Reportagens 2007


Ainda respirando

Mesmo com muitos problemas e críticas, a Champ Car cumpriu uma nova temporada, que ficou marcada pelo uso de muitos pilotos novatos

 

Por Wallace Michel

 

Bourdais animou a Champ Car com seu tricampeonato.

 

A Champ Car manteve-se viva por mais um ano e  para se sustentar, se viu obrigada a utilizar uma boa quantidade de novatos, o que não foi suficiente para obter um grid superior a 18 carros, nem muito menos para fazer sobra ao francês Sebastien Bourdais. A principal estrela da Newman Haas obteve seu terceiro título de forma consecutiva praticamente sem oposição, colocando 89 pontos de vantagem sobre o inglês Justin Wilson, em um ano com pouca competitividade em que voltaram os rumores sobre eterno tema da reunificação com a IRL.

E essa divisão que já está se prolongado a mais de uma década, faz com que ambas as categorias continuem dramaticamente a perder terreno em relação às categorias organizadas pela poderosa Nascar, que dia após dia consolida-se como a mais poderosa entidade automobilística dos Estados Unidos e que, com um apetite voraz, não está disposta a ceder mercado para seus concorrentes. Mantendo a inércia dos últimos anos, a Champ Car só conseguiu apresentar um curto calendário com apenas 14 etapas. Novamente, cancelou compromissos na Coréia do Sul e na Europa, limitando-se a correr nos Estados Unidos, Canadá e México, antes da animada corrida da Austrália.

A história da temporada de 2006 começou a inclinar-se em favor de Sebastien Bourdais desde a primeira prova, realizada em 9 de abril nas ruas de Long Beach, onde o francês pôde com toda a facilidade possível estrear no campeonato com uma vitória.

Bourdais continuou dominando a temporada, já que venceu a segunda etapa em Houston, também circuito de rua, onde um erro que custou o triunfo do mexicano Mario Dominguez, que havia largado na pole position e estava dominando a corrida desde a largada.


O circuito do Parque Fundidora na cidade de Monterrey fez sua sexta aparição consecutiva no calendário, sendo também a sua última, já que não voltará para 2007, foi cenário para que Bourdais chegasse a sua terceira bandeira quadriculada em seqüência, caminhando firmemente para o tricampeonato.

O domínio do francês continuou no oval de uma milha de Milwaukee, onde Mario Dominguez foi demitido da Forsythe depois de provocar outro ridículo acidente que deixou fora de combate seu companheiro de equipe, o canadense Paul Tracy e o brasileiro Bruno Junqueira, piloto da Newman Haas. Após quatro etapas, Bourdais já tinha 136 pontos, contra 105 do inglês Justin Wilson, o vice-líder na ocasião. Andrew Ranger, o terceiro no momento, somava 75, quase a metade dos pontos do francês.

Essa atitude da Forsythe contra Dominguez originou, curiosamente, uma virada no monótono campeonato, em virtude de que o norte-americano A.J. Allmendinger escolhido como substituto do mexicano teve uma estréia arrasadora na sua nova equipe, ao ganhar a quinta etapa em Portland e quebrar assim a hegemonia de Bourdais. Imediatamente, o destaque passou a ser Allmendinger, que venceu consecutivamente em Portland, Cleveland e Toronto, até que Justin Wilson entrou na disputa pelo campeonato ao vencer em Edmonton.

Em San Jose, as coisas voltaram à normalidade e Bourdais regressou ao ponto mais alto do pódio, enquanto Allmendinger respondeu em Denver com sua quarta vitória no ano. Bourdais não demorou a contra-atacar ao vencer em Montreal, que o colocou a um passo da conquista do título.

Uma nova vitória do norte-americano em Elkhart Lake deixou a definição do título para uma outra ocasião, o que não serviu de muita coisa, pois Bourdais terminou em terceiro lugar, assim que na Austrália, penúltima corrida do campeonato, concretizou o tricampeonato com uma oitava posição.

Antes da corrida final na Cidade do México, Allmendinger anunciou que, a partir de 2007 buscaria os melhores rendimentos financeiros da Nascar. Foi pego de surpresa ao ser dispensado pela Forsythe dias antes da corrida. A equipe preferiu dar uma oportunidade para o norte-americano Buddy Rice, vencedor das 500 milhas de Indianápolis.

A corrida no autódromo Hermanos Rodriguez foi apenas para cumprir o calendário. O título já estava em poder de Bourdais, que sem seu principal adversário na pista se dedicou a aumentar sua imensa vantagem na tabela de classificação, e o vice-campeonato foi para Justin Wilson. Outro forte concorrente que não disputou essa etapa foi Paul Tracy, que fraturou o ombro direito ao sofrer um acidente ao tentar pular dunas de areia com um carrinho de golfe, quando estava embriagado em uma festa.

Os brasileiros tiveram a pior desempenho desde 1998. Bruno Junqueira, companheiro de Bourdais, encerrou a temporada sem vitórias e ficou em quinto lugar, com 219 pontos. Antônio Pizzonia, da Rocketsports, em quatro provas, conseguiu apenas dois décimos como melhores resultados.

O ano no foi marcado pelo grave acidente com o mineiro Cristiano da Matta, da Rusport. Em agosto, durante testes em Elkhart Lake, seu carro atingiu um cervo, que invadiu a pista na curva seis e o piloto sofreu uma forte pancada na cabeça. Precisou passar por algumas cirurgias para a retirada de um hematoma subdural no cérebro. Felizmente, ele vem se recuperando de maneira surpreendente, podendo retornar a categoria já nesse ano.

 

 

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