Revista Oi - Número 4  
   

Maria Rita Mariano, cantora em busca da própria voz

By André Luis Barros

   
   

Como a maioria dos brasileiros de sua idade, Maria Rita Mariano, 25 anos, cresceu acostumada a encontrar, por toda parte, fotos, gravações e vídeos de sua mãe, Elis Regina (1945-1982). A seu modo, teve de aprender a lidar com isso. "Quando ouço a voz ou vejo imagens dela, não sinto como se fosse minha mãe. Ali é a grande cantora", diz.
Uma frase de quem só tinha 4 anos quando Elis morreu, entretanto, revela que o assunto não é tão bem resolvido assim: "Gravações e vídeos são as únicas coisas que eu tenho dela". Não sobrou nem um jeito de cantar? "Nunca imitei conscientemente seu estilo. Fiz muito isso com a Ella Fitzgerald. Mas o subconsciente prega peças na gente", diz .Inteligente ("Para cantar, abandonei ambições intelectuais") e bonita. Maria Rita não tem trejeitos maternos na voz, apesar da semelhança física, idêntica é a qualidade técnica, apesar de ainda ser uma iniciante. Desde que voltou dos EUA em fim de 200 (Maria Rita passou a infância e adolescência por lá), ela enfurnou-se num estúdio para ver no que dava. Em maio de 2002, estreou o primeiro show . "Sempre quis ser cantora, mas fingia que não. Fui estagiária de gravadora e até bibliotecária", conta. Maria Rita viveu a história típica da filha que quer seguir trajetória diferente da da mãe, até constatar que não havia escapatória: Minha árvore genealógica é toda musical, não tinha jeito", conforma-se a filha do tecladista e arranjador César Camargo Mariano e irmã do cantor Pedro Mariano e do produtor João Marcello Boscoli. Contratada pela Warner, Maria Rita tem referências bem diferentes das da geração da mãe. "Me amarro em black music e hip hop. Nesse campo, viva o imperialismo", brinca, dando pista sobre o disco que está por vir.

 

 
         
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