A Visão Dominante Quem realmente detém o poder ... ... ...
         
De início, vejamos o que podemos esperar do posicionamento científico, ora vigente, tão absoluto acerca de nossa própria história.
O trecho a seguir foi retirado de:
 

A Revisão da História Antiga - Uma Perspectiva
By P John Crowe.

An edited and extended version of a paper presented to
the SIS Jubilee Conference, Easthampstead Park, Sept. 17-19th 1999 [1]
Internet Paper Revision no.1 March 2001

1. Introdução

A história antiga, da maneira como nos é ensinada, é um desastre. Nada se ajusta convincentemente. O desenvolvimento das artes, culturas e tecnologias das primeiras eras demonstra incongruências inexplicáveis. Historiadores das artes e arqueologistas estão em desacordo. Por quê? Porque a cronologia do primeiro e segundo milênios AC está completamente errada. Como esse desastre aconteceu? Como os investigadores de acidentes bem sabem, a seqüência de eventos que leva aos grandes desastres é invariavelmente uma seqüência de acontecimentos e coincidências altamente improváveis e inesperados. Isso leva, freqüentemente na probabilidade de um em muitos milhões, aos grandes desastres. Revisionistas da história antiga acreditam que a causa disso é a cronologia convencionada para o antigo Egito, referenciada como CC ao longo do restante deste texto. Ela foi tomada como correta e usada direta ou indiretamente para datar quase todas as outras civilizações antigas da Europa e Oriente Próximo. Tal é o peso do controle exercido pelas instituições acadêmicas atuais que elas não toleram nenhum possível movimento revisionista em seu seio. Assim, estudiosos de fora, incluindo alguns acadêmicos brilhantes e pensadores de vanguarda, que se auto-denominam revisionistas da história antiga, estão agindo como os investigadores de acidentes nesse desastre. Estão investigando todas as evidências relevantes, em todos os seus detalhes, no intuito de descobrir e expor todos os eventos e desafortunadas coincidências que envolveram a adoção da CC como parâmetro oficial.
A Sociedade para Estudos Interdisciplinares (Society for Interdisciplinary Studies - SIS) foi fundada em 1974 para promover a discussão e posterior estudo das idéias de Immanuel Velikovsky. Ele foi um dos primeiros a fazer o anúncio público de que a cronologia do antigo Egito estava, e ainda está, terrivelmente errada. Como resultado, os faraós da 18ª Dinastia (D18), que tem como figuras mais famosas a Rainha Hatshepsut e Tutankhamun, foram jogados 500 anos no tempo. Ele chegou a essa conclusão depois de comparar as primeiras histórias dos Hebreus e Egípcios. No Velho Testamento, os antigos hebreus registraram grandes eventos tais como a entrada no Egito, a permanência na região, a opressão e o Êxodo do Egito, e campanhas posteriores dos reis egípcios Shishak e Zerah contra seu povo. Entretanto, nenhuma referência clara a qualquer desses eventos pode ser achada na história egípcia.
Desde os últimos tempos da era Vitoriana, historiadores e arqueologistas assumiram, de uma combinação de fontes antigas, que sua versão da cronologia egípcia é segura. Dessa forma, artefatos egípcios achados em muitos lugares fora do Egito foram usados para datar a arqueologia de outras regiões em torno do Mediterrâneo que não tinham nenhum registro histórico próprio. Por exemplo, cerâmica de Micenas, na Grécia, foi achada no Egito, descrita em pinturas nas paredes de tumbas de reis da décima oitava dinastia (D18), e entre as ruínas de seus templos. Assim, o início da era Micênica foi datado, aproximadamente, para o início da D18, por volta de 1400 AC. Acredita-se que ela tenha se encerrado no tempo da invasão dórica do sul da Grécia, aproximadamente em 1200 AC. A objeção de que essa avaliação é 500 anos mais antiga do que a que é afirmada pelos historiadores gregos e romanos da antigüidade, que viveram uns 2000 anos mais próximos do período em questão, foi simplesmente rejeitada. Os arqueologistas, então, começaram a descobrir cerâmicas micênicas em várias regiões por todo o Mediterrâneo oriental. Isso levou-os a concluir que houve focos de ocupação espalhados na Grécia e em outras áreas depois do fim da era Micênica, por volta do século 12 AC (12C). As pessoas, então, parece que voltaram misteriosamente a reaparecer em suas cidades em configurações semelhantes, exatamente como antes, no 8º século, quando a continuidade populacional podia ser firmemente estabelecida com o período clássico grego e com o mais consistentemente datado império Neo-Assírio. Esses focos de ocupação, durante 4 ou 5 séculos, foram chamados de 'Idades das Trevas', e forneceram a estudiosos uma grande fonte de confusão e controvérsia até o presente.
Velikovsky, referindo-se a relatórios arqueológicos, citou muitas disputas entre famosos arqueologistas que foram causados pela súbita exigência de que se ajustassem as interpretações arqueológicas à nova metodologia cronológica imposta pelas 'Idades das Trevas'. Muitas foram acirradas, carreiras foram irreparavelmente prejudicadas. Quase todas as disputas foram varridas para baixo do tapete, jamais tendo sido satisfatoriamente resolvidas. A Arqueologia, interpretada com mente aberta, provou realmente, além de qualquer dúvida, que as 'Idades das Trevas' não existiram, mas a prova é ignorada. Interesses velados do status quo ganharam a batalha. Montanhas de dinheiro público estão sendo gastas no estudo dessa invenção Vitoriana, centenas de livros são escritos sobre ela sem solucionar sua historicidade. Tristemente, ninguém do meio acadêmico teve coragem de questionar publicamente, de maneira séria, as suposições fundamentais sobre as quais a cronologia egípcia, base das 'Idades das Trevas', estão firmadas.
Infelizmente a reação a pensamentos inovadores no meio acadêmico é, freqüentemente, de tentar afogar o inovador e seu trabalho em uma maré de ridicularizações e deturpações. O dogma do Establishment, que controla rigidamente o que é ensinado à geração seguinte, tem sido sempre defendido de modo feroz. Mas tem sido, muitas vezes, falso. Para tomarmos um exemplo conhecido, a Igreja Católica queimou Bruno vivo em 1600 DC, por se recusar a acreditar que a Terra fosse o centro do Universo, um dogma que vinham ensinando sem desafios por aproximadamente 1300 anos. O meio acadêmico, atualmente, exerce um controle até mais rígido sobre o que é ensinado e sobre os assuntos que são apropriados para a pesquisa. O politicamente aceito, apesar de falho, sistema de 'peer review' é jogado pelos guardiões do Dogma que controlam as publicações de pesquisa, possibilitando-lhes asfixiar as teorias inovadoras que os contradigam. Para o Establishment da década de 1950, Velikovsky era tanto um radical quanto um intruso, e lhe responderam usando os tradicionais métodos medievais de calúnia e supressão. No entanto, fora do meio acadêmico ele recebeu apoio considerável e as muitas anomalias e problemas óbvios causados pela cronologia equivocada têm sido, desde então, tema de intensos estudos e debates entre os historiadores revisionistas.
Ao aceitar que a fonte teórica da atual cronologia egípcia é falsa, e ao aceitar as evidências arqueológicas inequívocas, todos os problemas das 'Idades das Trevas' poderiam ser resolvidas de um golpe. Somas enormes do dinheiro público poderiam ser economizadas, além das incontáveis horas de talentosos estudiosos que desperdiçam seu tempo e habilidades tentando resolver o irresolúvel. A verdade sobre a história antiga e o desenvolvimento da cultura e tecnologias poderia, então, finalmente ser bem compreendida. A credibilidade de muitos dos maravilhosos registros de tempos remotos, incluindo aqueles contidos no Velho Testamento, começaria também a ser restaurada.
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P John Crowe.
Copyright March 2001

Vejamos, agora, o que pensam alguns pesquisadores e cientistas sobre a teoria da evolução do Homo sapiens:

Arqueologia Proibida: A História Oculta da Raça Humana
By Michael A. Cremo and Richard L. Thompson
Published by BBT Science Books, 1996. ISBN: 0-89213-294-9. Hardbound, 952 pages.

INTRODUÇÃO
Em 1979, pesquisadores em Laetoli, Tanzania, em um sítio da África Oriental descobriram pegadas em depósitos de cinza vulcânica com idade superior a 3,6 milhões de anos. Mary Leakey e outros disseram que as pegadas eram indistingüíveis das humanas atuais. Para estes cientistas, isso apenas significa que os ancestrais do homem de 3,6 milhões de anos atrás tinham pés incrivelmente modernos.
Mas, de acordo com outros cientistas, como o antropólogo físico R.H. Tuttle da Universidade de Chicago, ossos fósseis dos australopithecos conhecidos de 3,6 milhões de anos atrás demonstram que eles tinham pés que eram claramente próximos dos pés de um macaco.
Assim, são incompatíveis com as pegadas de Laetoli. Em um artigo da edição de março de 1990 da revista 'Natural History', Tuttle confessou que "estamos frente a um mistério". Parece admissível, portanto, considerar a possibilidade que nem Tuttle nem Leakey mencionaram - que criaturas com corpos humanos anatomicamente modernos, que combinassem com seus pés humanos anatomicamente modernos, existiram há 3,6 milhões de anos atrás na África Oriental. Talvez, como sugerido na ilustração da página oposta, eles coexistiram com criaturas simiescas. Intrigante como possa parecer essa possibilidade arqueológica, as idéias atuais sobre a evolução humana a proíbem.
Pessoas sensatas irão alertar para a consideração da existência de humanos anatomicamente modernos há milhões de anos com base, simplesmente, nas pegadas de Laetoli. Mas há mais evidências. Durante as últimas décadas, cientistas na África descobriram ossos fósseis que parecem consideravelmente humanos. Em 1965, Bryan Patterson e W. W. Howells acharam um úmero (osso do braço) surpreendentemente moderno em Kanapoi, Kenya. Os cientistas avaliaram sua idade em 4 milhões de anos. Henry M. McHenry e Robert S. Corruccini, da Universidade da Califórnia, disseram que o úmero de Kanapoi era "dificilmente distingüível do osso de um Homo sapiens atual". Similarmente, Richard Leakey disse que o fêmur ER 1481 do Lago Tukana, Kenya, achado em 1972, era indistingüível do de um humano moderno. Os cientistas normalmente associam o fêmur ER 1481, que tem cerca de 2 milhões de anos, ao pré-humano Homo habilis. Mas, desde que o ER 1481 foi achado isoladamente, não se pode descartar a possibilidade de que o resto do esqueleto fosse, também, anatomicamente moderno. De forma interessante, em 1913 o cientista alemão Hans Reck descobriu, em Olduvai Gorge, Tanzania, um esqueleto humano completo, anatomicamente moderno, em um estrato de mais de um milhão de anos, gerando décadas de controvérsias.
Aqui, novamente, alguns nos alertarão para que não exagerarmos o valor de alguns poucos e controversos exemplos em contraste com a grande quantidade de evidências não controversas demonstrando que os humanos atuais evoluíram de criaturas simiescas bastante recentemente - por volta de 100.000 anos para cá, na África, e na visão de alguns, em outras partes do mundo também.
Mas acontece que não esgotamos nossas fontes com as pegadas de Laetoli, o úmero de Kanapoi e o fêmur ER 1481. Pelos últimos oito anos, Richard Thompson e eu, com a assistência de nosso pesquisador Stephen Bernath, acumulamos um extenso corpo de evidências que desafia as teorias atuais sobre a evolução humana. Algumas dessas evidências, como as pegadas de Laetoli, são bem recentes. Mas boa parte delas foi registrada por cientistas no século dezenove e começo do século vinte. E, como você pode ver, nossa discussão sobre essas evidências podem constituir um livro muito grande.
Sem mesmo olhar para esse antigo conjunto de evidências, alguns assumirão que deve haver algo errado com ele - que foi convenientemente descartado há muito pelos cientistas, por razões muito boas. Richard e eu checamos bem essa possibilidade. Concluímos, no entanto, que a qualidade dessas evidências controversas não é melhor ou pior que as supostamente não controversas, usualmente citadas em favor das atuais teorias sobre a evolução humana.
Mas "Arqueologia Proibida" é mais do que um bem documentado catálogo de fatos não usuais. É, também, uma crítica sociológica, filosófica e histórica ao método científico, da forma como é aplicado à questão das origens da humanidade.
Não somos sociólogos, mas nossa abordagem é similar à praticada pelos adeptos da sociologia do conhecimento científico (SSK), como Steve Woolgar, Trevor Pinch, Michael Mulkay, Harry Collins, Bruno Latour, and Michael Lynch.
Cada um desses estudiosos tem uma perspectiva única da SSK, mas todos provavelmente concordariam com o seguinte enunciado programático. As conclusões dos cientistas não correspondem de forma idêntica as estados e processos de uma realidade objetiva natural. Ao invés, tais conclusões refletem os reais processos sociais dos cientistas, mais do que o que acontece na natureza/meio ambiente.
A abordagem crítica que fazemos em "Arqueologia Proibida" também assemelha-se à usada pelos filósofos da ciência, como Paul Feyerabend, que afirma que a ciência alcançou uma posição por demais privilegiada no campo intelectual, e por historiadores da ciência, como J. S. Rudwick, que explorou em detalhes a natureza da controvérsia científica. Como Rudwick, em "A Grande Contovérsia Devoniana", usamos a narrativa para apresentarmos nosso material, que engloba não uma mas muitas controvérsias - controvérsias há muito resolvidas, não resolvidas ainda e em formação. Para isso foram feitas muitas citações de fontes primárias e secundárias, e fornecidas descrições detalhadas das reviravoltas dos complexos debates paleoantropológicos.
Para os que trabalham com disciplinas relacionadas com as origens da humanidade e antigüidade, "Arqueologia Proibida" provê um bem documentado compêndio de relatórios livres das muitas referências atuais, não facilmente conseguido de outra forma.
Um dos últimos autores a discutir o tipo de relatório achado em "Arqueologia Proibida" foi Marcellin Boule. Em seu livro "Fossil Men" (1957), Boule traz uma conclusão decididamente negativa. Mas, ao examinar os relatórios originais, percebemos que o ceticismo de Boule não é justificado. Em "Arqueologia Proibida", fornecemos material oriundo de fontes primárias que irão permitir aos leitores atuais formarem suas próprias opiniões sobre as evidências que Boule desacreditou. Também introduzimos vários casos que Boule deixou de mencionar.
Das evidências que colhemos, concluímos, algumas vezes em linguagem desprovida do experimentalismo ritual, que as hipóteses atualmente dominantes sobre as origens do homem necessitam de uma drástica revisão. Também concluímos que um processo de filtragem de conhecimentos deixou os estudiosos com uma coleção de fatos radicalmente prejudicada e incompleta.
Antecipamos que muitos estudiosos acharão em "Arqueologia Proibida" um convite a discursos produtivos sobre (1) a natureza e tratamento das evidências no campo das origens do homem e (2) as conclusões que podem ser mais logicamente alcançadas a partir de tais evidências.
No primeiro capítulo da Parte I, pesquisamos a história e o atual estado em que se encontram as idéias sobre a evolução do homem. Também discutimos alguns dos princípios epistemológicos que usamos em nosso estudo nesse campo. Principalmente, estamos interessados em duplo padrão no tratamento das evidências.
Identificamos dois principais corpos de evidências. O primeiro é um conjunto controverso (A), que demonstra a existência de humanos anatomicamente modernos no 'não muito confortável' passado distante. O segundo é um conjunto de evidências (B) que pode ser interpretado como comportando as atuais visões dominantes de que o homem evoluiu bem recentemente, de 100.000 anos para cá, na África, e talvez em outros lugares.
Também identificamos padrões empregados na avaliação das evidências paleoantropológicas. Depois de um estudo detalhado, descobrimos que se estes padrões forem aplicados igualmente para A e B, então devemos aceitar a ambos ou rejeitar a ambos. Se aceitarmos tanto A quanto B, então temos evidências colocando humanos anatomicamente modernos vivendo há milhões de anos atrás, coexistindo com humanóides simiescos. Se rejeitarmos a ambos, eliminamos a possibilidade de usarmos a base fática disponível para formularmos qualquer hipótese sobre as origens do homem e a antigüidade.
Historicamente, um significativo número de cientistas profissionais já aceitou as evidências do grupo A. Mas um grupo mais influente, que aplicou padrões mais rígidos a A do que a B, estabeleceu a rejeição de A e a preservação de B como dominante. Esse uso de padrões diferenciados para a aceitação ou rejeição de evidências constitui um filtro de conhecimentos que obscurece a verdade sobre a evolução humana.
No corpo da Parte I (Capítulos 2-6), checamos a vasta quantidade de evidências controversas que contradiz as idéias correntes sobre a evolução do homem. Narramos em detalhes como elas foram sistematicamente suprimidas, ignoradas ou esquecidas, mesmo sendo qualitativamente (e quantitativamente) equivalentes às atualmente aceitas. Quando falamos em supressão de evidências, não nos referimos a cientistas conspiradores levando a cabo um plano satânico para enganar o público.
Ao contrário, falamos sobre a existência de um processo sociológico de filtragem de conhecimento que aparenta ser bem inócuo mas que tem, em verdade, um substancial efeito cumulativo. Certas categorias de evidências simplesmente desapareceram, em nossa opinião injustificadamente.
O Capítulo 2 trata de ossos anormalmente antigos e conchas que exibem marcas e sinais de ruptura intencional. Até hoje, cientistas consideram tais ossos e conchas como uma importante categoria de evidências, e muitos sítios arqueológicos foram estabelecidos com base apenas nesse tipo de achado.
Nas décadas posteriores à apresentação da teoria de Darwin, numerosos cientistas descobriram ossos animais quebrados ou com incisões, e conchas sugerindo que humanos que usavam ferramentas ou precursores dos humanos existiram no Pliosceno (2-5 milhões de anos atrás), no Miosceno (5-25 milhões de anos atrás), e até antes. Ao analisar os ossos e conchas, os descobridores cuidadosamente consideraram e estabeleceram explicações alternativas - como a ação de animais ou pressão geológica - antes de concluir que os humanos eram os responsáveis. Em alguns casos, ferramentas de pedra foram achadas juntamente com os ossos e conchas.
Um exemplo particularmente impressionante nesta categoria é um concha exibindo uma rude, porém reconhecível, face humana esculpida em sua superfície externa. Registrada pelo geologista H. Stopes à Associação Britânica para o Avanço da Ciência em 1881, essa concha, de uma formação rochosa do Pliosceno, na Inglaterra, tem mais de 2 milhões de anos.
De acordo com os padrões aceitos, humanos capazes de tal nível de artifício não chegaram à Europa antes de 30.000 ou 40.000 antos atrás. Além disso, eles nem mesmo surgiram em seu berço, a África, antes de 100.000 anos atrás.
Em relação às evidências do tipo reportado por Stopes, Armand de Quatrefages escreveu em seu livro "Hommes Fossiles et Hommes Sauvages" (1884): "As objeções feitas à existência do homem no Pliosceno e Miosceno parecem ser habitualmente mais relacionadas a considerações teóricas do que à observação direta".
As mais rudimentares ferramentas de pedra, as eoliths ("as pedras da aurora") são o assunto do Capítulo 3. Esses instrumentos achados em contextos geológicos inesperadamente antigos, inspiraram prolongados debates no final do século dezenove e começo do século vinte.
Para alguns, as eoliths não eram sempre facilmente reconhecíveis como ferramentas. As eoliths não tinham forma simétrica. Ao contrário, a borda de uma lasca de pedra natural era quebrada para fazê-la servir para uma determinada tarefa, como raspar, cortar ou talhar. Freqüentemente a ponta ostentava sinais do uso.
Os críticos disseram que as eoliths resultaram de eventos naturais, como o rolar no fundo de rios. Mas os defensores da outra tese ofereceram contra-argumentos convincentes no sentido de que as forças naturais não poderiam causar o gasto - similar ao conseguido na pedra lascada - unidirecional em apenas um lado da pedra.
No final do século dezenove, Benjamin Harrison, um arqueologista amador, descobriu eoliths no Platô de Kent, no sudeste da Inglaterra. Evidências geológicas sugerem que as eoliths foram produzidas em meados ou no final do Ploisceno, por volta de 2 a 4 milhões de anos atrás. Entre os que apoiavam a tese decorrente da descoberta de Harrison estavam Alfred Russell Wallace, co-fundador com Darwin da teoria da evolução pela seleção natural; Sir John Prestwich, um dos mais eminentes geologistas ingleses; e Ray E. Lankester, um diretor do Museu Britânico (História Natural).
Embora Harrison tenha descoberto a maior parte de suas eoliths em depósitos superficiais de cascalho do Pliosceno, ele também descobriu muitas em níveis mais abaixo, durante uma escavação financiada e dirigida pela Associação Britânica para o Avanço da Ciência. Além das eoliths, Harrison achou, em vários lugares no Platô de Kent, ferramentas de pedra mais avançadas (paleoliths) de antigüidade plioscênica similar.
No começo do século vinte, J. Reid Moir, um membro do Instituto Real de Antropologia e presidente da Sociedade de Pré-História da Anglia Oriental, descobriu eoliths (e ferramentas de pedra mais avançadas) na formação inglesa de Red Crag. As ferramentas tinham por volta de 2 a 2,5 milhões de anos. Algumas das ferramentas de Moir foram achadas nos leitos de detritos de Red Crag e poderiam ter entre 2,5 e 55 milhões de anos.
Os achados de Moir ganharam o apoio de um dos maiores críticos das eoliths, Henri Breuil, então considerado como uma das mais proeminentes autoridades em ferramentas de pedra antigas. Outro patrocinador foi o paleontologista Henry Fairfield Osborn, do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. E, em 1923, uma comissão internacional de cientistas viajou até a Inglaterra para investigar as principais descobertas de Moir e as consideraram genuínas.
Mas, em 1939, A. S. Barnes publicou um artigo de muita influência, no qual analisava as eoliths descobertas por Moir e outras em termos do ângulo de quebra observado. Barnes afirmava que seu método podia distinguir entre o processo de lascar feito por humanos do produzido por forças naturais. Desde então, os cientistas têm usado o método de Barnes para negar a manufatura por homens de outras ferramentas de pedra. Mas, em anos recentes, autoridades em ferramentas de pedra, como George F. Carter, Leland W. Patterson e A. L. Bryan têm contestado a metodologia de Barnes e sua aplicação. Isso sugere a necessidade de reexame das eoliths européias.
Significativamente, ferramentas de pedra muito antigas, da África, como aquelas dos níveis mais baixos de Olduvai Gorge, aparentam serem idênticas às eoliths européias rejeitadas. Ainda assim, são aceitas pela comunidade científica sem questionamentos. Isso se dá, provavelmente, porque elas se encaixam e ajudam a apoiar a teoria da evolução do homem atualmente aceita.
Mas outras manufaturas eolíticas de antigüidade inesperada continuam a encontrar forte oposição. Por exemplo, na década de 1950, Louis Leakey descobriu ferramentas de pedra de mais de 200.000 anos em Calico, nos sul da Califórnia. De acordo com a visão padrão, os humanos não penetraram nas regiões subárticas do Novo Mundo antes de aproximadamente 12.000 anos atrás. Os cientistas acabaram por responder à descoberta de Calico, previsivelmente, afirmando que, ou eram produto das forças naturais, ou não tinham realmente 200.000 anos. Mas há razões suficientes para se concluir que as descobertas de Calico são artefatos de produção genuinamente humana.
Embora a maior parte das ferramentas fossem rudes, algumas, inclusive uma em forma de bico, eram mais avançadas.
No Capítulo 4, discutimos uma categoria de implementos que chamamos de paleoliths rudes. No caso das eoliths, a parte lascada localiza-se perfeitamente na borda trabalhada de um pedaço de pedra naturalmente quebrada. Mas os fabricantes dos paleoliths rudes deliberadamente golpearam as rochas, lascando, então, os pedaços até alcançar formas reconhecíveis como ferramentas. Em alguns casos, rochas inteiras foram lascadas até formarem ferramentas. Como vimos, as paleoliths brutas são encontradas juntamente com as eoliths. Mas, nos sítios discutidos no Capítulo 4, as paleoliths são dominantes no conjunto.
Na categoria das paleoliths brutas, incluímos ferramentas do Miosceno (5 a 25 milhões de anos) achadas no final do século dezenove por Carlos Ribeiro, chefe do Instituto de Pesquisa Geológica de Portugal. Em uma conferência internacional de arqueologistas e antropologistas, em Portugal, um comitê de cientistas investigou um dos sítios onde Ribeiro havia achado as ferramentas. Um dos cientistas achou um peça de pedra mais avançada que os melhores espécimes de Ribeiro. Comparável às peças aceitas como do final do Pleistoceno, do tipo Mousterian, estava firmemente encravada em conglomerado do Miosceno, em circunstâncias tais que confirmavam sua antigüidade mioscênica.
Paleoliths brutas também foram achadas em formações mioscênicas em Thenay, França. S. Laing, um escritor de ciências inglês, escreveu: "Em seu conjunto, a evidência desses implementos do Miosceno parece ser bastante conclusiva, e as objeções parecem não se situarem de outra forma a não ser como simples relutância em admitir a grande antigüidade do homem.
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O texto prossegue enumerando evidências da manipulação, por parte do establishment, das convicções dos homens acerca de sua própria história.
O pensamento livre, a dignidade do ser humano, a verdade, enfim, se expressou através dos signatários da DECLARAÇÃO DE VENEZA.

DECLARAÇÃO DE VENEZA
Comunicado final do Colóquio "A Ciência Diante das Fronteiras do Conhecimento"
Veneza, 7 de março de 1986.

Os participantes do colóquio "A Ciência Diante das Fronteiras do Conhecimento", organizado pela UNESCO, com a colaboração da Fundação Giorgio Cini (Veneza, 3-7 de março de 1986), animados pôr um espírito de abertura e de questionamento dos valores de nosso tempo, ficaram de acordo sobre os seguintes pontos:

1. Somos testemunhas de uma revolução muito importante no domínio da ciência, provocada pela ciência fundamental (em particular a física e a biologia), devido a transformação que ela traz à lógica, à epistemologia e também, através das aplicações tecnológicas, à vida de todos os dias. Mas, constatamos, ao mesmo tempo, a existência de uma importante defasagem entre
a nova visão do mundo que emerge do estudo dos sistemas naturais e os valores que ainda predominam na filosofia, nas ciências do homem e na vida da sociedade moderna. Pois estes valores baseiam-se em grande parte no determinismo mecanicista, no positivismo ou no niilismo. Sentimos esta defasagem como fortemente nociva e portadora de grandes ameaças de destruição de nossa espécie.

2. O conhecimento científico, devido a seu próprio movimento interno, chegou aos limites onde pode começar o diálogo com outras formas de conhecimento.
Neste sentido, reconhecendo os diferenças fundamentais entre a ciência e a tradição, constatamos não sua oposição mas sua complementaridade. O encontro inesperado e enriquecedor entre a ciência e as diferentes tradições do mundo permite pensar no aparecimento de uma nova visão da humanidade, até mesmo num novo racionalismo, que poderia levar a uma nova perspectiva metafísica.

3. Recusando qualquer projeto globalizante, qualquer sistema fechado de pensamento, qualquer nova utopia, reconhecemos ao mesmo tempo a urgência de uma procura verdadeiramente transdisciplinar, de uma troca dinâmica entre as ciências "exatas", as ciências "humanas", a arte e a tradição. Pode-se dizer que este enfoque transdisciplinar está inscrito em nosso próprio cérebro, pela interação dinâmica entre seus dois hemisférios. O estudo conjunto da natureza e do imaginário, do universo e do homem, poderia assim nos aproximar mais do real e nos permitir enfrentar melhor os diferentes desafios de nossa época.

4. O ensino convencional da ciência, por uma apresentação linear dos conhecimentos, dissimula a ruptura entre a ciência contemporânea e as visões anteriores do mundo. Reconhecemos a urgência da busca de novos métodos de educação que levem em conta os avanços da ciência, que agora se harmonizam com as grandes tradições culturais, cuja preservação e estudo aprofundado parecem fundamentais. A UNESCO seria a organização apropriada para promover tais idéias.

5. Os desafios de nossa época: o desafio da autodestruição de nossa espécie, o desafio da informática, o desafio da genética, etc., mostram de uma maneira nova a responsabilidade social dos cientistas no que diz respeito à iniciativa e à aplicação da pesquisa. Se os cientistas não podem decidir sobre a aplicação da pesquisa, se não podem decidir sobre a aplicação de
suas próprias descobertas, eles não devem assistir passivamente à aplicação cega destas descobertas. Em nossa opinião, a amplidão dos desafios contemporâneos exige, por um lado, a informação rigorosa e permanente da opinião pública e, por outro lado, a criação de organismos de orientação e até de decisão de natureza pluri e transdisciplinar.

6. Expressamos a esperança que a UNESCO dê prosseguimento a esta iniciativa, estimulando uma reflexão dirigida para a universalidade e a transdisciplinaridade. Agradecemos a UNESCO que tomou a iniciativa de organizar este encontro, de acordo com sua vocação de universalidade.
Agradecemos também a Fundação Giorgio Cini por ter oferecido este local privilegiado para a realização deste fórum.



Signatários

Professor D.A. Akyeampong (Gana), físico-matemático, Universidade de Gana.
Professor Ubiratan D'Ambrosio (Brasil), matemático, coordenador geral dos
Institutos, Universidade Estadual de Campinas. Professor René Berger
(Suiça), professor honorário, Universidade de Lausanne. Professor Nicolo
Dallaporta (Itália), professor honorário da Escola Internacional dos Altos
Estudos em Trieste. Professor Jean Dausset (França), Prêmio Nobel de
Fisiologia e de Medicina (1980), Presidente do Movimento Universal da
Responsabilidade Científica (MURS França). Senhora Maîtraye Devi (Índia),
poeta-escritora. Professor Gilbert Durand (França), filósofo, fundador do
Centro de pesquisa sobre o imaginário. Dr. Santiago Genovès (México),
pesquisador no Instituto de pesquisa antropológica, Acadêmico titutlar da
Academia nacional de medicina. Dr. Susantha Goonatilake (Sri Lanka),
pesquisador, antropologia cultural. Prof. Avishai Margalit (Israel),
filósofo, Universidade hebráica de Jerusalém. Prof. Yujiro Nakamura (Japão),
filósofo-escritor, professor na Universidade de Meiji. Dr. Basarab Nicolescu
(França), físico, C.N.R.S. Prof. David Ottoson (Suécia), Presidente do
Comitê Nobel pela fisiologia ou medicina, Professor e Diretor, Departamento
de Fisiologia, Instituto Karolinska. Sr. Michel Random (França), filósofo,
escritor. Sr. Facques G. Richardson (França- Estados Unidos), escritor
científico. Prof. Abdus Salam (Paquistão), Prêmio Nobel de Física (1979),
Diretor do Centro internacional de física teórica, Trieste, Itália,
representado pelo Dr. L.K. Shayo (Nigéria), professor de matemáticas. Dr.
Rupert Sheldrake (Reino Unido), Ph.D. em bioquímica, Universidade de
Cambridge. Prof. Henry Stapp (Estados Unidos da América), físico,
Laboratório Lawrence Berkeley, Universidade da Califórnia Berkeley. Dr.
David Suzuki (Canadá), geneticista, Universidade de British Columbia

A continuar...

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