Soneto 19

 

Num bosque que das Ninfas se habitava,

Sílvia, Ninfa linda, andava um dia;

subida numa árvore sombria,

as amarelas flores apanhava.

 

Cupido, que ali sempre costumava

a vir passar a sesta à sombra fria,

num ramo o arco e setas que trazia,

antes que adormecesse, pendurava.

A ninfa, como idôneo tempo vira

para tamanha empresa, não dilata,

mas com as armas foge ao Moço esquivo.

 

As setas traz nos olhos, com que tira.

Ó pastores! fugi, que a todos mata,

senão a mim, que de matar-me vivo.

Luís Vaz de Camões

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