CMPA - PORTUGUÊS - 2o ANO - 2o GRAU - Profs. Domingos e Maria Izabel            1
MORFOSSINTAXE 


	SINTAXE - "parte da Gramática que se dedica ao estudo das relações que as palavras estabelecem 
		entre si quando se organizam em orações." ( NICOLA & INFANTE, p. 242) 
		A análise sintática examina a estrutura do período, divide e classifica as orações que o 
		constituem  e reconhece a função sintática dos termos de cada oração. 

	FRASE - " UNIDADE DE COMUNICAÇÃO LINGÜÍSTICA" ( CÃMARA JR.,Joaquim Mattoso)
		" É todo enunciado capaz de transmitir, a quem nos ouve ou lê, tudo o que pensamos, 
		queremos ou sentimos."( CEGALLA,P 291)

		Ex.: Silêncio! Sentinela, alerta!     Por que agridem a natureza?
		        A noite estava quente e o dia amanheceu nublado.

	ORAÇÃO - "é a frase de estrutura sintática  que apresenta, normalmente, sujeito e predicado , e,
		excepcionalmente, só o predicado." ( CEGALLA,P. 293)
			S                          P
		Ex.: O aluno        chegou cedo na escola.
				Chovia muito.

	PERÍODO - " é frase constituída de uma ou mais orações."(CEGALLA, p. 294)
		O período é simples quando constituído de uma só oração.
		Ex.: A existência é frágil.
		O período é composto quando constituído de duas ou mais orações.
		Ex.: "Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver."(Milton Nascimento)

	PERÍODO  COMPOSTO
Por coordenação:       
* assindéticas ( não ligadas por conetivos):
"A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta." ( Antônio Olavo Pereira)
* sindéticas (ligadas por conjunções coordenativas):
"É dura a vida, mas aceitam-na." (Cecília Meireles)

		Por subordinação:
a) Oração principal - aquela que tem pelo menos um dos termos representado 
por uma oração subordinada.
b) Oração subordinada - aquela que exerce função sintática em outra oração. 
Se a função for:
* Substantiva: oração subordinada substantiva;
* Adjetiva: oração subordinada adjetiva;
* Adverbial: oração subordinada adverbial.

Forma das orações subordinadas:
a) Desenvolvidas:
* Apresentam verbo numa das formas finitas (tempos do indicativo, subjuntivo, imperativo);
* Apresentam normalmente conjunção ou pronome relativo.
Ex.: Não é segredo  que os dois não se entendem.
		     or. sub. subst. subjetiva desenvolvida
b) Reduzidas:
* Apresentam verbo numa das formas nominais ( infinitivo, gerúndio, particípio);
* Não apresentam conjunção nem pronome relativo; podem apresentar preposição.
Ex.: Eu sinto          existir em meu gesto o teu gesto.
     Or. Principal          or. subordinada substantiva
		   objetiva direta reduzida de infinitivo


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ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

CONCEITO: "Dá-se o nome  de oração subordinada substantiva à oração que tem valor de substantivo e exerce, em relação à principal, a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto,  complemento nominal, predicativo ou aposto."( CEREJA, William  & MAGALHÃES, Thereza. Português:Linguagens, v. 3,p.66)

		ATENÇÃO:

		 a) As orações subordinadas  substantivas são normalmente introduzidas pelas conjunções subordinativas  integrantes que ou se  e por pronome indefinido, pronome ou advérbio interrogativo ou exclamativo. Observe:
				quanto
				quem
		Não sabemos       por que      comprou.
				como
				quando
				onde
		b) Em relação ao emprego das conjunções integrantes, observe que:
* Quando o verbo exprime uma certeza, emprega-se que:
Afirmava que todos colaborariam com a campanha.
* Quando o verbo indica incerteza, emprega-se se:
Não sabia se todos colaborariam com a campanha.

		c) Para nos certificarmos  de que a oração é substantiva, podemos substituí-la pelo termo  
		" isso"( isto, aquilo) ou "coisa", substituindo a expressão que seria representada por um 
		substantivo e com uma das funções sintáticas apontadas acima.
		Ex.: Dizem que o circo chegará hoje. 
		        Dizem             isso.
	   	        Dizem            alguma coisa.

		d) As orações substantivas podem ser reduzidas  de infinitivo.
		       Ex.: Peço-lhes voltarem amanhã. = Peço-lhes que voltem amanhã. 

e) Orações subordinadas substantivas podem estar coordenadas.
Ex.: "Parece que a paisagem tem vida e se ajoelha a rezar." ( Olegário Mariano)
				           ( e que se ajoelha a rezar )  
			"Contei-lhe que Timóteo vendera o forde e se mudara."(Antônio Olavo Pereira)
						                        ( e que se mudara )

CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS  SUBSTANTIVAS

1. SUBJETIVAS:

Exercem a função de sujeito do verbo da oração principal.
Ex.: É necessário    que   você colabore. =  Sua colaboração é necessária.
		            Or. sub. subst. subj.            Sujeito
OBS.: É útil conhecer os verbos e as expressões que habitualmente têm por sujeito uma oração subordinada substantiva. São, dentre outros, os seguintes:
* Certos verbos , sempre na 3a pessoa do singular, como acontecer, admirar, constar, importar, urgir, ocorrer, parecer, suceder e outros;
* Numerosas expressões na voz  passiva ( sabe-se, conta-se, diz-se, é sabido, ficou provado, entre outras);
* Verbo de ligação acompanhado de predicativo ( é bom, é certo, é claro, parece certo, está visto, etc).



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2. OBJETIVAS DIRETAS:

Funcionam como objeto direto da oração principal.
Ex.: O mestre exigia  que todos estivessem presentes. ( or. sub. subst. objetiva direta)
			=
	 O mestre exigia   a presença de  todos. ( objeto direto)

OBS.: As orações substantivas objetivas diretas são iniciadas:
	a) pelas conjunções integrantes que   ( às vezes elíptica) e se;
	b) pelos pronomes indefinidos  que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas;
		Ex.: Ignoro a que pessoas ele se referia. Indaguei de quem eram aqueles quadros.
	c) pelos advérbios como, quando, onde, por que, quão (  às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas.
		Ex.: Eu sei por que ele não veio. Perguntei-lhe quando ia casar. 

3. OBJETIVAS INDIRETAS:

Funcionam como objeto indireto.				
Ex.:  Não me oponho    a que você viaje. ( or. sub. subst. objetiva indireta)
			=
 	  Não me oponho   à sua viagem.( objeto indireto)

OBS.: a) As orações objetivas indiretas são regidas de preposição.
		    b) É freqüente a elipse da preposição:
		       Ex.: " Não me lembrei que estava diante de um cavalheiro..."( Camilo C. Branco),
		    isto é: Não me lembrei de que estava diante de um cavalheiro.
			Ela não gosta (de ) que a chamem de senhora.

4. PREDICATIVAS:

Exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal.
Ex.: Seu receio era    que chovesse. ( or. sub. subst. predicativa)
		         =
       Seu receio era       a chuva. ( predicativo)

       Arnaldo  foi   quem trabalhou menos.
	
5. COMPLETIVAS NOMINAIS:

Têm a função de complemento nominal de um substantivo ou adjetivo da oração principal.
Ex.: Sou favorável     a que o prendam. ( or. sub. subst. completiva nominal)
		         =
	Sou favorável     à prisão dele.( complemento nominal)
		
OBS.: As completivas nominais são regidas de preposição, a qual em certos casos pode ser omitida, como no exemplo: "Zé Grande tinha a impressão que estava voltando a ser criança." (Haroldo Bruno)

6. APOSITIVAS:

Exercem a função de aposto de um nome da oração principal.
Ex.: Só desejo uma coisa:   que  vivam felizes. ( or. sub. subst. apositiva)
			     =
	Só desejo uma coisa :    a sua felicidade. ( aposto)
		





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ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS

	CONCEITO: " As orações subordinadas adverbiais têm a função dos adjuntos adverbiais, isto é, 
	exprimem circunstâncias de tempo, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc." (CEGALLA,
	Novíssima Gramática da Língua Portuguesa,1998,p.362)

		ATENÇÃO:

a) A classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do mesmo modo que a
classificação dos adjuntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração. 

b) A Nomenclatura Gramatical Brasileira reconhece nove tipos de orações subordinadas
adverbiais,  denominadas, de acordo com a circunstância que exprimem, causais, consecutivas, condicionais, concessivas, comparativas, conformativas, finais, proporcionais e temporais.

	c)     Essas orações podem apresentar-se na forma desenvolvida ( verbo na forma finita) , sendo normalmente introduzidas por uma conjunção subordinativa. Também podem surgir na forma reduzida,  apresentando verbo numa das formas nominais ( infinitivo, particípio, gerúndio).
	Ex.: Quando a madrugada entrou, eu olhava a lua à beira-mar.
		        Ao entrar a madrugada, eu olhava a lua à beira-mar.

CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS

1. CAUSAIS:

Exprimem causa, motivo, razão. Introduzidas pelas conjunções subordinativas causais.

Conceito: é aquela conjunção que, além de somar duas orações, faz com que a segunda atribua 
uma causa para a primeira.

Modelo: porque

Sinônimos: pois, pois que, já que, visto que, uma vez que, porquanto, que ( Ex.: A emoção reprimo, que a  não compreenderão.  Isto é:   A emoção reprimo, porque a não compreenderão.)

Ex.: O tambor soa porque é oco.
	Como não me atendessem, repreendi-os severamente.
	Já que ninguém se mexe, temos que agir nós, cidadãos.
	
2. COMPARATIVAS:

Representam o segundo termo de uma comparação. São introduzidas pelas conjunções subordinativas comparativas.

Conceito: é aquela conjunção que  soma duas orações as quais formam uma comparação.

Modelo: como, que ( ou do que )  

Sinônimos:  ( tanto) quanto, quão, do mesmo modo que , da mesma forma que, do mesmo jeito que , assim como, bem como, tal como, etc.

Ex.: Ela o atraía irresistivelmente, como o ímã atrai o ferro.
	A cidade é tal como  você o descreveu.

OBS.: As orações adverbiais comparativas podem se apresentar de duas formas:
* Com o verbo expresso: " A preguiça gasta a vida  como a ferrugem consome o ferro."(Marquês de Maricá)
* Com o predicado ou o verbo subentendido: O esquilo é tão ágil quanto o macaco.
								(= quanto o macaco é ágil)


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3. CONCESSIVAS:

Exprimem um fato que se concede, que se admite, em oposição ao da oração principal. São introduzidas pelas conjunções subordinativas concessivas.

Conceito: é aquela conjunção que, além de somar duas orações, faz com que a segunda conceda
para a primeira uma garantia de que aquela se realizará.

Modelo: embora

Sinônimos: mesmo que, ainda que, nem que , se bem que, conquanto, posto que, apesar de, etc.

Ex.: Joana estudará música, embora não tenha vocação.
	Cumpriremos nosso dever, ainda que todos nos critiquem.
	"Nem que a gente quisesse, conseguiria esquecer." ( Oto Lara Resende)

4. CONDICIONAIS:

Exprimem condição, hipótese. São introduzidas pelas conjunções subordinativas condicionais.

Conceito: é a conjunção que , além de somar duas orações, faz com que a segunda estabeleça
uma condição para a primeira.

Modelo: se

Sinônimos: caso, uma vez que, desde que, contanto que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que.

Ex.: Se o conhecesses, não o condenarias.
	Você pode ir , contanto que volte cedo.
	A cápsula do satélite será recuperada , caso a experiência tenha êxito.

OBS.: a) Às vezes a oração condicional aparece justaposta, sem conetivo.
	Ex.: "Escrevesse eu esses livros e estaria rico." ( Autran Dourado)
	       "Houvesse chegado um minuto antes, ou um minuto depois, e tudo teria sido
	diferente." ( Viana Moog)
		    b) A conjunção se  às vezes apresenta-se com o valor aproximado de visto que , 
		transmitindo idéia de causa a orações que funcionam  como base ou ponto de partida
		de um raciocínio. 
		Ex.: Se a alimentação é uma necessidade básica, cumpre incentivar a agropecuária.

5. CONFORMATIVAS:

Exprimem acordo ou conformidade de um fato com outro. São introduzidas por conjunções subordinativas  conformativas.

Conceito: é aquela conjunção que soma duas orações, estando uma em conformidade com o que se estabelece noutra.

Modelo: conforme

Sinônimos: segundo, como, consoante.

Ex.: O homem age conforme pensa.
Relatei os fatos como ( conforme) os ouvi.
"Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar anos depois."(Machado de Assis)


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6. CONSECUTIVAS:

Exprimem uma conseqüência, um efeito ou resultado. São iniciadas por conjunções subordinativas consecutivas.

Conceito: é a conjunção ou locução  que estabelece uma relação de causa e conseqüência entre a oração principal e a subordinada, pois consecutivo significa "que se segue". Às palavras "tão", "tal", "tamanho" ,"tanto", segue-se-lhes, geralmente, a palavra "que".

Modelo: que antecedido por um desses vocábulos: tão, tal, tamanho, tanto.

Sinônimos: A rigor, essa  conjunção não tem sinônimos.

Ex.: Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
"A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos." ( José J. Veiga)
"Ainda assim, não andei tão depressa que amarrotasse as calças." ( Machado de Assis)

7. FINAIS:

Exprimem finalidade, objetivo. São introduzidas por conjunções subordinativas finais.

Conceito: é aquela conjunção ou locução que, além de somar duas orações, faz com que a segunda  indique a finalidade da primeira.

Modelo: a fim de que

Sinônimos: para que , que .

Ex.: " O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos." ( Marquês de Maricá)
Vamos nos unir a fim de que nossa força seja maior.
"Fiz-lhe sinal que se calasse." (Machado de Assis)
""Orai, porque não entreis em tentação." ( Manuel Bernardes) ( forma em desuso)

	       OBS.: Pode ocorrer a elipse total ou parcial da conjunção conjuntiva final.
	        Ex.: "Quando sentiu que ia chegando, cruzou os braços no peito, não fosse o coração 
	        saltar-lhe." ( José Geraldo Vieira )

8. PROPORCIONAIS:

Denotam proporcionalidade, estabelecem relações de gradação entre  o processo verbal que  exprimem e aquele declarado na  oração principal. São iniciadas por conjunções subordinativas proporcionais.

Conceito: é a  conjunção  ou locução que, além de somar duas orações, introduz fatos que estabelecem uma proporcionalidade em relação ao que se declara na oração principal.

  	        Modelo: à proporção que

Sinônimos: à medida que, ao passo que, ao passo que, tanto mais... quanto mais, tanto menos...quanto mais, quanto mais...mais, etc.

Ex.: À proporção que avançávamos, as casas iam rareando. 
À medida que se vive, mais se aprende.
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo.
Quanto mais se tem, (tanto) mais se deseja.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
	
	       Obs.: Evite-se o uso de "na medida em que" considerada incorreta. Seria melhor usar "porque"
	       ou "por isso que" com valor causal  ou condicional.


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9. TEMPORAIS:

Exprimem as várias modalidades de tempo em que se pode situar o fato expresso na oração principal. São iniciadas por conjunções ou locuções subordinativas adverbiais temporais.

Conceito: conjunção ou locução  que , além de somar duas orações, faz  com que a  subordinada indique o momento,   o tempo em que a oração principal se realiza.

Modelo: quando

Sinônimos: enquanto, assim que, logo que, tão logo, mal, sempre que, antes que, depois que, desde que, etc.

Ex.: "Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver." ( Milton Nascimento/ F. Brant )
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
Sempre que vou à cidade, passo pelas livrarias.
Antes de partir, avise-me. ( reduzida de infinitivo)
Chegando ao colégio, procure a sua sala. ( reduzida de gerúndio)
Feita a partilha dos bens, os herdeiros seguiram seus respectivos caminhos.( reduzida de particípio)




RESUMO:

					      SUBJETIVA
ORAÇÕES SUBORDINADAS                 OBJETIVA DIRETA
	SUBSTANTIVAS		      OBJETIVA INDIRETA
					      PREDICATIVA
					      COMPLETIVA NOMINAL
					      APOSITIVA



					     CAUSAIS
					     COMPARATIVAS
					     CONCESSIVAS
					     CONDICIONAIS
ORAÇÕES  SUBORDINADAS               CONFORMATIVAS
	ADVERBIAIS                                     CONSECUTIVAS
					      FINAIS
					      PROPORCIONAIS	
					      TEMPORAIS
















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ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS

	CONCEITO: "As orações  subordinadas adjetivas têm esse nome porque equivalem a um adjetivo. Em termos sintáticos, essas orações exercem a função que normalmente  cabe a um adjetivo, a de adjunto adnominal." (PASQUALE & ULISSES, Gramática da Língua Portuguesa, p. 429) Referem-se sempre a um antecedente ( substantivo ou pronome).
	Observe: Há coisas que nos comovem. ( or. subordinada adjetiva- refere-se ao substantivo " coisa")
		 	       =
		  Há coisas  comoventes. ( adjetivo - função de adjunto adnominal do substantivo " coisa")

	ATENÇÃO:
		"As orações subordinadas adjetivas são introduzidas pelos pronomes relativos que, quem, onde, o qual ( a qual, as quais, os quais), cujo (cuja, cujas, cujos). 
		Para certificar-se de que a expressão constitui pronome relativo, introduzindo, portanto, uma oração adjetiva, procure trocá-la por o (a)  qual, os (as) quais, junto ou não de preposição. O emprego de tal  artifício não é possível com a palavra cujo e suas variantes, que, entretanto, são sempre pronomes relativos." (  CEREJA, William R. e MAGALHÃES, Thereza C. ,Português: Linguagens, v. 3,p.109)

CLASSIFICAÇÃO DAS  ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS:

	As orações subordinadas adjetivas classificam-se em explicativas e restritivas.

1. EXPLICATIVAS:

" Encerram  uma simples explicação ou informação adicional ao antecedente, já definido plenamente, podendo, por isso mesmo, ser omitida sem prejuízo para o sentido completo do enunciado.  A oração adjetiva explicativa sempre aparece entre vírgulas. " (CEREJA,P. 110)

	Ex.: Rodrigo, que é aluno da  turma 207, recusou-se a responder a pergunta. 

2. RESTRITIVAS:

" Delimitam o sentido do substantivo ( nome ou pronome) antecedente, sendo por isso, indispensáveis ao sentido  completo do enunciado. Liga-se ao antecedente sem vírgula. ( CEREJA, P. 109)

	Ex.: Já assisti à peça que você me indicou. As cartas que estão na gaveta são para você.


ATENÇÃO:

1.Os pronomes relativos que iniciam a oração adjetiva referem-se normalmente a um termo antecedente e assumem varias funções sintáticas:

* Sujeito: Os livros que pertencem à Biblioteca deverão ser devolvidos logo.
* Objeto direto: Aqui está o disco que você me emprestou.
* Objeto indireto: As música de que  gosto são muitas.
* Predicativo: "Reduze-me ao pó que fui." ( Cecília Meireles)
* Complemento nominal: O projeto com o qual ficou entusiasmado não foi realizado.
* Adjunto adnominal: O homem cujo carro comprei embarcou ontem para os Estados Unidos.
* Adjunto adverbial: A cidade onde nasci é muito bonita.
* Agente da passiva: O vendedor  por quem fomos enganados desapareceu.










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3. As orações adjetivas vêm precedidas de preposição ( ou locução prepositiva), sempre que esta for reclamada pelo verbo que as constitui.

	Ex.: Este é um título a que toda moça bonita aspira. ( aspirar a algo)
	        A velhinha era uma dessas pessoas às quais não se pode mentir.


3. Distinção entre orações subordinadas substantivas apositivas e as adjetivas explicativas:
    Ambas podem aparecer entre vírgulas, mas lembre-se que a palavra que, ao introduzir uma oração substantiva é conjunção integrante,  enquanto ao introduzir uma oração adjetiva  é pronome relativo.

				Conj. integrante
Ex.: Ele revelou  as suas razões, que estava cansado e com fome, e foi embora.
				 Or.subord. substantiva apositiva

				Pron.relativo
	Ele revelou as suas razões, que todos já conheciam, e foi embora.
				Or. subord. adjetiva explicativa


Orações adjetivas reduzidas:

         As orações subordinadas adjetivas podem ser reduzidas. Nesse caso não são introduzidas por pronome relativo ( podem ser introduzidas por preposição) e apresentam  o verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) Observe:

	Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
	Ele foi a primeiro aluno a apresentar-se.
	Encontrei os cabos eleitorais que discutiam. Encontrei os cabos eleitorais a discutir.
	O rapaz, mascando chiclete , mantinha-se indiferente a tudo.
	Você já viu os livros comprados pela biblioteca?























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ORAÇÕES COORDENADAS

CONCEITO:
	É  aquela que vem iniciada por conjunção coordenativa , ou por vírgula, ou por  ponto-e-vírgula com valor de conjunção coordenativa e está ligada a outra da mesma natureza sintática.
	No período composto por coordenação, as coordenadas são independentes  ( isto é, não funcionam como termos de outras). 

	Ex.: Este falava e aquele ouvia.
 	        Este falava, aquele ouvia.
	        Este falava; aquele ouvia.


CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS:

1. ASSINDÉTICAS:

São apenas justapostas, separadas por vírgula, sem conjunção.
Ex,: " A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta."(Antônio Olavo Pereira)
  	" O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra." ( Coelho Neto)
	"Jonas dá o sinal de partida, as lanchas se movimentam lentamente, os saveiros acompanham." (Jorge Amado)

2. SINDÉTICAS:

Prendem-se às outras pelas conjunções coordenativas e classificam-se de acordo com o tipo de conjunção que as introduz. Podem ser:

2.1.Aditivas:
	Estabelecem, em relação a outra oração, uma noção de acréscimo, de adição, de seqüência de pensamento, de fatos.

Modelo: E

Sinônimos: nem, não só...mas (também), não somente....como também, não somente...mas ainda.

	Ex.: Ele comprou passagem e partiu no primeiro trem.
	        Ela não somente se orgulhava de seu marido como também o amava muito.
	        As pessoas não se mexiam nem falavam.
	        "Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até nenhum ressentimento ficou  dos atos que ele praticara."( Machado de Assis)

ATENÇÃO:
	As orações coordenadas aditivas devem ser separadas da oração anterior por vírgula quando apresentarem sujeito diferente da primeira oração.
	Ex.: A banda afina os instrumentos, e os cantores fazem exercícios de aquecimento da voz.

2.2. Adversativas:
Estabelecem, em relação a outra oração, uma idéia de oposição, contraste, compensação , ressalva.

       Modelo: MAS
	
       Sinônimos: porém, entretanto, contudo, não obstante, senão, todavia, no entanto.

	Ex.: A espada vence, mas não convence.
	       O time jogou muito bem, entretanto não conseguiu a vitória.
	    O Brasil tem potencial inesgotável; sua má administração, porém, tem produzido apenas a sociedade mais injusta do planeta.  

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       2.3.Alternativas:
	Marcam, em relação a outra oração, uma idéia de separação , de exclusão ou de alternância.

       Modelo: OU...OU

       Sinônimos: ora...ora, quer...quer, já...já.

	Ex.: Venha agora ou perderá a vez.
	       " Ou Amaro estuda  ou largo-o de mão!" (Graciliano Ramos)
	         Ora age com calma, ora trata a todos com muita aspereza.
     
     2.4. Conclusivas:
 	Exprimem, em relação a outra oração, uma idéia de conclusão, dedução ou conseqüência lógica.

      Modelo: PORTANTO

      Sinônimos: logo, pois ( posposto ao verbo) , de modo que, por isso.

	Ex.: Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
	        Seu amigo está triste e decepcionado; deve, portanto, confortá-lo nesse momento difícil.
	        Vives mentindo; logo, não mereces fé.
 	        Penso, logo existo.
	        Ele é teu pai; respeita-lhe, pois, a vontade.
	        

3.5. Explicativas:
Explicam o motivo da declaração contida na oração anterior.

Modelo: PORQUE

Sinônimos:  que, pois (anteposto ao verbo), porquanto.

	Ex.: Não mintas, porque é pior para ti.
	       "Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa."( Chico Buarque)
	       O cavalo estava cansado, pois arfava muito.


ATENÇÃO:
	Distinção entre orações coordenadas explicativas e orações subordinadas adverbiais causais:
1) A oração coordenada explicativa cumpre o papel de explicar o que foi afirmado na oração anterior.
Ex.: Choveu durante a noite,               porque as ruas estão molhadas.
        Or. coord, assindética                  or. coord. sindética explicativa

        2)   A oração subordinada adverbial causal  cumpre o papel de advérbio em relação à oração principal, isto é, indica a causa da ação expressa pelo verbo da oração principal.
	Ex.: Choveu                porque houve muita evaporação.
	      or. principal           or. subord. adv. causal

        3) As orações coordenadas explicativas são empregadas com freqüência depois de orações imperativas e optativas.
 	Ex.: Não zombe dele,          que está apaixonado.
	        or . imperativa              or.  coord. sindética  explicativa
	or. coord. assindética

	         Que Deus te ajude,          porque ousado és.
	           or. optativa                    or. coord. sindética explicativa
	or. coord. assindética

CMPA - PORTUGUÊS - 2o ANO - 2o GRAU - MORFOSSINTAXE                  12

	
	BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa,41a ed., S.Paulo, Nacional,
           1998.

CEREJA, William Roberto  & MAGALHÃES, Thereza  Cochar. Português: linguagens: literatura, gramática
           e redação, 2a ed. rev. e ampl. ,S.Paulo, Atual, 1994.

INFANTE, Ulisses. Curso de Gramática Aplicada aos Textos. S. Paulo, Scipione,1995.

PASQUALE & ULISSES. Gramática da Língua Portuguesa. S. Paulo, Scipione, 1997.
 

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