DESÂNIMO
OU PREGUIÇITE CRÔNICA
Como isso acontece sem a gente perceber,
de uma hora para outra todo aquele seu gás, as suas idéias, tudo desaparece,
você já acorda cansado, sem vontade de levantar da cama, aliás, se respirar não
fosse automático você também ia pensar duas vezes antes de inspirar e expirar.
Meu Deus, cadê o meu pique que estava
ainda aqui ontem, cadê aquela energia pra mudar as coisas, para ligar para os
amigos e combinar uma saída, pra tocar a frente os projetos de sociedade numa
clínica, até para escrever esse texto falta vontade.
É incrível a quantidade de atividades que
tenho para fazer e não quero, sendo que nem todas são chatas, tem muita coisa
que me diverte no meio desse mundaréu de planos e objetivos a serem realizados
e alcançados, mas eu simplesmente não quero, não quero pensar, não quero me
preocupar, não quero nem me mexer mais.
Não é culpa da segunda-feira, nem de nada
que tenha acontecido de imediato, é simplesmente desânimo, vontade de sumir,
fechar os olhos e acordar num canto isolado de uma praia, de ficar boiando
dentro de uma piscina ignorando tudo ao redor, a correria, as decisões, as
pessoas sem – caráter à volta, as dores físicas e emocionais, os corações
partidos e os abandonados.
É um sentimento assustador de desilusão
com as decisões e com os caminhos que escolhi, de uma total incompetência
própria de buscar novas idéias e horizontes, de cansaço de ter que sempre
abandonar os planos por algum motivo alheio, de perder a oportunidade por
segurar meus instintos.
O mais estranho é que não sei se é
desânimo por tudo isso que pensei ou se procuro desculpas para uma crise de
preguiça crônica, vontade de não ter responsabilidade, de passar a tarde
deitado vendo televisão e comendo bolacha, de andar pela rua e ver todos apressados
com suas roupas de trabalho, enquanto eu fico tomando sorvete, de bermuda,
sentado num muro qualquer.
Rodrigo Vellozo Romera
22/11/2004.