Major Álvaro Jorge Moreira
Major Álvaro Jorge Moreira e Tia Melânia em 1913.
Original do acervo particular do autor, Aurélio Bernacchi.
A melhor maneira de falar de meu bisavô Álvaro Jorge, é transcrever uma matéria de 1915, sobre ele, que foi guardada por exatos 92 anos, primeiro por minha saudosa avó Carmem, e depois do falecimento dela, por meu finado Pai, Arildo Moreira Bernacchi:

São Paulo,  Quinta-Feira 29 de Abril de 1915 – Jornal A CAPITAL (Jornal Independente)  – ANNO III – Número 287


Primeira Pagina (
Em inteiro teor) :

Faz annos hoje,sr,Major Álvaro Jorge Moreira, Delegado Fiscal do Governo Federal em São Paulo.
Todos que tem a felicidade de privar com a zelosa autoridade, vêem nella o funccionario competente, recto, integro e superior.
É, pois, de Jubilo para seus innumeros amigosa passagem da data de hoje e que s. exa, festeja entre nós.
O Major Álvaro Jorge Moreira nascera a 29 de Abril de 1859.
A sua fé de officio, como os leitores verão abaixo, é brilhantíssima.
Só ella vale por um triumpho que o digno funccionario conquistou na jornada do funcciolismo.
Ei-la:
Á
27 de Novembro de 1879, foi nomeado praticante do Thesouro Nacional, tomando posse e entrando em exercício no dia 28;
Á
29 de Agosto de 1882, foi nomeado 3º escripturario d’Alfandega do Rio de Janeiro. Entrando em exercício no dia 1º de Setembro;
Á
5 de Janeiro  de 1883 foi nomeado 3º escripturario do Thesouro Nacional, assumindo a posse e exercício no dia 12;
á 8 de Agosto de 1885, foi designado para servir na secretaria no concurso da segunda entrância do Ministério da Fazenda;
Á
20 de Outubro de 1885, foi designado para servir como auxiliar de gabinete do Ministro da Fazenda;
de 9 de Janeiro á 18 de Abril de 1886, entrou em gozo de licença e á 11 de Outubro do mesmo anno, foi nomeado 2º escripturario do Thesouro Nacional; foi depois designado pelo director das Rendas, para servir como auxiliar da commissão incumbida de organizar as rendas provinciaes. Cargos este que exerceu desde 21 de Abril até 13 de Agosto de 1887;
Á
8 de Fevereiro de 1890 foi designado para servir como auxiliar da commissão incumbida da tomada de coatas de “Socorros Públicos”, no estado do Ceará. E teve nessa commissão, de 20 desse mez até 9 de Setembro do mesmo anno;
Á
31 de Maio de 1892, foi nomeado inspertor da Thesouraria da Fazenda do Estado de Parahyba, onde serviu até ser extincta a mesma repartição em 31 de Março de 1893;
Á
28 de Março de 1893, foi nomeado 1º escripturario doThesouro Nacional; tomou posse deste cargo a 24 do mez seguinte;
De
9 de Setembro até 21 de Janeiro de 1894 serviu à Guarda Nacional em defeza do governo legal, tendo sido elogiado e agraciado com as honras do posto de Capitão do Exercito;
Em Junho do mesmo anno foi nomeado para inspecionar as repartições de Fazenda do Estado do Paraná, onde exerceu essa commissão até 12 de Novembro desse anno;
Á
6 de Setembro de 1895, foi elogiado pelo Ministro da Justiça por serviços prestados como secretario do Conselho de Revista da Guarda Nacional;
Em 1898 foi designado para fazer parte, como representante da Fazenda, junto a estrada de ferro Minas e Rio, na tomada de contas;
No período de 03 de Agosto a 31 de Maio de 1901, serviu como sub-director da 2ª Sub-Directoria de Contabilidade por designação do sr. Ministro da Fazenda;
Em 1902, de 18 de Outubro a 31 de Dezembro, serviu como substituto da mesma Sub-Directoria;
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9 de Janeiro de 1904, foi nomeado para servir em commissão na Imprensa Nacional, voltando ao Thesouro á 24 de Março do anno seguinte;
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03 de Novembro de 1906, foi nomeado Delegado Fiscal em commissão, no Estado de Goyaz e a 7 de Maio de 1908, foi exonerado dessa commissão a seu pedido;
Neste anno foi designado para fazer parte, como representante da Fazenda junto a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, na tomada de  Contas;
Á
3 de Março de 1910, foi designado para exercer o cargo de Escrivão da 1ª Pagadoria do Thesouro Nacional, onde serviu até 13 de Julho, sendo elogiado pelo sr. Ministro da Fazenda e pelo sr. Director da Despeza Publica, devido a ordem e boa organisação dos serviços dessa repartição;
Á
16 de Junho de 1910, foi nomeado Delegado Fiscal em commissão no Estado do Paraná, onde esteve até 9 de Janeiro do anno seguinte, por ter sido chamado por telegramma superior, para assumir nova commissão do Thesouro Nacional;
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07 de Janeiro de 1911 foi pelo sr. Ministro da Fazenda, designado para exercer o cargo de substituto da Sub-Directoria da Despeza Publica; neste mesmo anno foi pelo sr. Director da Despeza incumbido de presidir o inquérito determinado pelo sr. Ministro da Fazenda, para apurar a responsabilidade do artigo publicado no “Diario de Noticias”, sob a epigraphe: “Os processos administrativos do Ministro da Fazenda”; foi ainda nesse anno, á 20 de Dezembro nomeado Sub-Director do Thesouro Nacional;
Em
1913 foi nomeado Delegado Fiscal do Thesouro do Estado de Minas Geraes, cujo exercício assumiu a 19 de Julho;
Em
1914 foi designado pelo sr. Ministro da Fazenda para presidir o concurso de 2ª entrância, em Minas Geraes e a 16 de Dezembro nomeado Delegado Fiscal em São Paulo entrando em exercicio a 12 de Janeiro de 1915.
Álvaro Jorge Moreira foi exonerado do cargo Delegado Fiscal do Thesouro Nacional, no Estado de São Paulo, por sua própria iniciativa e  pedido, no dia de seu aniversário de 56 anos, em  29 de Abril de 1915, depois de ter desmascarado um “esquema de fraude” e ter dado entrevista bombástica no Jornal paulista  O COMBATE, em 24 de Abril.
De volta ao Rio de Janeiro, faleceu no mesmo ano (1915), no dia 12 de Setembro, no cargo de Sub Diretor do Thesouro Nacional, depois de carreira brilhante, e reputação de Servidor Honesto e Incorruptível. Deixou 4 filhos:
Dulce Moreira Rebecchi, de seu primeiro casamento com Dona Carolina do Val Pires Ferrão Moreira (1862-1885), de quem descendem os Moreira Rebecchi, da famosa Construtora, no Rio de Janeiro.
Luzia Pires Ferrão Moreira, Álvaro Pires Ferrão Moreira e Carmem Pires Ferrão Moreira, de seu segundo casamento com Dona Eliza do Val Pires Ferrão Moreira (16/03/1859 - ??), irmã de sua primeira esposa.
Carolina e Eliza eram filhas do Cavaleiro da Ordem da Rosa, Farmacêutico, Teatrólogo e Tabelião da Corte de Pedro II, Manoel Hilário Pires Ferrão (13/01/1829 - 29/09/1885) e Carolina Arabella do Val Pires Ferrão (12/10/1837-28/09/1877).
Carolina Arabella, nascida na Fazenda Ubá, em Paty- RJ, de tradicional família de Fazendeiros do  Norte Fluminense, era filha de João Ribeiro do Val (1782-06/08/1864), Português, de Santana da Carnota, Vila de Alenquer, aqui estabelecido no ano de 1816, e de sua Esposa Felicidade Perpétua  Pires de Almeida (18/05/1806-14/08/1876). Sendo estes Patriarcas de Várias Famílias Tradicionais dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Dona Carmem (Pires Ferrão) Moreira Bernacchi  (30/08/1896 - 18/02/1967) &  Joalheiro Augusto Lopes Bernacchi (09/09/1896 - 10/10/1945).
Originais do Acervo do Autor, Aurélio Bernacchi.
Jornal Original Comemorando o Aniversário do Major.
Original do acervo do autor, Aurélio Bernacchi.
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