SANGUE NA VEIA AFC

AMÉRICA FOOTBALL CLUB

100 ANOS DE LUTA


"JAMAIS ABANDONAR O AMÉRICA, NEM MESMO NAS SUAS PIORES CRISES"

FUNDAÇÃO: 23 DE ABRIL DE 2000


"PREDESTINAÇÃO PARA A LUTA"

"Esta foi a gênese.

Hoje, não se cria mais clube assim. Nem naquele tempo - esta é que é a verdade. O América foi um caso excepcional. Um milagre. A fundação de um grêmio consubstancia sempre a tentativa de vivificar um desejo. Mas, para perpetuar no tempo o ideal que se busca, impõe-se a adoção prévia de planos capazes de armar seus pioneiros contra as inevitáveis tormentas. Ou que se encontre patrono magnânimo, disposto a abrir seus cofres para o custeio de alicerces duradouros.

O América não teve uma coisa nem outra. Nasceu pobre e sem programação, sonho romântico de sete rapazes modestos, que tinham para dar, além do vigor juvenil de suas energias, apenas as sobras escassíssimas de seus parcos ordenados e os curtos intervalos de suas atividades comerciais.

Os clubes são como as pessoas. Trazem do berço uma predestinação. Para que sua obra se imortalize, cabe a seus adeptos domar o determinismo ingênito e conformá-lo com os elevados desígnios que têm em vista.

O América nasceu com a vocação da luta, do combate incessante. Mais tarde, um dos seus maiores líderes, o admirável Belfort Duarte, poderia proclamar, com razão: "O América não recebe nada de graça; tem de lutar pra viver"...

Mas esta lição, seus simpatizantes já haviam aprendido com Alfredo Koehler, com Jaime Faria Machado, com Romeu Maina e com tantos outros heróis, desde as primeiras jornadas"

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"UM TITULO INVEJÁVEL"

"O campeonato do Centenário foi um certame sem precedentes na história do futebol carioca. Os próprios clubes caracterizaram-no, antecipadamente, como um torneio singular, excepcional, cujo título inédito só oferecia oportunidade de conquista cem anos mais tarde. Todos se prepararam como nunca e empenharam toda sua pujança na luta vigorosa pelo ambicionado galardão.

O campeonato do Centenário, tornamos a dizer, não foi um certame como os outros. Quem puder que nos desminta. Foi precedido por uma espécie de desafio, de acordo não escrito, mas aceito por todos, que garantia - e por si mesmo justificava - ao vencedor, cem anos de comemorações. De sorte que a torcida americana deste fim de século, ao ufanar-se pelo laurel exclusivo, não faz uso senão de um direito outorgado por seus predecessores, que o conquistaram no campo de lutas, mercê da superioridade que ostentaram contra os demais postulantes. Aos adeptos dos brilhantes e valorosos coirmãos cabe apenas uma atitude: curvar-se resignadamente ao nosso êxito e anelar melhor sorte para seu pavilhão...em 2022..."

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"IRREVERÊNCIA SÓ NO SÍMBOLO"

Foi o caricaturista Molas, um argentino que, durante certo tempo, militou na imprensa carioca, quem popularizou o diabo como a figura representativa do América.

Símbolo espirituoso e inocente, gerado com simpatia, deve ter sido inspirado ao artista por encarnar perfeitamente o ardor e a malícia que, além da cor vermelha da nossa camiseta, identificam, nas praças de esportes, os atletas rubros.

A princípio, sua aceitação foi total. Depois, atribuiram-se-lhe induções desfavoráveis e passou a ser combatido, por muitos, como a principal causa de nos faltar sempre a ajuda da sorte.

Não cremos na justiça de tais restrições.

Os "diabos rubros" não têm o toque do mal ou do pecado. Não são emissários do senhor dos infernos. Sua flama e sua inquietude manifestam-se, tão somente, na ardorosa e legítima defesa do sagrado pavilhão que amam. Cometem, apenas, "diabruras esportivas".

A fé religiosa dos americanos nada tem a ver com isso. Ela está expressa na esperança que depositamos em nossos padroeiros,

Nossa Senhora das Graças e São Jorge, aos quais reverenciamos com a mais piedosa e cristã devoção."

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"MONTEVIDÉU, JULHO DE 1951"

"A OVELHA PARA O CULTO"

"Governo, povo e imprensa uruguaios, unidos à entidade máxima do futebol local e aos clubes, decidiram emprestar indedscritível pompa ao aniversário da conquista do título mundial, que, um ano antes, a 16 de julho de 1950, haviam obtido, derrotando a seleção brasileira em pleno Maracanã. A data gloriosa foi convertida em feriado e como, por coincidência, o dia 18 já normalmente o fosse - consagrado ao "Juramento da Constituinte", suspendeu-se o trabalho em Montevidéu, durante o tríduo 16, 17 e 18 do mencionado mês, para dedica-lo, integralmente e com exclusividade, às celebrações do esplêndido feito.

O fecho das comemorações seria o lançamento da pedra fundamental do "monumento às conquistas do futebol uruguaio nos campeonatos olímpicos e mundiais". E, como ápice, nada melhor do que preceder a solenidade por uma partida entre o Peñarol - que, bem comparado, era a própria "celeste" - e uma equipe brasileira, que selecionariam entre as de melhor categoria, mas que não tivesse condições dee empanar o brilho do espetáculo com uma inoportuna vitória.

Esse era o papel reservado ao América. Fazer realçar o poderio do futebol oriental, comprovando, "mais uma vez", sua superioridade sobre os brasileiros."


"UM GOLPE BEM URDIDO"

"A embaixada americana viajou a 11 de julho desconhecendo tudo isso. Ingenuamente, supôs que, como assentado, iria participar de um quadrangular, do qual a peleja contra os peñarolenses seria a segunda etapa. (...)

No Aeroporto de Carrasco, em meio à gentilíssima recepção dos desportistas locais - entre eles nosso querido Abril Perez, zagueiro direito da equipe campeã do Centenário - houve a comunicação de que o torneio "estava difícil", mas que todas as providências seriam tomadas para garantir as três partidas contratuais. Logo em seguida, vem a confirmação: os jogos seriam contra uma seleção formada por jogadores dos pequenos times uruguaios, contra o Peñarol e contra o Nacional.

O plano estava montado."


"PARA QUEM É O BOM BOCADO"

"De fato, estreamos a 15, empatando em 1 tento com um bom combinado oriental, uniformizado com a "celeste", e que incluía três campeões do mundo.

Depois, veio o prometido show.

No dia 18 de julho de 1951, uma multidão enorme, eufórica e vibrante, lotou o Estádio Centenário e mal se continha, em alucinante embriaguez coletiva, na expectativa de que o inexpugnável Peñarol, com oito campeões do mundo a defender-lhe as cores, esmagasse os incautos brasileiros. "Arriba Peñarol, arriba Uruguai".

Aconteceu, porém o que não estava no figurino. Eles deram o baile, mas quem dançou fomos nós. Despertados em seus brios, os americanos desdobraram-se em entusiasmo e impuseram nosso ritmo, o "tico-tico no fubá", segundo a crônica. Um, dois, três gols, contra apenas um, dos locais, "de honra", feito de pênalte! Vitória do América. Vitória do Brasil!

Após a partida, a pedra fundamental foi lançada. Melancolicamente, sem a presença dos campeões homenageados, nem da torcida, que, em sua maior parte, o América mandou pra casa, já na metade do segundo tempo.

Não nos alegramos em ter estragado a justa festa dos nossos simpáticos anfitriões. Eles que nos compreendam. O fato é que nossos atletas, durante os noventa minutos do jogo, tinham em seus corações a lembrança de mais de cinqüenta milhões de conterrãneos, que lhes exigiam sempre um esforço adicional, para que o futebol de nosso país não perdesse o respeito que o povo uruguaio pretendia negar-lhe.

O América privou o desporto brasileiro de uma das suas mais ameaçadoras humilhações! O fabuloso episódio, por isso mesmo, é, ainda hoje, mencionado na imprensa nacional, estando inserido, definitivamente, nos anais da história do futebol de nossa Pátria como um de seus mais gloriosos feitos."

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"O FRUSTRADO ENTERRO DE PENAFORTE"

"(...) Vencidos no último jogo do campeonato, perdemos também o título máximo, que ficou de posse de nosso adversário, o Flamengo. Em meio ao ambiente desolado da derrota, surge a notícia de que a torcida do novo campeão organizara uma passeata para "enterrar" Penaforte, ex-zagueiro rubro-negro que se havia transferido, naquele ano, para o América. Pior ainda: os manifestantes pretendiam consumar o ato diante da sede do América.

O simples aviso soava como afronta. Armando de Paula Freitas, um americano "doente", recebe-o com altivez. Responde que não permitirá a humilhação. Ao ver aproximar-se a caravana provocadora, como recurso derradeiro, coloca-se sozinho, no meio da via pública. E adverte: "Por Campos Sales, só passam sobre o meu cadáver". Os desafiantes, descrentes da firmeza do propósito suicida de Armando, não interrompem a marcha, avançam com o cortejo. O primeiro carro, que conduzia o caixão, pega o torcedor americano bem no peito e derruba-o, fazendo-o desaparecer sob as rodas. A situação incômoda preocupa a todos. Eis, entretanto, que Paula Freitas ressurge...E seu primeiro movimento é para arrancar do veículo o caixão com o boneco! Atônito com tamanha bravura, o chefe dos manifestantes percebe que não poderá cumprir seu intento. Desiste: "Pode levar que você é homem!" Cambaleante, Paula Freitas retorna à sede do América, conduzindo vitoriosamente, como troféu, os restos do caixão arrebentado.

Um clube capaz de despertar tamanho heroísmo - há outra definição que se aplique? - Tem que ser eterno! Nunca se dobrará quaisquer que sejam as intempéries..."

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"O CAMPEONATO DE 1914"

"O epípeto "Pó de Arroz" nasceeu no dia 13 de maio, por ocasião da partida entre Fluminense e América, quando, pela primeira vez, os ex-americanos que se bandearam para o tricolor enfrentaram seu antigo clube. A torcida rubra, ao darem entrada em campo as equipes, gritou, em coro, "pó de arroz", referindo-se a Carlos Alberto Fonseca Neto, um dos dissidentes, que, para disfarçar sua cor amulatada, costumava empoar-se, no vestiário. Enquanto ele esteve em Campos Sales, o fato foi tido como normal; sua transferência, porém, ensejou a curiosa represália da torcida, tão irreverente naquele tempo como hoje"

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"QUANTOS SOMOS"

"Vem se tornando frequente a publicação de estatísticas comparativas da quantidades de adeptos de cada clube da cidade. Nelas evidencia-se a verdade que o América é o que menos cresceu, proporcionalmente, em relação ao grau de intesificação do interesse popular pelo futebol, sobretudo após a copa do mundo de 1950.

No decurso dos anos difíceis por que passamos, além de não ter criado maiores incentivos para a adesão de novos correligionários, perdemos a solidariedade de alguns, que transplantaram suas simpatias para outros clubes eventualmente mais na moda, por que os profissionais a seu soldo obtiveram maior número de efêmeras vitórias.

Não guardamos ressentimentos de nenhum desses "vira-casacas" faltou-lhes pertinácia, humildade, e, de qualquer modo, força de convicção de sentimentos. Desculpem-nos a franqueza: não nos fazem falta. Preferimos nossa falange assim, formada por menos gente, mas toda ela bem avisada da opção que fez e ciente de que o América é um clube tijucano, da classe média, e pretende continuar eternamente a sê-lo, conforme a inspiração dos sete comerciários, pobres e idealistas, que o fundaram."

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"UM ETERNO CAMPEÃO"

"Vinte e cinco anos sem título!

Quantos clubes resistiriam a isso?

Poucos, além deste destemido América, um clube singular, que não precisa ganhar campeonatos para ser campeão - campeão ele foi e será sempre, pelo que tem de modesto e valoroso, de pequeno ante os pequenos e de imenso entre os poderosos...

"Deus salve o América!"

TRECHO DO LIVRO: "CAMPOS SALES 118 - A HISTÓRIA DO AMÉRICA"


"A TIJUCA DE CHUTEIRAS: O AMÉRICA F.C. - FERNANDO VALLE"

- Pioneirismo: Eis algumas iniciativas que o América tem a seu crédito:

- O futebol de salão - hoje futsal - nasceu no Brasil. E no América. Todos sabemos que o futebol veio da Inglaterra e o basquete, dos Estados Unidos. O que poucos de nós sabemos é que o futsal é brasileiro, única modalidade esportiva, por sinal, que praticada nos quatro cantos do globo, às vésperas de tornar-se olímpica, teve origem em nossa pátria. E no América. A primeira entidade organizada para institucionalizar esse esporte, jogado, até então, por simples lazer, sem normas ou regras, senão as ajustadas na hora pelos próprios praticantes, foi, em todo o mundo, a Federação Carioca de Futebol de Salão, hoje Federação de Futebol de Salão do Estado do Rio de Janeiro, cuja fundação, em 28 de julho de 1954, foi na sede do América, em reunião promovida pelo clube. Seu primeiro dirigente foi um dirigente do América, assim como o sucessor dele. A primeira sede foi em dependência do América e seu escudo é uma adaptação do escudo do América;

- A saudação à torcida adversária e ao adversário, feita, pela primeira vez, em 13 de junho de 1909, em jogo contra o Botafogo;

- A separação das torcidas adversárias, novidade aplicada no dia 8 de maio de 1913, no jogo contra o Americano;

- O uso do placar, criado em 27 de agosto de 1906, em jogo contra o Flamengo;

- A inclusão de jogador negro no time: Manteiga, em 1921;

- A idéia de organização de um campeonato sul-americano, proposta à Liga Metropolitana, em 16 de setembro de 1913, não aproveitada senão três anos mais tarde, porém pelos argentinos;

- A sugestão, em 1908, de construção de um estádio comum a todos os clubes, que nele jogariam "em condições de igualdade" idéia consumada em 1950, com a criação do Estádio Mário Filho; e o emprego nele do sistema de cadeiras cativas, que o América imaginava, em 1947, para financiar a não consumada construção de sua praça de esportes;

- O América foi o primeiro clube brasileiro de expressão a visitar: Belo Horizonte, em novembro de 1911; - Recife, em novembro de 1915; - Salvador, em setembro de 1921. 6 palavras finais: o tijucano América é um grande clube.

De posição marcante na sociedade brasileira, está entre os maiores e mais tradicionais clubes do país, pelos seus invejáveis patrimônio moral e material. Não disputa, é de se admitir, liderança em popularidade; contudo, pertencem-lhe, na voz unânime do povo, as taças de o mais simpático e do menos rejeitado.

Suas glórias são muitas, mas, a maior de todas, os americanos ufanam-se em proclamar, que é a de tê-las alcançado na prática dos mais rigorosos princípios da ética e da dignidade esportiva.

O América, repito, é um grande clube.

Porque a dimensão de uma agremiação há de ser medida pela contribuição que presta ao desporto, ao aperfeiçoamento eugênico do povo, à formação do caráter do jovem, pelas tradições de luta e de conquistas, pelas lições que dá do verdadeiro sentido olímpico das disputas, pelo entusiasmo que desperta em seus aficcionados.

TRECHO DO LIVRO: "A TIJUCA DE CHUTEIRAS: O AMÉRICA F.C". - FERNANDO VALLE


"JAMAIS ABANDONAR O AMÉRICA, NEM MESMO NAS SUAS PIORES CRISES"

 

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