Colunas 2007


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

A Honda na Champ Car

 

Em 1993 Bobby Rahal e Carl Hogan aceitaram o desafio de tornar a Honda vitoriosa nos Estados Unidos.

 

E como a atual fase da Champ Car atual não ajuda, vou rebuscar nos eventos no passado da categoria para trazer, quem sabe, termos alguma diversão antes das últimas duas provas do ano. Confesso que esta inércia do certame com estes longos intervalos e cancelamentos já deixa qualquer fã de cabeça cheia. Mas vamos lá, pois o prazer desta, que é para mim, e será sempre, a grande categoria norte-americana.

O ano era 1993 e Bobby Rahal e seu sócio, o saudoso Carl Hogan aceitaram um desafio. Tornar vitorioso nos Estados Unidos o motor Honda tantas vencedor na Fórmula 1. Não era algo tão simples, mas isso necessitaria de muita paciência e dinheiro envolvido. E, nestas duas vertentes, os japoneses são soberbos. Tudo isso aliado a migração de pessoas e fornecedores que migrou da Europa. Escrevo especificamente da própria Honda e do campeão da temporada de 1992, o britânico Nigel Mansell. A expectativa era muito grande e no Brasil não era diferente, pois Émerson Fittipaldi estaria de volta no seu Penske Chevrolet, mas com um companheiro que, desde a pré-temporada em Nazareth, Michigan e Firebird, mostrava-se pronto para, senão lutar pelo título, para aprontar muito e incomodar os gigantes da categoria. Escrevo sobre um garoto chamado Paul Tracy. Neste cenário com a Galles deixando os chassis Galmer e voltando aos Lola com Al Unser Jr. e a Newman Haas com Mario Andretti e o já citado Mansell, além do holandês voador Arie Luyendyk a bordo da emergente Target Chip Ganassi.

A situação da equipe Rahal Hogan era, no mínimo, desconfortável em relação aos adversários, pois a equipe não lembrava, em nada, o desempenho do ano anterior onde conquistou a PPG Cup. Não preciso dizer que nada que fizessem em pista daria condições de ser, pelo menos, combativos. Os caros da equipe e seu pessoal de pista e fábrica estavam desenvolvendo motores Honda que, no futuro, deixariam as garagens desta equipe e, também, deixariam os carros de Bobby Rahal para trás. Os japoneses foram sempre muito aplicados no seu trabalho. Sempre foram grandes ouvintes e valorizam muito uma informação bem repassada. Talvez por isso nunca escondessem certa predileção por pilotos como Gil de Federam, Alex Zanardi e Jimmy Vasser, pois tinham talento suficiente e conhecimento de sobra do carro, mesmo em condições não tão favoráveis.

Já em 1994, os carros impulsionados com os motores japoneses mostravam, mesmo que lentamente, evoluções, mas o “susto” dos concorrentes ocorreu mesmo em 1995, especialmente nos grandes ovais como Michigan e Indianápolis. As velocidades obtidas por André Ribeiro e Scott Goodyear (pela Tasman) e Parker Johnstone pilotando o Reynard Honda da Comptech impressionaram todos pela facilidade de alcançar altas velocidades sem a necessidade de estar com muito embalo de voltas, ao contrário os Mercedes-Benz e Ford Cosworth. O mais impressionante era que o motor não era o maior “beberrão” da categoria, pois conseguia ter um bom gerenciamento de distribuição multiponto. A esta altura, o glorioso piloto – e não o detestável dirigente – Bobby Rahal deve ter se arrependido de não renovar o contrato de fornecimento de motores Honda. Já que o Ford era até mais econômicos, mas não apresentavam grandes picos de velocidade e a Toyota, recém chegados não eram nada do que poderiam ser ainda, pois os times tinham a preferência pelos Honda e Ford. Apenas a Penske, Player´s Forsythe e PacWest eram os grandes desenvolvedores dos motores alemães.

De 1996 até 2001 a Honda não conseguiu saber o que seria concorrência, pois uma das certezas era que algum carro impulsionado pelos japoneses ganharia o campeonato. A dúvida era quem... Aos outros restavam apenas contentar-se com outras posições. Uma rara exceção foi em 2001 já que Kenny Brack, abordo de sua Lola-Ford (Shell-Rahal), resolveu aprontar para cima do Marlboro Team Penske. Mas, acredito que faltou um pouco mais de malícia e maturidade ao time do Bobby Rahal, que parece ter “ficado de lado”, pois Tim Cindric havia migrado para a Penske, Bobby Rahal estava, entre outras coisas, prejudicando a carreira do Luciano Burti na Jaguar e o Bill Van der Satt, que era o general manager do time de provas acabou assumindo esta vaga, meio que temporário.

No mais, não houve problemas para a Honda. O que provocou o “racha” entre a Honda e a Cart Inc. foi a “jogada” da Toyota em aplicar a válvula pop-off fazendo com que as velocidades dos motores Honda, superiores aos dos Toyota, ficassem um tanto quanto equiparados. Os dirigentes da Cart Inc. acreditaram que, com isso, a grande rival da Honda continuaria com o certame em 2003, o que acabou não acontecendo e todos já sabem o desfecho desta história.

 

Um grande abraço fiquem com Deus e até a próxima.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
http://blogdohyder.blogspot.com                                                                             

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fã da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Todas as semanas, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

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