Romantismo no Mundo
 
 

 

Surge na primeira metade do século XIX, ligado à ascensão da burguesia, provocado pela Revolução Francesa e consolidado com as revoluções liberais de 1830 e 1848. Em reação ao universalismo neoclássico, propõe uma arte subjetiva e individualista.

O romance é o gênero romântico por excelência, tomando como tema, com freqüência, o amor em suas formas mais exaltadas, como acontece com Emily Brontë (O morro dos ventos uivantes), com sua irmã Charlotte (Jane Eyre) ou com o português Camilo Castelo Branco (Amor de perdição). Mais lírico e bucólico é o amor descrito por Georges Sand (A pequena Fadette) ou Júlio Dinis (A morgadinha dos canaviais).

O gosto pelo mistério e a dificuldade em distinguir entre sonho e realidade marcam, na Alemanha, os poemas de Jean-Paul Richter, ou as novelas fantásticas de Ernst Theodor Hoffmann e Adalberto von Chamisso.

Victor Hugo (1802-1885) vive a maior parte da infância longe do pai general. Decide-se cedo pela literatura e escreve poesia, romances e peças de teatro. Paralelamente tem intensa atividade política e apóia Napoleão III. Quando torna-se favorável à república é obrigado a se exilar, morando em Bruxelas, e nas ilhas de Jersey e Guernesey. Em 1876 torna-se senador. Seus romances mais conhecidos são Notre Dame de Paris, onde os personagens principais são gente do povo da cidade e Os miseráveis, onde registra o desejo de mudança da sociedade. É um dos formuladores teóricos do teatro romântico na França e aplica essas regras nas peças Hernani e Rui Blas.

Romances históricos – O nacionalismo e a valorização do passado estão presentes nos romances históricos do escocês sir Walter Scott (Ivanhoé), do italiano Alessandro Manzoni (Os noivos), do francês Victor Hugo (Notre Dame de Paris) ou do português Alexandre Herculano (Eurico, o presbítero).

Mal do século – A exacerbação do individualismo, o tédio e o ceticismo diante da existência criam a sensação indefinida de insatisfação a que os românticos davam o nome de "mal do século", expressa por autores tão diversos quanto Lord Byron (Don Juan), François-René de Chateaubriand (Memórias de além-túmulo), ou Heinrich Heine (O livro das canções).

Literatura infanto-juvenil – Os alemães Jakob e Wilhem Grimm publicam 211 contos de origem popular e retrabalham alguns contos de Perrault.

Poesia – O desejo de reforma e o engajamento político transparecem na poesia de Giosuè Carducci, de Alfred de Vigny e de Victor Hugo. Já o individualismo aparece na obra poética dos alemães Novalis e Friedrich Hölderlin, dos ingleses John Keats, Percy Shelley e William Wordsworth, dos franceses Alphonse de Lamartine e Alfred de Musset, dos italianos Ugo Foscolo e Giacomo Leopardi, dos espanhóis Gustavo Adolfo Bécquer e José Espronceda.

Escolas nacionais

Os movimentos pela soberania, desencadeados, em vários países europeus e americanos, por influência das revoluções de 1830 e 1848, têm como subproduto o desejo de afirmação estética de uma identidade nacional. Isto aparece na temática e na linguagem.

Europa – Destacam-se os poetas Aleksandr Pushkin (Ievgueni Onieguin), Fiodor Tiutchev (Lírica) e Mikhail Liermontov (O demônio), na Rússia; Sándor Petöffi (János Vítesz), Mihály Vörösmárty (Szép Ilonka) e János Arany (Ramalhete de outono), na Hungria.

América – Nos EUA, destacam-se os escritos de Ralph Waldo Emerson (Ensaios) e do rousseauísta Henry David Thoreau (Walden); os romances de Nathaniel Hawthorne (A letra escarlate) e Fenimore Cooper (O último dos moicanos); a poesia indigenista de Henry Longfellow (Hiawatha) ou o lirismo pessoal de John Greenleaf Whittier e Emily Dickinson. Na Argentina, destacam-se Esteban Echeverría (O matadouro), porta-voz da luta contra a ditadura de Rosas, José Hernández (Martín Fierro), precursor do regionalismo, e o poeta José Mármol (Cantos do peregrino).

Referências bibliográficas

PROENÇA FILHO, Domicio. Estilos de época na literatura: (através de textos comentados). 5.ed. São Paulo: Ática, 1978.
ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1988.
COELHO, Nelly Novaes. O ensino da literatura: comunicação e expressão. 2.ed. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1973.
MAIA, João Domingues. Literatura: textos e técnicas. São Paulo: Ática, 1995.

 

 
 

Romantismo na História da Arte Idade Contemporânea - Europa

 
 

ARTE ROMÂNTICA

Movimento artístico europeu e americano que se estende aproximadamente de 1800 a 1850. O Romantismo não pode ser identificado com um único estilo, técnica, ou atitude, mas a pintura romântica geralmente é caracterizada como sendo altamente imaginativa e subjetiva, por sua intensidade emocional, lembrando o sonho ou estados visionários. Considerando que a arte clássica e neoclássica são vistas como tranqüilas e de sentimento contido, como uma claridade completa de expressão, a arte romântica caracteristicamente se esforça por expressar, através da sugestão declarada, sentimentos muito intensos, místicos, ou que não costumam ser claramente definidos. Segundo o escritor alemão E. T. A. Hoffmann, “desejar o infinito” é a essência do romantismo. Na sua escolha temática, os românticos mostraram uma afinidade pela natureza, especialmente seus aspectos selvagens e misteriosos, e também pelos temas exóticos e melodramáticos que pudessem evocar temor ou paixão.

Antecedentes do século XVIII

A palavra “romântico” tornou-se corrente na Inglaterra durante o século XVII, significando originalmente “algo pertencente ou semelhante ao romance”, isto é, que se assemelhasse ao caráter estranho e fantástico dos romances medievais. A palavra veio a ser associada com o gosto emergente pela paisagem selvagem, visões “sublimes” da natureza, e representações de ruínas de prédios e castelos antigos, refletindo uma tendência da teoria estética que dava ênfase crescente ao sublime ao invés do belo. O escritor e estadista britânico Edmund Burke, por exemplo, identificava a beleza com delicadeza e harmonia e o sublime com imensidade, obscuridade e uma capacidade de inspirar terror. Também durante o século XVIII, o sentimento começou a ser considerado mais importante que a razão, tanto na literatura quanto na filosofia, especialmente a partir do trabalho do filósofo e novelista francês Jean Jacques Rousseau.

A poesia romântica, na Inglaterra e na Alemanha, surgiu na última década do século XVIII. Ao final daquele século a troca da razão pelo sentimento e pela imaginação começou a refletir nas artes visuais como, por exemplo nas ilustrações visionárias do poeta e pintor inglês William Blake, e também nas pinturas - às vezes chocantes e sombrias - de seu amigo de origem suíça, o pintor inglês Henry Fuseli, assim como nas gravuras sombrias de monstros e demônios feitas pelo artista espanhol Francisco Goya.

França

Na França a fase formativa do romantismo coincidiu com as Guerras Napoleônicas (1799-1815), e os primeiros pintores românticos franceses acharam sua inspiração nos eventos de que eram contemporâneos. Antoine Jean Gros começou a transição do neoclassicismo para o romantismo afastando-se da sobriedade de seu professor, Louis David, para um estilo mais colorido e emocional, influenciado pelo pintor barroco Peter Paul Rubens. Gros desenvolveu este estilo em uma série de pinturas de batalha que glorificavam Napoleão.

A figura seminal do romantismo francês foi Théodore Géricault, que expandiu o caráter dramático, assim como as tendências colorísticas do estilo de Gros, passando da ênfase temática em pinturas de batalha e heroísmo para a abordagem do sofrimento e da resistência. Em seu Couraceiro Ferido (1814, Louvre, Paris), um soldado manca em meio ao campo coberto por uma fumaça ascendente e um céu cheio de nuvens descendentes que parecem se encontrar no personagem central. As pinceladas poderosas, o contraste de luz e tons escuros exaltam a sensação de isolamento e vulnerabilidade que, para Géricault e muitos outros românticos, constituíram a essência da condição humana.

A obra-prima de Géricault, A Balsa do Medusa (1818-19, Louvre), retrata em uma escala heróica o sofrimento da humanidade ordinária, um tema também trabalhado pelo maior pintor romântico francês, Eugène Delacroix, em seu Massacre em Chios (1824, Louvre). Delacroix freqüentemente trabalhou temas retirados da literatura, mas procurava transcender o mero significado literário ou didático, usando a cor para criar um efeito de pura energia e emoção que ele próprio comparou a música. Rejeitando a ênfase neoclássica na forma no esboço, Delacroix usou meios tons derivados não do escurecimento de uma cor, mas da justaposição de seu complemento. O efeito resultante, de extrema vibração enérgica, foi intensificado por suas pinceladas longas e nervosas. Seu A Morte de Sardanapalus (1827, Louvre) inspirado pela obra do poeta romântico inglês Lord Byron, é precisamente detalhado, mas a ação é tão violenta e a composição tão dinâmica que o efeito é de caos, caos esse que engolfa a figura imóvel e indiferente do rei.

Alemanha

A pintura romântica alemã, assim como a poesia romântica e a filosofia alemãs, estava inspirada por uma concepção de natureza como uma manifestação do divino. Isto conduziu para uma escola de paisagem simbólica, iniciada pelas pinturas místicas e alegóricas de Philipp Otto Runge (1777-1810).

Seu maior expoente, e também o maior pintor romântico alemão, foi Caspar David Friedrich, cujas paisagens meditativas, pintadas em um estilo lúcido e meticuloso, pairam entre um sentimento místico sutil e uma sensação de solidão melancólica e alienação. Em O Mar Polar (1824, Kunsthalle, Hamburgo), seu pessimismo romântico é expressado diretamente; os restos de um navio naufragado são pouco visíveis em baixo de uma pirâmide de lajes de gelo que parecem um monumento ao triunfo de natureza sobre a aspiração humana.

Outra escola de pintura romântica alemã foi formada pelo grupo chamado de “os nazarenos”, que tentou recuperar o estilo e espírito de arte religiosa medieval; seu líder foi Johann Friedrich Overbeck (1789-1869). Notável entre os artistas tardios da tradição romântica alemã foi o austríaco Moritz Von Schwind (1804-71), que retirava seus temas da mitologia germânica e de contos de fadas.

Inglaterra

Paisagens representadas com um sentimento romântico se tornaram a expressão principal da pintura romântica na Inglaterra, assim como na Alemanha, mas os artistas ingleses eram mais inovadores no estilo e na técnica.

Samuel Palmer pintou paisagens distinguidas por uma simplicidade inocente de estilo e um sentimento religioso visionário derivado de Blake.

John Constable, afastando-se da paisagem natural e selvagem associada com muitos poetas e pintores românticos, dedicou-se à representação de quietos e calmos jardins ingleses, em cenas de profundo sentimento. Tendo sido um dos primeiros artistas de destaque a trabalhar ao ar livre, alcançou uma frescura de visão pelo uso de cores luminosas e um esboço corajoso e espesso.

J. M. W. Turner alcançou a visão pictórica mais radical de qualquer artista romântico. Começando com paisagens que lembravam o pintor francês do século XVII Claude Lorrain, Turner passou, em seus mais últimos trabalhos, como Tempestade de Neve: Barco a Vapor Fora da Boca do Porto (1842, Tate Gallery, Londres), à completa concentração em efeitos atmosféricos de luz e cor, misturando nuvens mar num vórtice no qual são dissolvidos todos os objetos da cena.

Os Estados Unidos

A manifestação principal de pintura romântica americana era a escola do Rio Hudson que achou sua inspiração no deserto áspero de Washington Allston, o primeiro paisagista americano, que introduziu o romantismo nos Estados Unidos enchendo suas paisagens poéticas de sentimento subjetivo. O maior expoente da escola do Rio Hudson foi Thomas Cole, nascido na Inglaterra, cujas representações de florestas primitivas e altos cumes montanhosos estão carregadas de uma sensação de grandeza moral. Frederick Church, aluno de Cole, adaptou estilo da escola do Rio Hudson em suas pinturas, registrando paisagens européias, sul-americanas e palestinas.

Romantismo Tardio

A partir de meados do século XIX, a pintura romântica começou afastar-se da intensidade do movimento original. Entre as realizações tardias do romantismo estão as paisagens quietas, atmosféricas da escola do Barbizon Francêsque incluiu Camille Corot e Theodore Rousseau. Na Inglaterra, depois de 1850, os “Pré-Rafaelitas” reavivaram a tentativa de medievalização da pintura dos Nazarenos alemães.

Influência

A influência do romantismo na pintura subseqüente foi penetrante. Sua linha de abordagem pictórica pode ser percebida até no impressionismo, mas um descendente mais direto do romantismo foi o simbolismo que, de vários modos, intensificou ou refinou as características românticas de subjetividade, imaginação, e imagens estranhas e de sonhos. Estas tendências avançaram até o expressionismo e o surrealismo do século XX. Porém, de certo modo, pode ser dito que virtualmente toda arte moderna deriva do romantismo, pois as suposições modernas sobre liberdade artística, originalidade, e auto-expressão foram concebidas originariamente pelos românticos em oposição aos princípios clássicos tradicionais da arte.

Traduzido de
Infopedia 2.0 CD-ROM
© Softkey, London, 1995.


ARTE ROMÂNTICA

O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa do final do século XVIII. Do mesmo modo, atividade artística tornou-se complexa.

Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista.

Características gerais:

a valorização dos sentimentos e da imaginação;

o nacionalismo;

a valorização da natureza como princípios da criação artística;

os sentimentos do presente.

ARQUITETURA

Característica principal da arquitetura:

Revaloriza-se o gótico, considerado estilo genuinamente europeu.

Obra Destacada: Edifício do Parlamento Inglês.

PINTURA

Características da pintura:

Aproximação das formas barrocas;

Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador;

Valorização das cores, claro-escuro;

Dramaticidade.

Temas da pintura:

Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas;

Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas;

Mitologia Grega.

PRINCIPAIS ARTISTAS

Goya - trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela liberdade.
Obra destacada: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808.

Turner - representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva).
Obras destacadas: Chuva, Vapor e Velocidade e O Grande Canal, Veneza.

Delacroix - suas obras apresentam forte comprometimento político, e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores, das luzes e das sombras, dando-nos a sensação de grande movimentação. Representava assuntos abstratos personificando-os.
Obras destacadas: A Liberdade guiando o povo e Agitação de Tânger.



 
1