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Revista Porto Seguro Brasil, Janeiro de 2004.

 
   

By José Ruy Granda

   
   

 

Maria Rita está ali, em pé, no camarim. Acaba de chegar ao Teatro Alfa, em São Paulo. É a grande estrela da noite, na festa de lançamento da revista Porto Seguro Brasil. Recebe cumprimentos e flores. Que retribui com um ligeiro corar. "Obrigada a vocês. Sempre sonhei cantar neste teatro." Ela é toda low profile. Calça e casaquinho cinzas, os cabelos negros e curtos bem presos, óculos de lentes grossas, o corpo um tanto incerto sob o peso desses detalhes todos. Apesar do sorriso, descaradamente lindo, parece tímida a nossa fada madrinha.

Sob as luzes do palco, meia hora mais tarde, a timidez se evapora. Maria Rita chega com uma saia longa e justa, prováveis lentes de contato nos olhinhos puxados, os cabelos agora soltos. Começa a cantar e quase todas as 1 200 cabeças presentes põem-se a traçar paralelos entre ela e sua mãe, Elis Regina. As vozes, se você fechar os olhos por alguns instantes, chegam a ser iguaizinhas. Fisicamente Maria Rita lembra muito a mãe. Mas tem lá seus próprios trunfos. É sensualíssima no palco. Faz caras e bicos, requebra, ondula suavemente a cintura. Após certo tempo, fica descalça. Tem um jeitinho levemente riponga e, de longe, o mais belo quadril da atual MPB.



A cada canção, Maria Rita vai se impondo. Em certos momentos, a memória de Elis paira, constante e sutil como um backing vocal. Esse misteriozinho até que faz bem ao show. Meu colega de platéia sentencia: "Aposto que um dia ela vai acabar gravando um CD com os maiores sucessos da mãe se bobear, até fazendo um dueto virtual com ela, que nem o Nat King Cole e a filha". Será?

A imprensa adora atiçar essa dualidade. E o público, tirar essa teima. Para Maria Rita, porém, o assunto herança materna parece relativamente bem resolvido. Tanto que ela própria o lançou à roda, numa tocante declaração de amor à mãe feita durante o show. Palavras mais ou menos assim:

"Tenho poucas lembranças de minha mãe. Quando ela morreu eu era criança. Vim a conhecê-la melhor nas entrevistas gravadas pela TV. Numa delas, perguntada sobre o que mais desejava para mim, que acabara de nascer, ela disse: 'Leveza! Eu adoraria que ela não precisasse carregar tantas coisas pesadas pela vida'. Acho que hoje em dia eu finalmente consigo compreender essas palavras dela. Pode deixar, mãe", diz Maria Rita olhando para o alto. "Eu percebi e estou tentando."



Depois dessa, sucumbem os derradeiros renitentes. A platéia está dominada seduzida pela graça picante dessa garota de 26 anos. O CD de estréia vendeu feito água (os últimos números falavam em 350 mil cópias). O primeiro DVD, com uma apresentação no Bourbon Street, é uma delícia. Seu nome, aos poucos, vai se tornando sinônimo da mais nova mania musical brasileira.

Um show que os convidados dificilmente esquecerão. O primeiro de Maria Rita para um grande público. Uma espécie de largada informal da turnê que, dias depois, ela iniciaria pelo Brasil. E um dos últimos antes que soubesse que estava grávida. Uma notícia que, na história dela, muda tudo. Pois é! A filha agora vai ser mãe...

 

 

 
         
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