Os "Fianna Eirinn"

 

Por Cato.

 

Na literatura celta encontramos grandes feitos de combate tanto por heróis solitários como Cuchulainn quanto por grupos de bravos. E um dos maiores times heróicos dos celtas foi criado e liderado por Fionn Mac Cumhaill e a partir dele chamado de “Fianna”. Os “Fianna Eirinn”, guerreiros de elite, tinham por objetivo a proteção do rei de Erin (Irlanda). Encontra-se na literatura irlandesa pré-cristianismo as descrições dos feitos de combate gloriosos daqueles que fizeram parte desse honrado bando. O manuscrito “Agalamh na Senorach”  ou “O Dialogo dos Anciãos”,  relata grande parte da descrição das glorias dos “Fianna de Erin”.

 

Não citarei nenhum dos combates que os Fianna participaram, pois são muitos e tenho o desejo de compilá-los para apresentacao futuramente.

 

A dificuldade de participar desse bando ilustra a capacidade combativa que possuíam. O candidato deveria não apenas ser um exímio guerreiro, como também poeta e possuidor de vasta cultura. Deveria praticamente renunciar a sua tribo, já que viveria e morreria pelos Fianna. Era exigido o juramento (geis) de nunca vingar qualquer ato contra seu antigo clan e também que nunca fosse vingado em caso dessa possibilidade. O guerreiro deixava de ter família e direitos comuns para se tornar um herói. O candidato se  obrigava por juramentos sagrados, ou geasa, a nunca recusar hospitalidade àqueles que necessitam, não recuar de um combate e não insultar mulheres. Esses são apenas alguns dos geasa exigidos. De cada guerreiro os deuses exigiam também juramentos exclusivos, apresentados pelos druidas através de rituais de sangue. Como exemplos desses geasa exclusivos temos, não lutar em noites de lua cheia, não usar armas de longo alcance, de cobre, ou machados.

Numa noite clara os testes tinham inicio e continuavam num crescendo de dificuldade. Primeiramente, o candidato enfrentava os testes físicos.

Completamente nu, o aspirante era lançado num buraco de “oito braços de profundidade”. Então um bastão de carvalho lhe era entregue e com ele deveria se defender de nove lanças que lhe seriam arremessadas ao mesmo tempo por nove guerreiros Fianna. Caso alguma das lanças atingisse o corpo do aspirante, seria reprovado. Sendo bem sucedido no teste dessa primeira noite, na próxima enfrentaria todos os “Fianna Eirinn”. A distancia de “três vezes a maior lança” seria seu ponto de partida para a caçada humana que seria sua nova prova. Os Fianna, armados como que para um combate verdadeiro, perseguiriam o aspirante por “não mais que duas voltas da lança de Lugh”, ou dois dias. E, no final desse tempo, caso o aspirante fosse ferido tanto por armas quanto por qualquer acontecimento natural, não poderia fazer parte do bando. Se bem sucedido enfrentaria a ultima de suas noites de testes físicos.

Numa clareira, era espalhado ramos de espinheiro pelo chão, numa grande extensão reta, formando um cobertor espinhoso. O aspirante ao “Fianna Eirinn”, deveria correr a toda velocidade sobre esses espinhos sem diminuir suas passadas, provando ser capaz de agüentar as dores sem atrapalhar suas obrigações. Caso superasse e sobrevivesse a todos esses testes, enfrentaria ainda os desafios mentais, que provariam o valor de seu espírito.

Na primeira noite de lua cheia após a ultima prova fisica, deveria repetir perante todo o bando sua linhagem ate os ascendentes mais remotos, relatando ainda seus feitos de combate e suas ligações com os deuses. Nas noites seguintes seria desafiado verbalmente por bardos e poetas, e teria que provar habilidade verbal e de raciocínio. Como ultimo teste, os druidas dos Fianna, usando poções e orações levariam a alma do aspirante ao reino inferior, e lá, tentariam confundir e fazer com que o espírito do guerreiro se perdesse. De acordo com Ossin, o bardo, esse era um lugar “De riquezas e  de prazeres impossíveis, onde mulheres demoníacas (fomorii?) entregavam suas carnes a prazeres inomináveis. E onde ouro, prata e lava corriam livres como rios”. Nessa prova o guerreiro era testado contra os prazeres terrenos elevados a potencia da imaginação celta.

Conseguisse o aspirante voltar ao seu corpo, acordar e levantar, seus testes estariam completos. Seria agora um dos Fianna, um irmão de armas e compartilharia suas glorias e lendas. Quando morresse, todos seus feitos seriam gravados em sua pedra sepulcral e teria o direito de portar suas armas honrosamente na outra vida, juntando-se aos guerreiros tombados. Ossin relata em uma canção que os guerreiros mortos (Quando da época do“Samhain”) "Andariam mais uma vez lado a lado com os Fianna Eirinn vivos, fortalecendo-os e cantando suas vitórias, sentiriam mais uma vez o vento nos rostos, os cheiros lhes seriam permitidos, assim como os prazeres da carne”.

 

Penso que, conhecido todo o processo de testes desse extraordinário grupo de guerreiros, seria um bom momento para que apresentasse a descrição mais detalhada de Fionn Mac Cumhaill, o honrado. De acordo com o "Livro de  Cashel" do século nove, no  texto (poema?) Fionn’s pride, “O líder era o primeiro. Não o mais poderoso, porem o mais nobre, honrado e bondoso. Era cortes com as mulheres apesar de seu desejo e generoso com homens apesar de sua fúria. O primeiro não permitia que homem nenhum tivesse problemas com pobreza”. Extraindo do poema de Macphearson, “Se na floresta, as folhas caídas fossem ouro, e a espuma da água do mar fosse prata, Fionn daria de boa vontade tudo”.

 

Nessa ultima parte, devo esclarecer que, diferente da descrição dos testes, que compilei e reduzi de relatos pré-cristãos traduzidos para o ingles, a apresentação de Fionn encontra-se ja com influencias católicas, tendo-o como virtuoso extremo, modelo do que seria um bom cavaleiro medieval cristão.

 

A historia dos Fianna Eirinn continua com "Oisin e São Patricio"

 

 

 “Where I go, I go alone”

 

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