Colunas 2007


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

A andorinha austríaca

 

O suíço Neel Jani corre na Champ Car patrocinado pela Red Bull de Dietrich Mateschitz.

 

Retornando após um longo intervalo, pois tive de resolver vários assuntos profissionais, além de cuidar da saúde. Tive de fazer uma cirurgia nesse sábado (25/08) e tenho outra programada para outubro. Enfim, a vida segue seu rumo. Em relação ao campeonato da Champ Car faço o seguinte questionamento: como será a série depois da Era Bourdais? Em todas suas temporadas a categoria viu o encerramento de carreira de inúmeros ídolos, como Rick Mears, A.J. Foyt, Mario Andretti e Émerson Fittipaldi só que nenhum desses magníficos pilotos tornou-se tricampeão (de maneira consecutiva) e ainda pode se tornar o único tetracampeão da história do certame como o francesinho de Le Mans. Um sério problema que se apresenta agora é que quando os grandes nomes se aposentavam ou procuravam outros rumos na carreira surgiam pilotos de nível técnico para substituir os anteriores no coração dos fãs e na atenção da imprensa. Será que agora isso voltará a ocorrer?

Pode parecer que eu estou sendo saudosista ao extremo, ou muito exigente, mas a realidade é que após a famigerada separação do campeonato em duas séries (Champ Car e IRL) a falta de renovação de pilotos nunca se apresentou tão crítica, sendo essa uma das conseqüências da grande crise de identidade e credibilidade que ambas estão atravessando no momento. Na Champ Car, Bourdais e Paul Tracy (que está prestes de se aposentar) e na IRL, a geração que brilhou na Champ Car nos anos 1990, nomes como Hélio Castro Neves, Tony Kanaan e Dario Franchitti, entre outros nomes, deverão ter substitutos à altura, já que esses campeonatos não recebem grandes verbas dos patrocinadores, os salários estão abaixo de outras categorias. Sem contar as premiações andam cada vez mais reduzidas. Isso ocorre pelo baixo retorno de mídia que essas categorias proporcionam e na atual conjuntura econômica (principalmente nos Estados Unidos), as empresas não estão dispostas a arriscar grandes investimentos em negócios duvidosos.

Em relação à renovação na Champ Car, quem seria o substituto do francês como ídolo? Bruno Junqueira? Certamente não, pois esse já desperdiçou várias oportunidades de se firmar como piloto de ponta, e apesar de estar fazendo um bom trabalho na pequenina equipe Dale Coyne não vai receber outra chance da Newman Haas Lanigan. O Marco Andretti, caso realmente venha da IRL para a Champ Car, assim como Graham Rahal são inexperientes demais para assumir tamanha responsabilidade enquanto Justin Wilson não tem competência para tanto. Certamente aparecerá um substituto ao Bourdais, mas a renovação fica cada vez mais difícil. Podem me acusar de pessimista só que não dá para negar que a situação é preocupante e parece que os homens que estão gerindo as duas categorias devem estar ganhando muito dinheiro com esta situação de quase falência.

Então, quem leva vantagem com essa situação? Principalmente e a Nascar e a ALMS. A Fórmula 1 poderia estar se beneficiando muito não fosse à arrogância dos seus dirigentes e a falta competência em fazer divulgação e conseguir patrocinadores norte-americanos do antigo promotor do GP dos Estados Unidos (que atende pelo nome de Tony George), fizeram com que a principal categoria do automobilismo não fosse querida pelo público do país. Quem segue um caminho inverso é a Red Bull, famosa bebida energética austríaca, que anda investindo em eventos nesse país, concentrando esforços na Nascar e Champ Car. Mesmo acreditando que uma andorinha pode até não fazer verão penso que faz com que outras andorinhas sigam a mesma rota. E quem sabe, com iniciativas deliciosamente loucas como as que o dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz, austríaco de nome complexo e visões extraordinárias, estejam dando um grande suporte a Champ Car encontrar novamente o caminho do crescimento.

 

Um grande abraço fiquem com Deus e até a próxima.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
http://blogdohyder.blogspot.com                                                                             

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fã da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Todas as semanas, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

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