Home Do Fundo do Baú Abrindo o Baú Revirando o Baú Coisinhas do baú Baú no Orkut Contato
     
 

Capa da Revista MTV- 12 de julho de 2003

 
   

Nunca faltou inspiração para Maria Rita ser cantora. Ela é filha de Elis Regina e César Camargo Mariano mas, antes de assumir seu destino inevitável, saiu pelo mundo estudando e fazendo a cabeça.

By Bia Sant'Anna e Ricardo Cruz

   
   

 

Quando você mudou para os Estados Unidos, o que foi fazer lá?
Mudei com 16 anos. Fui morar com meu pai e depois estudar em Nova York. No total foram oito anos.

Você estudou música?
Não. Na verdade minha preparação nesses oito anos não foi musical, foi emocional. Aqui no Brasil eu pensava : "Será que sou amiga dessa pessoa porque sou filha da Elis?" Uma vez li uma entrevista do Sean Lennon e falei: "Alguém me entende". Ele discutia bem essa coisa de que você acaba perdendo sua identidade, que entra numa neura mesmo.

Como era aqui?
Ah, às vezes falavam: "Essa aqui é minha amiga, filha da Elis", e eu: "Mas você pode me chamar de Maria Rita", entende?

E lá alguém sabia quem é sua mãe?
As pessoas do meio. Mas, uma vez, um moleque americano chegou dizendo que fazia 19 anos que minha mãe tinha falecido e 19 anos que ele tinha nascido. Aí, quando eu confirmei que era filha dela mesmo, ele ajoelhou e chorou, dizendo: "Sua mãe mudou minha vida, eu tô estudando música por causa dela".
Parece que ele teve uma babá brasileira, ou algo assim.

 Incomoda as comparações que fazem com sua mãe ou mesmo falar dela nas entrevistas?
Eu sou uma pessoa de pavio curto, e dou meu recado. Quando a pessoa vem falar que eu vim tomar o lugar dela, não tenho o menor saco. Acho irresponsável, falta de respeito. O lugar dela não está disponível!

Como a idéia de ser cantora apareceu na sua cabeça?
Eu vivia cantarolando. Até que um amigo me colocou num show de calouros da faculdade, em Nova York. Eu cantei Velha Roupa Colorida, porque tinha algumas frases em inglês. Acabei tirando primeiro lugar. Mesmo assim ainda estava nesse "processo de negação". Então resolvi apostar no meio-termo e consegui uns estágios em gravadoras. Mas sabe quando sempre está faltando alguma coisa? Bom, agora eu tô aqui!

O que o seu pai acha de você ter resolvido cantar? Quando ele viu as matérias publicadas, tão bacanas e respeitosas, como é que foi?
Ele mandou um e-mail dizendo que a estréia no Supremo, com o Chico Pinheiro, tinha sido correta, que estava muito orgulhoso, sabia que não seria diferente. Mas ele gostou mais ainda quando viu o show, né?

E agora, depois dessa participação no show do Chico Pinheiro, o que você anda fazendo? Ensaiando, escrevendo, tocando?
O máximo que eu escrevo é um desabafo! E também não toco nenhum instrumento. Queria ter aulas de piano pra estudar sozinha, me descobrir mais. Também tenho saído muito, ido a shows, conversando com muitos músicos.

Você vai gravar um disco?
Primeiro, quero trabalhar mais minha voz.
Ninguém acredita, mas comecei a cantar há pouco tempo. No colegial eu fiz coral e só! Meus planos são de lançar um disco até o fim do ano que vem.

E já pensou no repertório?
Quero música bem brasileira. E música que, na minha visão, seria música boa: não de música burra. Vai ter um pouco de Djavan, um projeto com o Paulinho Jobim e também tem muita gente compondo pra mim, o que na verdade me deixa bem emocionada.

E da Elis, você vai cantar alguma coisa?
Tenho vontade de fazer uma homenagem, sim, mas seria com essa intenção pura e exclusivamente de homenagem. E assim também eu já fico livre dessa história, né?(risos)

 

 
         
1