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QUEM PENSA, NÃO CASA!

Imagine um lugar onde as pessoas sempre que te observam a sonhar acordado repetem em tom aconselhador: "quem pensa, não casa".

Eu sempre quis compreender o significado desta expressão que parecendo trivial, no entanto é rica de significados.

Não me recordo de tê-la ouvido antes dos doze anos de idade, época em que não tinha ainda ouvido a palavra 'devaneio' e me questionava sobre o valor de tê-los ou não. Para tanto, me isolava das pessoas ao meu redor e mergulhava em um mundo desconhecido para mim.

O livro intitulado "psicologia da evolução possível ao homem" do escritor russo Piotr Demianovich Ouspensky, juntamente com as pessoas com as quais conviví foram os primeiros a me darem uma resposta clara a essa questão.

Os devaneios agradáveis ou desagradáveis são como uma espécie de excrescência dos pensamentos e da imaginação;uma espécie de fuga da realidade traduzindo-se em evitar o uso do pensamento direcionado para coisas úteis, evitando o trabalho coordenado do pensamento e seguindo a lei do menor esforço, no sentido de, através do uso da memória e da imaginação, reviver, ou mesmo antever situações que dão prazer, ou mesmo desprazer. Ou seja, há também participação de nossa afetividade ou emoções.

Uma das consequëncias de tal uso do "pensamento" é a criação do hábito ou vício de estar sempre sonhando acordado, atrelado ao fato de que junto com o devaneio vem a conversação interior sem fim, que em não raros momentos chega a se externar de forma audível - nos tornamos insanos, embora de forma reversível.

Quando não estamos lendo algo com atenção ou conversando ou fazendo algo definido, nosso pensamento tende a se reproduzir por si só, com a ajuda da natural cadeia de associações. A nossa linguagem tende a expressar esse movimento em palavras ou mesmo imagens e uma segunda conseqüência é que deixamos de ouvir. Não podemos ouvir de verdade enquanto estamos conversando indefinidamente com nós mesmos.

Nesses momentos, durante uma conversação ou em que estamos distraídos, a sós, e completamente alheios ao mundo, costumamos ouvir nosso interlocutor ou passante repetir: "quem pensa, não casa".

Não era raro ouvir essa expressão popular, esse aforisma de cunho psicológico e de grande profundidade para mim nos dias de hoje e que toma forma de um exercício prático:"não é bom sonhar demais;acorda!"

Como se pode concluir, esse aforisma está firmemente relacionado a atenção e suscita um outro que é bem conhecido em nosso meio, mas antes devo declarar que depois do hábito do devaneio estar bem estabelecido em nós, ou seja, na idade adulta, pode ser muito difícl de se lutar contra ele, como qualquer outro hábito. E o método é simples embora possar não ser fácil para todos. Deve-se reaprender a pensar com atenção,novamente.Afinal de contas, até o casamento poderá estar em jogo!

11.01.02

R of B

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