(Universidade do Algarve para a Terceira Idade)

 

 

 

   1º PRÉMIO

   
   


 

     

   

 

 

 

 

 

 

 

 
  MOTEPOESIA SUJEITA A MOTE    
 

Mote:


Há quem viva só de sonho,
De saudades vivo eu,
Num dia a dia tristonho,
Porque meu sonho morreu…

 

 

 

 

 

 

 

 

  De Saudades e de Sonho

Nas minhas lembranças ponho
Perfume do meu jardim,
Há quem viva só de sonho,
Eu guardo o sonho em mim.

Tudo aquilo que foi meu
Recordo com alegria,
De saudades vivo eu,
Mas ponho nelas magia.

Nem tudo foi tão risonho,
Também vivi desenganos
Num dia a dia tristonho,
Quero esquecer esses anos.

Mas quem é que não sofreu
No seu percurso de vida?

Porque meu sonho morreu…
Não vou sentir-me perdida!

Safira
     
 

 

A noite chegou mansa, leve e fria,
Apossou-se das almas sem idade
E roubou-lhes o sonho... sem piedade,
Tomou conta de tudo, até ser dia.
 
Nessas horas cinzentas e pesadas,
Desfolhei minhas mágoas uma a uma,
Relembrei desenganos e, em suma,
Expurguei minhas dores armazenadas.
 
Depois da madrugada, rompe o dia,
O Sol veste de azul o céu que olho
E pinta de esperança a minha vida!
 
Tão longe vão as horas de agonia…
Choro de emoção e o rosto molho
Só de te olhar… na hora da partida.
 
                                                  Romântica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixaste morrer a esperança
Que é a última a morrer.
Não perguntei a razão…
Não me disseste o porquê.
 
Saíste…
E levaste o sonho embora!
Mas algo tu me deixaste
Nas cinzas ainda quentes
Que sobre mim derramaste.
 
Um sentimento de perda,
Uma tristeza escondida.
Fiquei sozinha, perdida,
Saíste…
Tudo levaste!
 
O Sol também foi embora,
Não era noite nem dia…
Até eu fiquei de fora
Da minha vida vazia.
 
Uma vida que não presta,
Uma mágoa tão sofrida
É tudo aquilo que resta…
Depois da tua partida.
 
Só o amor se escondeu,
Com vergonha de se expor.
A amizade é dom de Deus…
Sobrevive a qualquer dor!
 
Colombina

 

 

 

 

 

 

Laura sentia-se feliz, tudo à sua volta estava vivo e tinha um encanto especial.

A luz que os barcos ancorados na doca reflectiam era tão branca e intensa naquela hora do entardecer, que a faziam sentir-se possuída, ela própria, dessa mesma luz!

Ao fim de dois meses de uma vivência morna, despertara de novo, só porque abrira um recado dele, guardado bem lá no fundo da gaveta dos tesouros… e logo se rasgara o véu que veste o quotidiano e as sensações irromperam em cachão! Corre a escrever-lhe e num atropelo de palavras intensas, diz-lhe, a terminar, que queria de volta o homem que punha o seu coração em alvoroço, queria-o, mais do que tudo, na vida!

Agora, já preparada para dormir, relembra os acontecimentos do dia e repete para si, como se falasse para ele:

“Sim, punhas o meu coração alvoroçado, a pele em arrepios e o pensamento endoidecido, correndo e saltitando, ora num pé ora noutro, por caminhos nunca dantes pisados, em que tudo é verde, em que as flores desabrocham todos os dias numa miríade de cores, enquanto se ouvem campainhas ao longe…

Eu transformava-me em duende, tudo era magia à minha volta, só porque me dizias uma frase linda, ou me mandavas um poema escolhido cuidadosamente para mim.

És tu que eu quero de volta, tal como te mostraste, nu de disfarces, intenso, gentil e amoroso… o mais encantador, o mais sedutor, que me tomou por inteiro e me deixou sem defesas.

Quero que encontres esse homem perdido dentro de ti, e mo dês de presente, tão cedo quanto possível.

Ficamos à espera, as duas… eu e a outra em que me transformaste, pois não somos nada, uma sem a outra.”

Laura

 

 

1