DROGAS

A IGREJA E AS DROGAS

A IGREJA PERANTE AS DROGAS NILO MOMM

Igreja somos todos nós, comunidade unida pelo batismo. a igreja sempre esteve atenta ao problema das drogas. pe. haroldo trouxe ha 35 anos a primeira comunidade terapêutica para o brasil. pe. mario picchi instalou a primeira na itália ha 45 anos.
em 1984, a santa se, promoveu encontro mundial de comunidades terapêuticas católicas. dizia joão paulo ii., naquela ocasião: hoje o flagelo da droga torna-se perverso em formas cruéis e dimensões impressionantes, superiores a muitas previsões.

A droga é um mal, ao mal não se da trégua. a legalização, mesmo que parcial, mesmo sendo uma interpretação da índole da lei, não surtiu os efeitos que eram previstos. prevenção, repressão, reabilitação: estes são os pontos centrais de um programa que, concebido e levado a efeito a luz da dignidade do homem, embaçado na honesta relação entre os povos, terá o reconhecimento e o apoio da igreja .

Em 1991, joão paulo ii., voltaria ao assunto durante a conferencia internacional do pontifício conselho para a pastoral da saúde. toxicodependência e alcoolismo frustram a pessoa justamente na sua própria capacidade de comunhão e doação. este foi o titulo de seu pronunciamento .

Exortou os presentes usando a expressão de são paulo aos romanos (rm 4,18) esperar mesmo quando não ha esperança reivindicando para aqueles que, seguindo o exemplo do patriarca abraão, acreditam confiantemente nas promessas de deus, o direito de nunca abandonar mais a esperança, mesmo quando, humanamente falando, esta poderia parecer vazia e inconsistente.

Em suas viagens apostólicas, joão paulo ii., diversas vezes se referiu aos mercadores da morte.

Em marco de 1997, a cnbb - conferencia nacional dos bispos do brasil, através do setor juventude, convidou as instituições católicas de recuperação de dependentes de drogas, para um primeiro encontro nacional em lins nos dias 4 a 7 de junho.

Em outubro de 1997, por solicitação do diretor executivo do programa internacional de controle sobre a droga das nações unidas, dr. giorgio giacomelli, realizou-se no vaticano a conferencia de apresentação do convênio eclesial solidários pela vida.

Neste encontro proferiu palestra a secretario de estado cardeal angelo sodano que expôs as grandes linhas do magistério em matéria de drogas e afirmou: a posição da igreja e firme e clara, não legalizemos as drogas .

Ao final do encontro o santo padre joão paulo ii., dirigiu-se aos participantes exortando-os: a luta contra o flagelo da toxicômana e ocupação de todos, cada um segundo a responsabilidade que lhe cabe .

De 22 de abril a 1 de maio de 1998, realizou-se a 36 assembléia geral da cnbb, em itaici.

Nesta ocasião, Dom Irineu Danelon, fez veemente pronunciamento relatando a situação e o acontecido em lins no ano anterior e apresentando as reivindicações lá apresentadas.

Como resposta Dom Irineu recebeu a manifestação de 247 bispos presentes favoráveis a implantação de uma pastoral especifica para a prevenção e recuperação da dependência química.

POSIÇÃO DA IGREJA

O problema das drogas em toda a sua extensão, isto e, da produção ao consumo, e uma corrente de males de caráter pessoal e estrutural. e verdadeiro pecado que atenta contra a vida e a dignidade humana.

A droga e um mal e ao mal não se da trégua. a legalização, mesmo que parcial, mesmo sendo uma interpretação da índole da lei, não surtiu os efeitos previstos.

A posição da igreja e firme e continua clara: não legalizemos as drogas. a legalização das drogas e apenas uma perigosa ilusão, porque não enfrenta o efeito devastador da dependência e deixa de lado o compromisso da prevenção.

Toxicodependencia e alcoolismo, pela intrínseca gravidade e pela devastadora extensão, são dois fenômenos que ameaçam o gênero humano, tirando de cada indivíduo, no ambiente familiar e no tecido da sociedade, as profundas razoes da esperança que, para ser verdadeira, ha de ser esperança na vida - esperança de vida.

Toxicodependencia e alcoolismo são contra a vida. não se pode falar de "liberdade de se drogar" nem de "direito a droga", porque o ser humano não tem o direito de prejudicar-se e não pode nem deve nunca abdicar da dignidade pessoal que vem de deus.

Traficantes da liberdade de seus irmãos, que os fazem escravos com uma escravidão mais terrível do que a escravidão dos negros. os mercadores de escravos impediam o exercício da liberdade. os narcotraficantes reduzem suas vitimas a destruição da própria personalidade.

A droga e um voto interior de evasão e sufoca a essência do espirito muito antes da destruição física.

Ha um voto existencial solitário, devido a ausência de valores e a uma falta de confiança em si próprio, nos outros e na vida em geral.

Só o empenho pessoal do indivíduo, sua vontade revigorada e sua capacidade de autodomínio podem assegurar o retorno do mundo alucinante dos narcóticos a normalidade.

A distinção entre drogas leves e pesadas negligencia e atenua os riscos inerentes a toda sorte de produto toxico, em particular os que levam a dependência, por atuarem sobre as estruturas psíquicas, reduzindo a consciência do indivíduo e levando-o a alienação da vontade e da liberdade pessoais.

A perda do ideal e do engajamento na vida adulta que observamos nos jovens torna-os particularmente frágeis. seguidamente, eles não são incitados a lutar por uma existência correta e bela, mas acabam por desenvolver a tendência de se fechar em si mesmos. não sabemos mais minimizar o efeito devastador exercido pela desocupação de que são vitimas os jovens, em proporções indignas de uma sociedade que pretende respeitar a dignidade humana.

Os jovens que tem uma personalidade estruturada, uma formação humana e moral solida, e que vivem relações harmoniosas e confiantes com os colegas de sua idade e com os adultos, estão mais aptos a resistir as solicitações daqueles que propagam a droga.

A virtude da temperança manda evitar toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos. aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, põem em risco a segurança alheia e a própria, nas estradas, no mar e no ar, tornam-se gravemente culpáveis.

A PROPOSTA DA IGREJA

A luta contra o flagelo da toxicômana e ocupação de todos, cada um segundo a responsabilidade que lhe cabe. aos toxicodependentes, as vitimas do alcoolismo, as comunidade familiares e sociais, que tanto sofrem por causa desta enfermidade dos seus membros, a igreja, em nome de cristo, propõe como resposta e como alternativa a terapia do amor. deus e amor, e "quem não ama permanece na morte" (1jo 3,14). mas quem ama saboreia a vida e permanece nela!

Não se combatem os fenômenos da droga e do alcoolismo nem se pode conduzir uma eficaz ação para a recuperação das suas vitimas, se não se recuperarem preventivamente os valores humanos do amor e da vida, os únicos capazes, sobretudo se iluminados pela fé religiosa, de dar significado pleno a nossa existência.

Esse mal pede um novo empenho de responsabilidade no interior das estruturas da vida civil e, em particular, mediante a proposta de modelos de vida alternativos.

Prevenção, repressão, reabilitação: estes são os pontos centrais de um programa que, concebido e levado a efeito a luz da dignidade do homem, embaçado na honesta relação entre os povos, terá o reconhecimento e o apoio da igreja.

A resposta da igreja ao fenômeno da toxicodependencia e uma mensagem de esperança e um serviço que vai alem do fato em si, pois chega ao núcleo central da pessoa humana. não se limita a eliminar somente o mal, mas propõe tambem a redescoberta do verdadeiro sentido da vida. e um serviço da escola evangélica e realizado por meio de formas concretas de acolhida, que, na pratica, traduzem uma proposta de vida e uma mensagem de amor.

Para a estratégia de prevenção e necessário o concurso "de toda a sociedade: pais, escola, ambiente social, meios de comunicação social, organismos internacionais; um empenho para formar uma sociedade nova, com o rosto do homem; a educação para ser homem" .

A família e, sem duvida alguma, a referencia principal de cada ação de prevenção. exorto, portanto, os cônjuges a desenvolver relações conjugais e familiares estáveis, fundadas num amor único, durável e fiel.

Mas para todos aqueles que já caíram na espiral das drogas, são necessários oportunos caminhos de cura e de reabilitação, que vão muito alem do tratamento medico, porque, em muitos casos, apresenta-se todo um complexo de problemas que requerem a ajuda da psicoterapia, seja do sujeito individual, seja do próprio núcleo familiar, em conjunto, com um adequado sustento espiritual.

Convido os pais que tenham um filho toxicômano a jamais se desesperar, a manter o dialogo com ele, a prodigalizar-lhe sua afeição e a favorecer seus contatos com estruturas capazes de assumir o encargo da cura. a atencao calorosa da família e o grande sustentáculo na luta interior, para o sucesso da cura e da desintoxicação.

Os bispos, reunidos em santo domingo, propõem: "quanto ao problema da droga, implementar ações de prevenção na sociedade e de atencao e cura dos toxicômanos; denunciar com coragem os males que o vicio e o trafico da droga produzem em nossos povos, e o gravíssimo pecado que significa a produção, a comercialização e o consumo. chamar especialmente a atencao para a responsabilidade dos poderosos comerciantes e consumidores. promover a solidariedade e a cooperação internacional no combate a este flagelo" .

Seja estimulada tambem a obra dos que se esforçam por recuperar os que se drogam, dedicando uma atencao pastoral as vitimas da toxicodependencia: e fundamental oferecer o justo sentido da vida as novas gerações que, se este vier a faltar, terminam freqüentemente caindo na espiral perversa dos entorpecentes. este trabalho de reabilitação social tambem pode constituir um verdadeiro e próprio empenho de evangelização.

BIBLIOGRAFIA

Pastoral da sobriedade, nilo momm, edições loyola, 1999.

Prevenção ao uso de drogas, nilo momm e vilsom basso, centro de capacitação da juventude, cnbb, 1998.

Escola a felicidade, vida sem drogas, nilo momm e juliana camargo momm, edições loyola, 2000.

Texto-base da cf 2001, vida sim, drogas não, cnbb, 2000.

revista encontros teológicos - instituto teológico de santa catarina - itesc

Palestra proferida no instituto pastoral da juventude em porto alegre.