Histórico


1910 -Jogar bola, naquele começo de século, era coisa para quem tinha grana. Mesmo assim, Antônio Pereira, Joaquim Ambrósio, Anselmo Correia, Carlos da Silva e Rafael Perrone (cinco "duros" que trabalhavam como funcionários da estrada de ferro São Paulo Railway) eram teimosos: queriam porque queriam fundar um time no bairro paulistano do Bom Retiro, onde moravam. Na noite de 1º de setembro, quando os cinco se reuniram sob a luz de um lampião a gás para batizar o novo clube, muitos nomes foram sugeridos - inclusive os estranhíssimos "Santos Dumont F.C." "Carlos Gomes", que quase acabaram aprovados. Mais que os feitos do Pai da Aviação (que por pouco não vira, também, o "Pai do Timão") ou as músicas do maestro que compôs O Guarani, porém, o que impressionava a turma do Bom Retiro era o futebol do Corinthians Team. Como aqueles ingleses que estavam excursionando pelo Brasil eram bons de bola! Em poucos dias, eles tinham enfiado 10 a 1 no Fluminense, 8 a 1 na Seleção Carioca e 5 a 2 em um combinado de brasileiros. Por isso, o nome do novo time só podia ser igual ao deles: Corinthians. Ou melhor, Sport Club Corinthians Paulista. Assim nasceu o Timão. Se você acha que o Parque São Jorge de hoje em dia, com seus 15 000 lugares, não está à altura das tradições corintianas, console-se: o primeiro "estádio" do Timão era bem pior. Não passava de um terreno baldio na Rua José Paulino, que, aplainado, acabou virando campo. A bola, de capotão, custou 6 contos de réis. E só pôde ser comprada graças à boa-vontade da vizinhança, que resolveu contribuir fazendo uma "vaquinha". No primeiro jogo da história corintiana aconteceu também a primeira derrota, de 1 x 0, para o União da Lapa. Mas essa pode ser considerada quase uma vitória. Afinal, o pessoal da Lapa já estava superenturmado com as manhas da várzea, enquanto o Corinthians estava apenas começando... Na segunda partida, contra o Estrela Polar, o centroavante (na época chamado centerforward) Luiz Fabbi marca o primeiro gol da história do time. E vem, enfim, a primeira de muitas vitórias: Timão 2 x 0.

1913 - Com o time organizado, era hora de jogar para valer. Mas como disputar um campeonato de verdade, se aquele era um "clube de operários"? Só havia dois jeitos: ser indicado por algum padrinho a uma das duas ligas da época (a Associação Paulista de Esportes Athleticos ou a Liga Paulista de Futebol, espécies de "avós" da atual Federação Paulista de Futebol). Ou, ainda, disputar jogos eliminatórios com outros times de várzea para ganhar uma vaga no campo. Foi o que o Timão teve de fazer. Primeiro, derrotou o Minas Gerais F.C., do Brás, por 1 x 0. Depois, o São Paulo (não o tricolor do Morumbi, que sequer existia, mas um desconhecido xará seu do bairro do Bexiga), por 4 x 0. Com isso, o Corinthians ganhava o direito de disputar seu primeiro Campeonato Paulista, em 1913, pela LPF. Juntou-se ao Americano, ao Germânia e ao Internacional, como uma espécie de quarto "mosqueteiro" - apelido que dura até hoje. E acabou em terceiro lugar.

1914 a 1920 - A Primeira Guerra Mundial começava a rolar na Europa quando o Timão conseguiu seu primeiro título. E invicto, com dez vitórias em dez jogos. No ano seguinte o time ficou de fora do campeonato. Mas, em 1916, voltou para repetir a dose. Dessa vez com treze vitórias em treze jogos. Surge o primeiro ídolo, Neco, um atacante raçudo e driblador que acabaria virando estátua no Parque São Jorge. Entre 1914 e 1917, foram três anos sem derrotas em jogos oficiais. Ninguém podia com o Timão.

1922 - Aquele era o ano do centenário da independência do Brasil. Por isso, quem levasse a taça carregaria essa glória pelos outros 100 anos, até que aparecesse outro campeão do centenário. E coube ao Timão faturar mais essa, com um 2 x 0, fácil, sobre o Paulistano, dentro do campo do adversário, no Jardim América. Depois, viria o primeiro tri, completado com as conquistas de 1923 e 1924. Nessa época, os ídolos da galera eram os zagueiros Grané e Del Debbio e os atacantes Tatu e Rodrigues.

1928 a 1930 - Enfim, o Timão realiza o sonho da casa própria, comprando o terreno do Parque São Jorge por 750 contos de réis. A Fazendinha é inaugurada em julho de 1928, com um jogo contra o América (campeão do centenário no Rio) que termina empatado em 2 x 2. No mesmo ano, o time arrancava para o segundo tricampeonato, de 1928/29 (invicto) e 30. Esse último teve um gostinho especial, porque foi conquistado com o time enfiando 5 x 2 no Santos, na última rodada, dentro da Vila Belmiro.

1937 a 1939 - O Timão fatura seu terceiro tri, coisa que nenhum time em São Paulo conseguiu até hoje. São os anos de ouro do artilheiro Teleco, que, com 243 gols marcados em 234 jogos, alcançou a incrível média de 1,03 gol por partida.

1941 a 1951 - É o primeiro grande jejum da história corintiana. Em 1941 o time havia levantado seu primeiro caneco no Pacaembu (estádio inaugurado em 1940). Mas, depois disso, a festa só iria se repetir dez anos depois. Valeu a pena esperar, porque, naquele ano, os atacantes Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário estavam mesmo infernais. Marcaram 103 vezes em 28 jogos (média de 3,7 gols por partida). De quebra, nesse período, o Corinthians fatura o primeiro Torneio Rio-São Paulo, em 1950 (façanha que repetiria em 1953, 1954 e 1966).

1954 - O Timão - que, desde 1922, era chamado de "campeão do centenário" - vira campeão dos centenários. A glória foi para o plural porque, naquele ano em que se comemoravam os 400 anos da cidade de São Paulo, a taça também acabou no Parque São Jorge. A decisão teve de tudo. Até macumba dos palmeirenses, que, querendo ganhar a taça de qualquer jeito, deram ouvido a um pai-de-santo e entraram de campo com camisas azuis. Não adiantou nada: o gol de cabeça do pequeno Luizinho no empate de 1 x 1 foi suficiente para garantir mais aquela conquista, a 15.a da história do Timão.

1955 a 1976 - Foram os anos mais duros da vida do clube. O azar era tanto que, diziam, havia um sapo enterrado no Parque São Jorge. Também, não era para menos: nem craques como Almir (considerado o "Pelé branco", trazido a peso de ouro em 1960) e Garrincha (contratado em 1966) deram jeito no time. O técnico foi trocado 25 vezes, sem nenhum resultado prático. O clube passou onze anos sem ganhar do Santos, entre 1957 e 1968. E outros dezessete sem a chance de disputar o título diretamente em uma partida final. Quando isso finalmente aconteceu, na decisão de 1974, contra o Palmeiras, veio a maior decepção. Com a derrota de 1 x 0 e a perda de mais um título, Rivelino, o grande ídolo da equipe nos últimos dez anos, foi acusado de ter feito corpo mole. E acabou sendo vendido ao Fluminense. As coisas só começaram a melhorar no final de 1976, quando uma caravana de 70 000 fiéis invadiu o Maracanã para empurrar o time na semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Fluminense. A equipe empatou (1 x 1) e ganhou a vaga nos pênaltis, mas, na final, não resistiu ao Internacional de Falcão, ficando com o título de vice-campeã nacional.

1977 a 1989 - Xô, satanás! Era o fim dos tempos de vacas magras. Aos 37 minutos do segundo tempo, Basílio dá um pontapé no sufoco, mandando para o gol da Ponte Preta a bola que, momentos antes, havia batido na trave, no chute de Vaguinho, e no zagueiro Oscar, depois da cabeçada de Wladimir. Haja coração! O grito de gol daquela noite de 13 de outubro foi a senha para os novos tempos. A dose se repetiu em 1979, com as infernais tabelinhas entre Sócrates e Palhinha. Em 1982,acompanhando a abertura política do país, surgiu a Democracia Corintiana. Uma tentativa de mudar as relações entre clubes e jogadores, liderada por Sócrates e Casagrande, que instituiu, entre outras coisas, o fim da concentração para quem fosse casado. Nesse clima de sexo livre, o Timão chegou, trinta e um anos depois, a um bicampeonato, em 1982/83. Outro título paulista, só cinco anos mais tarde, quando o garoto Viola, com um gol já na prorrogação, matou o Guarani dentro do Brinco de Ouro, em Campinas, trazendo para São Paulo a 20ª taça do Paulistão.

1990 a 2000 - Mas faltava, ainda, o título brasileiro. Que veio em 1990, pelos pés de Neto, em fantásticas cobranças de faltas, garantindo a presença do time nas finais. Mas também pelo pé de Tupãzinho, que despachou o São Paulo ao fazer o 1 x 0 da partida decisiva. Melhor que isso, só mesmo em 1995, o ano do Timão "Papa-Tudo". Primeiro, veio a Copa do Brasil, arrancada à força do poderoso Grêmio, dentro de Porto Alegre, com um gol de Marcelinho. Depois, o Paulistão,com mais uma falta devidamente encaçapada por Marcelinho e um tiraço de Elivélton de fora da área, já na prorrogação. Detalhe: a vitória foi de virada,em cima do Palmeiras. Para o corintiano, nada poderia ser mais gostoso. 1996 passou em branco, com a prematura descalssificação nas Quartas-de-Final da Libertadores, pelo Grêmio. Em 1987, o Timão recebe o reforço financeiro do Branco Excel, a primeira empresa a fechar com o clube um contrato de parceria. Vieram o zagueiro Antônio Carlos, o lateral-esquerdo André Luís, os atacantes Túlio e Donizete. E também o título paulista, 22º da história do clube, com um empate na Final diante do São Paulo. Quem viu o Timão ameaçado pelo rebaixamento até a última rodada do Brasileiro de 1997 nem de longe poderia imaginar a revolução que estava por vir nos anos seguintes. Já em 1998 Wanderley Luxemburgo era o técnico e Gamarra, Vampeta,Marcelinho e Edílson, as estrelas. O time foi campeão brasileiro liderando o campeonato de ponta a ponta. No ano seguinte - já sem Gamarra mas com o goleiro Dida, talvez o maior defensor de pênaltis de todos os tempos -, o Corinthians muda de parceiro: sai o Banco Excel, entra o grupo norte-americano HMTF. É bi brasileiro, fatura também o Campeonato Paulista e por um triz não tira o Palmeiras, nos pênaltis, na Libertadores. A virada do milênio assiste à consagração corintiana em termos internacionais. O clube é o primeiro campeão mundial reconhecido pela Fifa, vencendo a competição organizada no Brasil. E começa o novo século como o melhor time do país.