Biografia

1908 ~ 1987

 

 

Alcides Gonçalves

Pouquíssimas pessoas sabiam ao certo do ano de nascimento de Alcides Gonçalves – 1908 – mesmo entre aqueles que se costumavam reunir para festejar a sua data natalícia – 1°. de outubro – e muitos até desconheciam sua naturalidade – Pelotas/RS – tal o seu apego e o seu amor por esta Porto Alegre que o adotou. Porém, esse véu de mistério viria a ser desvendado quando os veículos de comunicação do Rio Grande do Sul obrigaram-se a registrar seu necrológico, resultante de seu falecimento – a 9 de janeiro de 1987 – nesta terra que escolheu para viver seus últimos dias. 

Na regressão de sua vida, podemos chegar ao tempo em que era tratador de cavalos do General Flores da Cunha, governador do estado, ou então auxiliar de escritório em várias fábricas porto-alegrenses, quando estudava piano e atuava como crooner em diversas casas noturnas da capital riograndense, tais como o Maipu e o Marabá. Ainda rememoramos a época em que embarcava em navios da antiga Companhia Costeira de Navegação – Itanagé, Araranguá e Aratimbó – tocando piano junto com o violino de Alexandre Ziotwski e a guitarra do seu irmão Antoninho Gonçalves. 

Destacando um de seus irmãos – Walter Gonçalves – que morreu nos Estados Unidos e que costumava tocar bateria com as mãos, lembraríamos ainda do grupo Irmãos Gonçalves, com Alcides (piano e voz), Juvenal (contrabaixo), Oscar (violão e voz), Antoninho (guitarra e violão) e Osmar (bateria), todos eles já falecidos. 

Chegada é a década de 30, quando o encontramos, por longa temporada, atuando na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, então a mais importante da Argentina. Em seu regresso, viria a ser um dos cantores convidados para a inauguração da Rádio Tupi de São Paulo e contratado pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. 

Comemorava-se, em 1935, o centenário da Revolução Farroupilha e Alcides, defendendo a sua parceria com Lupi, até então pouco conhecido nos meios artísticos, vence o festival de música alusivo ao evento e promovido pela prefeitura de Porto Alegre. E assim nascia a primeira composição – Triste história – premiada com dois contos de réis... 

Nessa época, não havia o microfone fora das rádios e Alcides Gonçalves torna-se a grande estrela vocal da Orquestra de Paulo Coelho, apenas utilizando-se de uma corneta de papelão para fazer ouvir a impostação da sua voz, educada cuidadosamente. Esse desempenho só poderia resultar no convite que recebe da RÇA Victor para gravar seu primeiro disco, no qual registraria a estréia de Lupicínio Rodrigues na produção fonográfica – Triste história e Pergunta a meus tamancos – em 78 rotações, datada de 3 de agosto de 1936. 

E a famosa dupla surge com Alcides colocando música nos versos de Lupi: Cadeira vazia, Castigo, Maria Rosa, Quem há de dizer, Jardim da saudade... 

Permanecendo no Rio de Janeiro, após a gravação daquele primeiro disco, logo ingressa na Rádio Nacional, onde ganha o apelido de Voz do Trovão, tal a potencialidade de suas cordas vocais. Com Ataulfo Alves, ainda compõe os sambas Chorar pra que e Desta vez não, gravações daquele na Odeon com sucesso na época. Posteriormente, em homenagem a uma ouvinte nordestina, musicaria os versos de Pedro Caetano intitulados Minhas valsas serão sempre iguais, cuja melodia foi gravada por Orlando Silva. 

No Copacabana Palace, atua em vários shows daquele hotel, junto com Radamés Gnatalli, na banda de Simon Bountman. A Segunda Grande Guerra apanha-o excursionando pela América do Sul, como pianista da orquestra argentina Santa Paula Serenaders. E, ao término desse conflito mundial, acontece a perda de um ente querido – o Pardo Velho – seu pai Juvenal Gonçalves.

Assim, pois, compositor, cantor e pianista consagrado, teve de retornar a Porto Alegre, onde consegue emprego na Assembléia Legislativa. Nessa ocasião, acontece o estremecimento das relações com seu principal parceiro, devido a não constar o seu nome no selo do disco em que Francisco Alves lançou Cadeira vazia pela Odeon. Porém, continuou compondo ou sozinho (Cachimbo da paz, Minha seresta, pecador) ou em parceria com Leduvy de Pina (Divisão, Se ela soubesse), com Ciro Gavião (Mendigos), com Flávio Pinto Soares (Brigamos outra vez, Chorei uma vertente, Modifiquei minha vida, Samba cinquentão, Soluço de boêmio, Violão ciumento), com Aguinaldo Bechelli (Esfera da vida) e com Joaquim Brum (Relógio de boêmio). 

Em 1977, tentando resgatar sua obra, o pesquisador paulista J. L. Ferrete produziu o antológico LP Cadeira Vazia, da Série Destaque/Continental e, em 1982, seu parceiro Flávio Pinto Soares editou mil cópias do LP Pra Ela, que teve a participação da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

 

Cronologia discográfica 

  • 1936 ALCIDES GONÇALVES/RÇA Victor – Pergunta A Meus Tamancos (LR/AG)

  • 1936 ALCIDES GONÇALVES/RÇA Victor – Triste História (LR/Alcides Gonçalves)

  • 1942 ATAULFO ALVES/Odeon – Chorar Pra Quê (Ataulfo Alves/Alcides Gonçalves)

  • 1943 ATAULFO ALVES/Odeon – Desta Vez Não (Ataulfo Alves/Alcides Gonçalves)

  • 1948 FRANCISCO ALVES/Odeon – Quem Há de Dizer (L.Rodrigues/A.Gonçalves)

  • 1950 FRANCISCO ALVES/Odeon – Cadeira Vazia (L.Rodrigues/A.Gonçalves)

  • 1950 FRANCISCO ALVES/Odeon – Maria Rosa (Lupicínio Rodrigues/A.Gonçalves)

  • 1952 LUIZ GONZAGA/RÇA Victor – Jardim da Saudade (L.Rodrigues/A.Gonçalves)

  • 1953 GILBERTO MILFONT/RÇA Victor – Castigo (L.Rodrigues/A.Gonçalves)

  • 1960 RISADINHA/Continental – Pergunte Aos Meus Tamancos (LR/A.Gonçalves)

  • 1961 ORLANDO SILVA/RÇA Victor – Minhas Valsas Serão Sempre Iguais (PC/AG)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Divisão (Leduvy de Pina/A.Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Minha Seresta (Alcides Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Samba Cinquentão (FPS/A.Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Se Ela Soubesse (LDP/A.Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Cachimbo da Paz (Alcides Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Mendigos (Ciro Gavião/A.Gonçalves)

  • 1977 ALCIDES GONÇALVES/Continental – Adolescente (F.P.Soares/A.Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Chorei Uma Vertente (FPS/Alcides Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Violão Ciumento (F.P.Soares/A.Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Esfera da Vida (A.Bechelli/Alcides Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Brigamos Outra Vez (F.P.Soares/A.Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Meu Surdão (Flávio Pinto Soares/A.Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Modifiquei Minha Vida (FPS/A.Gonçalves)

  • 1981 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Soluço de Boêmio (F.P.Soares/A.Gonçalves)

  • 1961 ALCIDES GONÇALVES/Isaec – Pecador (Alcides Gonçalves)  

                                                            José Alberto de Souza - Porto Alegre, RS

 

Principais sucessos:

  • Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Castigo (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Chorar pra que (Ataulfo Alves e Alcides Gonçalves)

  • Desta vez não (Ataulfo Alves e Alcides Gonçalves)

  • Jardim da saudade (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Maria Rosa (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Minhas valsas serão sempre iguais (Pedro Caetano e Alcides Gonçalves)

  • Pergunta a meus tamancos (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves) Qem há de dizer com Francisco Alves (1948)

  • Triste história (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves)

  • Violão ciumento (Alcides Gonçalves)

 


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