Colunas 2006


"Coluna do Hyder" - Fabio "Hyder" Azevedo

A fidelidade não se compra

 

O maior responsável pela recuperação da Champ Car é a torcida.


Como de costume começo as colunas com as novidades sobre a fantástica recuperação do Cristiano da Matta. Ele já está apresentando grande evolução e receber a notícia de sua alta hospitalar será muito, mas muito bem recebida. A Champ Car está num momento decisivo de seu campeonato e a grande nova é que o novo DP01 está sendo muito bem conduzido pelo experiente Roberto Moreno. Ao contrário de uma garotada inexpressiva, recrutaram um piloto que conhece carros de corrida como poucos.

Escrever esta coluna foi algo muito bem pensando e repensando, especialmente nestes últimos dias, pois não queria passar uma idéia passional sobre a história da Champ Car, conhecida por todos os seus fãs. Mas um detalhe que muitas vezes não é citado e, torna-se desconhecido de muitos fãs, será abordado. Sem medo algum de ser mal interpretado, o que salvou a Champ Car da falência não foi apenas os trabalhos da equipe de Chris Pook nos bastidores ou o dinheiro aplicado em times duvidosos, mas que encheram o grid complementar de 18 carros, exigido pelas emissoras de TV. A fidelidade dos fãs foi o que manteve esta categoria viva e falo isso em alguns aspectos. A Champ Car sempre teve por tradição o trabalho voluntário no seu corpo operacional nos eventos organizados por ela. Digo isso, pois fui voluntário em ocasiões antes de mudar o meu foco dentro do campeonato. Normalmente não é pago nada por isso, mas nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão este tipo de serviço consta como bônus para diversos tipos de serviços e ingresso em faculdades e cursos de especialização, apenas para citar que o trabalho voluntário poderia ser mais bem valorizado.

A fidelidade dos fãs, que compravam produtos licenciados, apoiava em audiência em suas residências e compareciam aos eventos In Loco lotando as arquibancadas mostraram aos investidores e justiça americana no momento da falência quase decretada que apesar de erros de certos dirigentes, que o produto em si, o campeonato da Champ Car, era altamente viável e que, com uma administração competente e sem os vícios de um passado recente, poderia retornar a rentabilidade de outrora. No mundo inteiro, mesmo em países onde a categoria nunca passou, tem respeito considerado, pois é tratado como a grande categoria desportiva americana, ao contrario dos "shows" protagonizados pelo pessoal da Indy Racing League ou da própria Nascar.

Quando a categoria fez uma apresentação de marketing na Argentina em 2000, mais de dez mil fãs lotaram o espaço destinado para apresentação do Reynard da equipe Walker Racing e do Swift da equipe Della Penna Motorsports, que tinha o piloto Norberto Fontana sob contrato. Em outros eventos na Coréia do Sul - mesmo com esta novela se teremos ou corrida lá - o simples fato de éter um champ car desatualizado deixou muitos fãs muito felizes apenas pelo simples fato de que esta categoria proporciona. Veja que os pilotos são obrigados, por contrato, a atender os fãs e local e hora especificados previamente pela organização. Era claro ver a alegria dos fãs (meninos, meninas, adultos, senhores, crianças acompanhados de pais, etc.) em estar perto de seus ídolos sem tanta frescura como tantos outros lugares não somente no esporte assim como nos meios musicais e televisivos. Além de que os ingressos para corridas americanas são imensamente mais acessíveis ao publico médio que um evento como a F-1 ou a Nascar.

Outra coisa é que as equipes fazem as suas apresentações em lugares próximas do público sempre com muitos anúncios antecipados, deixando claro que o público, em alguns casos torcedores exclusivos dessa ou daquela equipe - assim como este colunista que vos escreve - seja parte fundamental de todos os momentos deste espetáculo.

A importância dos fãs na CART (Fórmula Mundial, Fórmula Indy, Champ Car, OWRS ou tantos outros nomes) é tão grande que, depois de salvar a categoria, nós, incluímos-me neste time, vamos voltar a fazer desta, a grande categoria que ela foi um dia, nos anos 1980 e 1990.
 

Um grande abraço e até a próxima.

 

Fabio "Hyder" Azevedo
                                                                                                                              

 

 

Torcedor do Vasco da Gama e da Associação Atlética Anapolina, fui membro da Penske, atualmente sou Analista de Tecnologia da Informação mas continuo apaixonado pelas corridas como nunca. Nas quartas-feiras, falarei sobre as minhas experiências na categoria, além de contar histórias dos bastidores que poucos conhecem.

 

 

 

 

 

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