Colunas 2006


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

29 de abril de 2001 - o dia que a Cart acabou

 

Photo by Robert Laberge/Allsport

Texas 600: a "obra-prima" de Bobby Rahal.

 

Olá amigos, escrevo esta coluna antes de saber o resultado final do novo GP de Houston da Champ Car. Independente do vencedor, o que importa é que o evento seja um sucesso e que a categoria e seus investidores e principalmente os fãs, saiam com a certeza de terem assistido um espetáculo de altíssima qualidade. Em relação à última coluna (as causas da crise da Cart), acredito que o tom utilizado foi o correto, pois é um tema muito polêmico e que há anos discutimos entre amigos, nos fóruns, nas matérias especializadas e por certos “profissionais”.

 

Ainda sobre o assunto que está mais na fase das confirmações oficiais e oficiosas, escrevo também sobre um evento que dias atrás conversamos em alguns fóruns. Mais exatamente o GP do Texas, no oval de Fort Worth, em Dallas em 2001. Este triste evento teve seu início ainda no ano 2000 quando Bobby Rahal assumiu a presidência de uma já conturbada Cart e por questões motivas exclusivamente aos seus interesses comerciais e empresariais, surge, “do nada” a idéia deste evento. Alguns especialistas, entre eles Nigel Beresford e Rick Rinaman (Penske) e Don Halliday (Green) avaliaram esta pista como muito perigosa para as configurações dos Champ Cars. Os carros das categorias rivais (IRL e Nascar) têm muito mais carga aerodinâmica em relação aos Reynard e Lola utilizados naquela época, sendo que ainda existia a questão das altas velocidades desenvolvidas em de Fort Worth produziam forças gravitacionais superiores até em comparação aos carros de F-1.

 

Mas alheio a tudo isso existia um indivíduo defendo seus interesses pessoais, financeiros e corporativos. A Miller, cervejaria e principal patrocinadora da equipe Rahal naquele ano tinha sua sede em Dallas, cidade próxima a Fort Worth e como jogada de marketing, seria ideal uma corrida próxima da matriz para satisfazer os interesses da Miller e da equipe do próprio Bobby Rahal, que não estava em Fort Worth no final de semana da corrida, pois estava fazendo o “seu normal” na equipe Jaguar (coitado do Luciano Burti). Os pilotos, numa demonstração clara e honesta de defender a sua integridade física – já que são eles os grandes artistas do espetáculo e não os dirigentes – afirmaram categoricamente que seria impossível correr ali, pois os acidentes, especialmente os de Cristiano da Matta, Adrian Fernandez e Mauricio Gugelmin, deixaram claro que o risco seria muito maior quando as máquinas e os homens fossem expostos ao ritmo de corrida nessas condições. Mas a pergunta que vem sempre à tona: como esta pista foi homologada para a Federação norte-americana e internacional de automobilismo? J.Kirk Russel (veterano VP de operações da Cart) estava no dia da vistoria em fevereiro daquele ano e viu que “tudo estava perfeito”.

 

Kenny Brack (da equipe Rahal, óbvio) completou uma seqüência de cinco voltas flat (aceleração total) e o comportamento do carro e do piloto foram normais. Porém os efeitos devastadores da força G da pista só eram percebidos no tráfego de carros (turbulência) após 20 voltas. Imaginem uma seqüência de 28 carros (era o grid da Cart na época) rodando ao mesmo tempo sendo que, em pelo menos 45% do percurso, trafegando com uma inclinação de 37º (uma das curvas possui quase 43º). Isso custou a demissão de Russel e um belo processo da prefeitura de Dallas aos promotores que, por tabela, acionaram a Cart e parceiros da categoria.

 

Mas voltando aos astros da corrida, eles foram muito bem representados por Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Michael Andretti e por um chefe de equipe que foi o único a “dar a cara” e defender seus pilotos: Roger Penske. A liderança dos pilotos informou ao público, aos promotores e médicos que não haveria condições de realizar a corrida. Os médicos, tendo o Dr. Steve Olvey e Dr. Terry Trammel na linha de frente, apoiaram de imediato. Talvez isso tenha causado a demissão de ambos anos depois em retaliação.

 

Os promotores ainda tentaram fazer a corrida acionando a bandeira amarela a cada 20 voltas para diminuir os efeitos, mas os pilotos não aceitaram. E como a corrida seria transmitida para mais de 110 países, foi terrível ver os caminhões seguindo viagem no momento em que a largada deveria estar sendo acionada. Não posso afirmar tal coisa, mas creio que ali a Penske decidiu mudar-se para a IRL, pois viu que a categoria estava perdida e que tanto Bobby Rahal quanto os outros que articularam a queda de Andrew Craig não teriam o controle das ações. Joseph Heitzler era um bom administrador, mas não tinha autonomia necessária para poder fazer as coisas realmente acontecerem, fora que os boatos de sua demissão do conselho sempre brotavam e ele não as condições para poder desenvolver o mesmo belo trabalho que realizou na Nabisco por anos.

 

Hoje com a possibilidade oficial de unificação cada vez mais próxima e real, o retorno alguns aspectos e pessoas envolvidas naquela bagunça deixam todos muito assustados nos bastidores. Imaginem Bobby Rahal de volta? Funcionários da Cart (alguns ali são amigos queridos) contaram cada coisa, era difícil entender como alguém conseguia manter uma equipe e outros negócios sendo tão... (reservo-me o silêncio).

 

O desejo de todos é que estes eventos não voltem a se repetidor.

 

Um forte abraço.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
                                                                                                                              

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fui membro da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Nas quartas-feiras, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

 

 

 

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