Colunas 2007


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

O belo crepúsculo do Rei

 

Momento decisivo: Rick Mears ultrapassa Michael Andretti de forma magistral para vencer sua última Indy 500.

 

Escrevo esta coluna antes do Bump Day em Indianápolis - vivendo as expectativas de uma grande corrida e um bom desempenho das equipes Penske, esta em especial, e também da Andretti Green e Panther deixam claro que os brasileiros são favoritos para a prova. Porém confesso que ando preocupado com a equipe do Chip Ganassi. O Dallara da equipe Target Chip Ganassi Racing está realmente muito bom e Dan Wheldon tem pilotado de forma extremamente agressiva. Conhecendo o Chip com o seu temperamento tipicamente italiano, o Dan não faria barbaridades com este carro sem a devida autorização do chefe. Então vamos ter um grande espetáculo. Além das citadas equipes, Indianápolis sempre reserva surpresas. Ao contrário da Fórmula 1, a pole position em Indy nada significa, a não ser uma boa premiação e algumas fotos para a posteridade. As ultrapassagens são infinitas e cada curva pode trazer um diferencial. Fora que o clima também é sempre uma incógnita.

Uma edição marcante desta prova, tirando claro, as vitórias obtidas pelos nossos pilotos, foi à de 1991 quando Rick Mears e seu Marlboro Team Penske (Penske PC20 Chevy Turbo Goodyear) roubou a cena do então favorito Michael Andretti em seu Lola Chevy da equipe Newman Haas. Émerson Fittipaldi havia largado na 15ª posição numa mancada durante a estratégia de classificação, pois tinha um carro e acerto infinitamente superior a qualquer outro carro envolvido na disputa. Chegou a assumir a liderança da corrida e quando todos já tinham a certeza de mais uma conquista brasileira em Indy, então na saída de mais um pit perfeitamente executado por sua equipe, houve um problema na sua caixa de câmbio e duas voltas depois, o brasileiro estaria encerrando sua participação de forma frustrante. Já que o carro da equipe estava naquele momento com uma difícil configuração de suspensão e asas traseiras. Retornando ao assunto principal, Michael Andretti era considerado o grande favorito a esta prova devido ao bom acerto da equipe e por seu estilo sempre desafiador. A Galles Kraco, visando desenvolver os próprios chassis (Galmer), não disponibilizou um bom carro à Al Unser Jr. e ao Bobby Rahal enquanto Mario Andretti e Arie Luyendyk tinham estratégias problemáticas, além de deficiências mecânicas.

Depois do abandono de Fittipaldi, todos davam como certa a conquista de Michael na pista de Indianápolis, seria o seu "début" que na verdade nunca aconteceu como piloto até a etapa de 2006 (ele tem uma grande chance novamente este ano). Só que a equipe Penske tinha uma carta na manga e numa estratégia completamente agressiva e, até de certa forma, um pouco fora dos padrões do seu proprietário, resolver colocar Rick Mears colado no Lola da Newman Haas. Então após uma relargada, o talento, experiência e genialidade do grande especialista em circuitos ovais na América superaram o jovem Andretti e conquistou, com uma ultrapassagem pelo lado externo da pista mais uma vitória no lendário templo do automobilismo mundial. Esta foi uma prova verdadeira de trabalho de equipe já que o Émerson preparou o carro durante o mês de classificação e toda a equipe estava centrada em Rick após o abandono de Émerson já que o norte-americano era considerado um dos grandes favoritos a vitória.

Aquela seria uma espécie de despedida do piloto que, no ano seguinte, sofreria um terrível acidente afetando, definitivamente, seus movimentos no tornozelo após fraturas múltiplas. Desde então, este grande ídolo - que tive a feliz oportunidade de conhecer e conviver nos meus tempos de Champ Car - assumiria uma função estratégica de consultor da equipe e determinava chefia de estratégia durante os campeonatos da Cart e também na IRL. Uma relação super-interessante é que sua esposa sempre esteve ao seu lado e era figura presente, mesmo com sua postura sempre discreta e recatada ao contrário de Thereza Fittipaldi. Em conversas durante intervalos sempre perguntava ao Rick sobre alguns momentos de sua carreira e uma vez ele disse que o grande nó que levou foi na temporada de 1989 quando perdeu para Émerson Fittipaldi guiando um Penske cedido para a equipe Patrick. A piada que sempre rolou nesta época era que a Penske tinha a sua matriz e uma filial, que seria a Marlboro Patrick Racing. Então, perder desta forma foi dura, sem contar que o Emmo era muito respeitado pelo seu conhecimento e pelas suas conquistas, sempre valorizadas na América e muitas vezes, depreciadas por aqui por, digamos, certos "especialistas" e "entendidos" que mal sabem manobrar um autorama.

 

Um grande abraço fiquem com Deus e até a próxima.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
http://blogdohyder.blogspot.com                                                                             

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fã da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Todas as semanas, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

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