Colunas 2007


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

1990 - Uma batalha de neófitos

 

Em 1990 a maior técnica da Al Unser Jr. derrotou o arrojo de Michael Andretti.

 

Histórias sobre sabotagem como essa envolvendo a McLaren e a Ferrari não são novas na Fórmula 1 assim como na Champ Car. Lembro de histórias que mecânicos e integrantes de equipes como Newman Haas e Galles foram oferecer dinheiro, em 1994, para que os integrantes da Simon Racing vendessem o  segredo do sucesso da nanica equipe em relação aos grandes times. O segredo era simples. Um bom acerto pessoal do Raul Boesel coincidindo com os cálculos loucos que o Dick Simon - dono do time - sempre fazia durante os finais de semana de corrida, pois testes eram quase impossíveis por conta do pequeno orçamento. Era uma época divertida e com gente de qualidade dentro e fora das pistas. Agora o cenário é completamente diferente e, infelizmente, parece não ter como fazer muita coisa, pois a economia americana – mola mestra do esporte – está num momento de armazenar recursos e não disponibilizar montanhas de dinheiro em investimentos tecnológicos e de marketing. Infelizmente é um cenário feio, mas isso tudo foi causado por uma má gestão que não sou alinhar tudo isso, num cenário mais que previsível.

Confesso que com o atual cenário da categoria eu fico cada vez mais nostálgico e não fico buscando informações que não vivi em outros meios. Recordo de uma corrida bem interessante que, pra mim, começou a delinear o campeonato de 1990 a favor de Al Unser Jr. A corrida era em Long Beach e era apenas a segunda etapa, a primeira tinha sido em Phoenix. Os carros da Penske vinham com um grande erro de acerto de suspensões e o balanço do carro não era produtivo em pistas mistas e tendo uma razoável produtividade em ovais. Al Jr. venceu de forma categoria a prova e deixou claro duas certezas: Que o campeonato seria uma disputa entre os Lola Chevrolet, o grande conjunto naquele ano e que apenas dois times estariam na briga direta. Galles, Newman Haas e equipes como Kraco, Penske e Granatelli como azarões. A boa surpresa desta temporada seria a equipe de Chip Ganassi, quem utilizou no início o Penske Chevrolet (Penske PC-18) utilizando por Fittipaldi na campanha do título de 1989, desta vez pilotado por Eddie Cheever, que vinha da F1. E as grandes decepções seriam a Patrick Racing, que perdeu o rumo depois da saída de Emerson para o Team Penske assim como o Porsche AG Team, que vinha com mais patrocínio, mas acabou perdendo o foco não repetiu os bons resultados de 1989, como a vitória de Mid-Ohio.

Al Unser Jr. e Michael Andretti travaram um duelo muito interessante na temporada, pois ambos eram atrevidos e determinados a vencer. Havia nisso tudo também uma disputa pessoal, pois seus pais haviam sido rivais clássicos e os nomes eram altamente tradicionais. A matemática – feita pelo Elia Júnior, da Bandeirantes, junto com o Tércio de Lima (Rádio Bandeirantes) e o Luciano da Valle era que quem fizesse 210 pontos primeiro ganharia este embate. E ele não errou, pois o campeonato foi uma batalha ponto a ponto. Desde Phoenix até Laguna Seca. Michael Andretti tinha um pouco mais de carro, pois seu time tinha uma estrutura melhor, mas Al Unser Jr. tinha mais cabeça para guiar e o Rick Galles era um super estrategista. Michael tinha a seu favor o fato de Mario Andretti estar ao seu lado no time, mas ainda assim, parecia certa falta de maturidade, caso contrário de Al Jr. Este certame foi definido assim como no ano anterior. Acho que o duelo entre Fittipaldi e Mears foi muito mais técnico e preciso, mas ver dois grandes heróis duelando com vontade e certo exagero, às vezes, devido à juventude dos dois, deu um charme diferenciado. Claro que isso causava certa dor de cabeça, pois as oficinas da Galles, em Indianápolis, e da Newman Haas em Lincolnshire, viviam nos reparos e trocas de peças e isso não faz a felicidade de nenhum dono de equipe, mas acho que tudo isso era compensado pela cerveja Molson no carro da Galles e por cada Havana mastigado por Carl Haas.

 

Um grande abraço fiquem com Deus e até a próxima.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
http://blogdohyder.blogspot.com                                                                             

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fã da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Todas as semanas, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

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