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Como ligar dois micros Linux em rede


Se você tem em casa dois micros com Linux, que tal ligá-los em rede? Além de facilitar a troca de arquivos entre as duas máquinas, a rede permite que você divida entre os dois micros uma conexão de banda larga. O INFOLAB montou um passo-a-passo de como construir uma solução desse tipo. Partimos de dois micros isolados, um deles já conectado à internet por uma conexão a cabo Ajato. As máquinas - um Pentium III 1000 MHz e um Pentium III 450, ambos com 128 MB de memória - tinham ambas a versão 7.0 do Conectiva Linux, com o kernel 2.2 e interface KDE.


Primeiro, fizemos a configuração física da rede. Instalamos uma placa Ethernet em cada micro. Desse modo, o micro de 1000 MHz ficou equipado com duas placas de rede: uma já estava instalada e era usada para a conexão à internet. A outra foi ligada por um cabo cross à placa instalada no outro micro e será um item básico da rede local. Portanto, o micro de 1000 MHz fará o papel de "servidor" e o outro, o de cliente.


A montagem física não apresenta dificuldade. Basta abrir o micro e inserir a placa de rede num slot PCI livre. Após executar essa operação nos dois micros, basta ligá-los com o cabo crossover. Montagem concluída. Mas, claro, o hardware é apenas o começo. Nosso objetivo é conectar os dois numa rede ponto a ponto e compartilhar o acesso à internet. Além disso, queremos que as duas máquinas possam intercambiar arquivos diretamente e também dividam o uso de uma impressora. Por fim, vamos proteger a conexão à internet com um firewall e também instalar um programa antivírus. Para facilitar as operações, vale lembrar que trabalhamos com instalações Linux em que todos os módulos de manipulação gráfica do sistema estão presentes.


A configuração física da rede, como vimos, já está pronta. O primeiro micro tem duas placas de rede: uma associada à conexão de banda larga e a outra ligada por um cabo cross à placa de rede da segunda máquina. Falta-nos definir os ajustes no sistema operacional para fazer os dois micros se "enxergarem" e, depois, ajustar o compartilhamento do acesso à internet. O primeiro passo consiste em configurar a interface de rede no micro cliente. Para fazer essas configurações, você precisa estar logado como root, a fim de ter os privilégios necessários. No menu do KDE, acione Preferências/Linuxconf. Na tela Preferências, navegue no menu Rede/Tarefas de Cliente/Nome da Máquina e Dispositivos. Clique na orelha Nome da Máquina e batize o micro com um nome qualquer - por exemplo, Cliente.


Agora, na orelha Adaptador 1, marque a caixa Ativo e escolha o modo de configuração Manual. Na caixa Endereço IP, digite 192.168.1.2 (o servidor será 192.168.1.1). No campo Máscara, escolha Rede Classe C, o correspondente a 255.255.255.0. Por fim, em Dispositivo de Rede, escolha eth0 (a primeira - e, no caso, única placa).


Passe à orelha Configuração do Resolvedor. Na caixa IP do Servidor de Nomes 1, digite 192.168.1.1. Clique no botão Aceitar. Agora, na mesma tela, desça para a opção Tarefas do Cliente/Roteamento e Roteadores. Em Roteador Padrão, informe o IP do servidor e marque a opção Ative o Roteamento. Por fim, clique em Aceitar e em Fechar.


Entenda o que acabamos de fazer: o micro cliente não está ligado à internet. Portanto, em condições normais, se você abrir o browser e digitar a URL www.infoexame.com.br, a página da INFO não será mostrada. Para que isso aconteça, o micro cliente tem de passar essa solicitação ao servidor, este sim, ligado à web. Ao receber a informação pedida, o servidor deverá repassá-la ao cliente. Até agora, dissemos ao micro 2 a quem ele deve solicitar informações da internet.


Vamos, agora, para o servidor. Nele, acione Preferências/Linuxconf no menu KDE. O sistema vai pedir sua senha de administrador. Na tela Linuxconf, navegue para Tarefas de Cliente/Nome da Máquina e Dispositivos IP. Na orelha Nome da Máquina, escreva um nome qualquer. Que tal algo como "Servidor"? Na orelha Adaptador 2 - o 1, certamente, é a placa ligada à internet -, digite 192.168.1.1 em Endereço IP; em Máscara, escolha Rede Classe C; e em Dispositivo de Rede, indique eth1, que é a segunda placa de rede. A primeira é eth0.


Agora, abra num editor de texto o arquivo named.conf, localizado no diretório /etc. Esse arquivo contém as configurações de DNS. Nele, estamos interessados em três seções: forwarders, allow-query e listen-on. Para os propósitos de nossa rede, elas devem ter o seguinte perfil:


forwarders{

xxx.xxx.xxx.xxx;

};

allow-query{

192.168.1/24;

};

listen-on{

192.168.1/24;

};


Entendamos essas linhas. Os servidores de nomes de domínio (DNS) são máquinas da internet especializadas em converter URLs em números IP. Assim, quando um usuário digita algo como www.servidor.com.br, um desses tradutores fornece o número IP correspondente. Em nosso caso, quando o usuário do PC cliente fizer uma solicitação no browser, esse pedido é transferido para um servidor de DNS do provedor de acesso. Portanto, em sua máquina, o número xxx.xxx.xxx.xxx, na seção forwarders, deve ser substituído pelo DNS de seu provedor. As seções allow-query e listen-on são preenchidas com o número 192.168.1/24. Ele indica, genericamente, os endereços de todas as máquinas da rede interna. Somente elas têm permissão para enviar requisições ao servidor (allow-query). O servidor, por sua vez, deve monitorar as mensagens enviadas pelas máquinas da rede (listen-on). Salve o arquivo named.conf. Agora, para forçar a incorporação das mudanças, interrompa o serviço de DNS e ligue-o outra vez. Na janela de terminal, os comandos são, respectivamente, os seguintes:


/etc/rc.d/initd/named stop

/etc/rc.d/initd/named start


Com o serviço de DNS em atividade, falta apenas ligar o firewall, a fim de manter isoladas a rede local e a internet. Uma forma rápida de configurar o firewall do Linux é editar o arquivo /etc/rc.d/rc.local. No final desse arquivo, inclua as seguintes linhas:


modprobe ipchains

/sbin/ipchains -P forward DENY

/sbin/ipchains -A forward -s 192.168.1.0/24 -j MASQ


A primeira linha carrega o ipchains, um programa que controla a filtragem de pacotes no Linux. As outras linhas dão indicações sobre quais solicitações o gateway deve repassar. Uma radicaliza nos procedimentos de segurança: proíbe qualquer transferência de pacotes. A outra abre uma exceção, permitindo o repasse de pedidos vindos da rede local (192.168.1.0). O último comando indica também que esses pedidos devem ser mascarados. Em outras palavras, a rede externa não vai saber nada sobre a rede local: somente o gateway se apresenta ao "mundo exterior".


A esta altura, o compartilhamento de internet já está ativo. Para testá-lo, use o browser no micro 2. Os próximos passos de nossa montagem consistem no compartilhamento de arquivos e de uma impressora ligada ao micro 1. O Linux oferece um serviço chamado NFS que fornece o compartilhamento de arquivos. O NFS permite definir, em qualquer máquina da rede, diretórios que podem ser acessados por outras máquinas. No servidor, crie um diretório /servidor (ou outro nome que ache mais interessante). Abra o Linuxconf e navegue para o item NFS - Sistemas de Arquivos Exportados. Lá, acione o botão Adicionar. Na caixa Caminho para Exportar, digite o caminho nesta máquina que a outra deve enxergar. Em nosso caso, o diretório /servidor. Em Nome(s) do Cliente, digite o IP do outro micro: 192.168.1.2. Na seção Privilégios, defina o tipo de permissão a ser dada a quem vai acessar o diretório compartilhado. O mais comum é escolher a opção Pode Escrever. Clique no botão Aceitar.


Ainda no Linuxconf, escolha Painel de Controle/Controle de Atividade dos Serviços. Clique na opção NFS e ligue a caixa Automático. Na orelha Níveis de Execução, marque as opções 3 e 5. Pronto. Agora, o diretório /servidor, no micro principal, está visível para a máquina cliente. Para trocar arquivos, os usuários dos dois PCs podem salvar nesse espaço os arquivos que desejem compartilhar.


Por fim, vamos dar ao micro cliente a capacidade de enviar trabalhos para a impressora acoplada ao servidor. Abra, mais uma vez, a tela Linuxconf. Nela, entre em Periféricos/Impressora/Adicionar ou Editar Impressoras. Na orelha Configuração de Impressoras, clique no botão Adicionar. Na seção "Conectada a", escolha a opção Fila Remota. Acione o botão Aceitar. Na orelha Opções de Tipo de Impressora, digite o IP do micro. O nome da impressora deve o ser o mesmo indicado no servidor. Na orelha Opções de Filtro, clique em Selecionar Filtro. Surge uma lista de drivers. Escolha o modelo de sua máquina, se houver. Em caso negativo, será necessário recorrer ao site do fabricante da distribuição Linux, a fim verificar a existência de driver para seu modelo de impressora. Salve as configurações (botão Aceitar). Por fim, clique no nome da impressora e acione o botão Testar para imprimir uma página e verificar se a configuração está correta.


O único programa externo adicionado ao Linux foi o antivírus da Kaspersky. Instalado nas duas máquinas, o programa não revelou nenhuma incompatibilidade com o Conectiva 7.0. O Kaspersky Antivirus é shareware e, quando registrado, tem versões pessoal e servidor. A primeira custa 50 dólares, contra 370 dólares da segunda. Portanto, para uma rede de dois micros, é mais vantajoso instalar uma cópia pessoal em cada estação.





 
                   Informações retiradas da (info-abril)
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