"Um marido ideal"
por Maria Fernanda Lamim

Oscar Wilde é sempre Oscar Wilde. Foi com esse pensamento que a colunista atrasadinha aqui foi conferir a peça “Um marido ideal”, em cartaz no teatro Leblon, de quinta a domingo, às 19h e 18h (domingo).

A montagem parecia bem tradicional: direção de Victor Garcia Peralta (onipresente nos palcos cariocas), e um elenco de veteranos: Jaqueline Laurence, Silvia Pfeiffer, Herson Capri, Edwin Luisi, Bianca Byngton, Larissa Bracher ,ou seja, tudo feito pra agradar a diretora careta que vos fala.

Realmente, o espetáculo é muito bom: os cenários servem bem à cena realista de Wilde, a trilha é bonita e coerente, a luz realça as passagens de tempo e os ambientes quase naturalistas.

O elenco mantém um tom entre o naturalista e o afetado, comum nas peças de Wilde. Na minha modesta opinião, a maioria dos atores, diretores, críticos e etc se equivoca ao encara Wilde como um “dandy” e achar que seus textos funcionam melhor quando ditos com leve afetação. A graça das frases de Wilde está no inesperado dito com naturalidade, está no cinismo dito como regra.

Mas de qualquer forma, o elenco consegue contar a ótima historia, com destaque para as cenas de Edwin Luisi e Herson Capri. Aliás, Edwin está muito bem no papel do incorrigível Artur, alter-ego de Wilde nessa peça. Mesmo sendo mais velho do que o personagem seria.

Enfim, para os fãs de Wilde, ou os fãs de comédias verborrágicas ( o que vem a dar no mesmo) o preço meio salgado do ingresso vale a pena. Afinal, Oscar Wilde é sempre Oscar Wilde.

OBS: pequeno espaço para o jabá, que ninguém é de ferro: a colunista está em cartaz com o musical infantil “Sapatinhos Vermelhos”, sábados e domingos, no teatro Glauce Rocha, às 16h. Até o dia 25 de março. Fica perto do metrô da carioca. É infantil mas é legal, eu juro. Ah, deixe de preconceito e vá conferir.