Quanto a Marvelman, ele providenciou a tecnologia para fazer este mundo fantástico e realista. Nós não estamos preocupados com isso, apenas vamos supor que o que eles fizeram nos quadrinhos dos anos 60 foi de certa maneira real. É apenas um tipo de mundo onde poderia acontecer de se estar falando com gorilas ou com o que você tiver à mão.

Assim o que queremos fazer é criar um universo onde, da mesma maneira que os quadrinhos dos anos 60, você pode ter heróis ocidentais, heróis medievais, heróis da idade da pedra, heróis espaciais, heróis de guerra, heróis sobrenaturais, heróis de quadrinhos românticos, heróis adolescentes... tudo co-existindo.

Havia uma diversidade nos quadrinhos de então que penso ser algo que nos tem faltado ultimamente. Tudo é muito enfocado no “super-herói”. Embora ainda venha ser principalmente uma continuidade de super-herói, eu quero começar edificando ao redor das extremidades que dão a isto mais contraste e profundidade.

Assim, basicamente o que aconteceu foi que, penso eu, quando Rob saiu da Image, ele estava dado a oportunidades, de fato ficou quase desejável, criar uma nova e muito bem definida versão do universo Extreme. Basicamente eu estava oferecendo a chance de fazer uma minissérie que daria uma História ao universo Extreme e nela eu criaria muito mais.

O processo de criar esta história colocará um pouco de novo brilho na continuidade atual. Eu tenho a liberdade de revisar quase todos as personagens da Extreme e colocá-los em um tipo de contexto, agindo como um consultor em quase todos seus títulos em termos de escrever uma sinopse de como acho que uma série deveria ser e como utilizar o seu passado para fazer as personagens mais ricas, dando-lhes mais profundidade.

MANIA: E isto acontecerá durante os próximos meses, ou em um futuro indefinido?

Alan Moore: Bem, em um futuro indefinido. Eu praticamente providenciarei um fundo e um modelo básico para as personagens. Muitos escritores de quadrinhos querem escrever personagens da DC, e a razão para isso é porque as personagens da DC tem toda uma reserva histórica. Agora, não há nenhuma razão de por que personagens criadas nos anos 90, como as personagens da Extreme, também não possam ter uma História parecida. Acho que Supremo demonstrou isso.

MANIA: Especialmente tão rapidamente e em tão poucas edições.

Alan Moore: Exato, já na primeira de doze edições nós preenchemos uma quantidade incrível da história de seu passado, como uma espécie de continuidade equivalente a um ano que parece muito realista. Quero fazer o mesmo para todo o universo Extreme; isso não significa que estarei fazendo versões dos anos quarenta e cinquenta de todas as personagens, mas estarei dando muito mais passado às personagens de forma que isso será como se fossem escritas e desenhadas por escritores e desenhistas do passado.

MANIA: Então você estará escrevendo essencialmente a História dessas personagens; você será todos os escritores até 1990 ou algo assim?

Alan Moore: Sim, é isso. Eu farei uma sinopse de Glory que dará mais detalhes sobre seu passado. Que reino mágico é esse de onde ela vem? Nada mais foi dito sobre isso, considerando que posso ver um pouco de potencial nesse conceito para fazer algo que é próximo ao conceito de, digamos, a Asgard de Kirby ou algumas destas grandes coisas do passado.

Basicamente, nós temos todo esse rico desfile de histórias em quadrinhos das quais podemos escolher. Acho que isso é um dos benefícios dos anos 90, podermos examinar toda a paisagem atrás de nós sem haver nada que nos impeça de escolher qualquer estilo, humor, até mesmo valores. Nós não temos que ser restringidos, realmente, por nosso momento na História. Acho que alcançamos um ponto onde temos a liberdade de pegar o melhor do que foi feito antes e tentar fazer disso um trabalho contemporâneo. Esse é o plano.

 

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