A FACA NA ALMA
Tenho um coágulo na alma,
Sangue preto , pisado que amor nenhum
Dissolve, pertenço à eterna estirpe das traídas.
Apaixonada, confiante, senti as unhas da outra como garras
Afiadas se afundarem em minha carne, deixando sangrar
Profundamente o corpo, a alma e a minha vaidade.
Perdi para sempre meu jeito alegre de sorrir,
A forma ingênua de olhar.
Foi-se o meu prazer de viver, de ser mulher!
O coágulo se instala na alma e jamais de dissipa.
A dor se torna tolerável, mas, nunca esquecida.
A traída sai à rua assustada, sempre com o medo
De encontrar o casal e ter novamente a horrível
Sensação da faca entrando no peito.
O coração dispara, as pernas tremem,
O ódio vem à boca com sabor amargo de vingança,
Misturada com a fraqueza, já mais que provada
da sensação De impotência .
Nada posso fazer!
Só trancar o coração dentro do peito
E nunca mais abri-lo para amor algum.
Considero a traição uma forma cínica de matar o outro.
Porque deixando-o fisicamente vivo, nunca é
passível de punição.
Então mataria o traidor? Nunca.
Pior que um coágulo na alma
É a intensa ferida de ser humilhada como assassina.
Melhor matá-lo sim, mas só na nossa imaginação.
ZEZÉ DE MELLO
----- Original Message -----
From: Maria José de Mello
Sent: Tuesday, December 05, 2000 8:57 PM
Subject: A Faca na Alma
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