A Natureza do Espaço

A existência de um corpo etérico em relação a todas as formas tangíveis e exotéricas é aceita atualmente por muitas escolas científicas; no entanto, o ensinamento original foi modificado a fim de pôr-se de acordo com as teorias usuais sobre a energia e suas formas de expressão. Hoje os pensadores reconhecem a natureza factual da energia (emprego o termo "factual" premeditadamente); atualmente, tudo que É é considerado energia; a manifestação é manifestação de um mar de energias, com algumas das quais se constroem as formas; têm seu ser, e, ainda, outras estão em processo de animar tanto as formas quanto o seu meio-ambiente substancial. Deve-se lembrar também que formas existem dentro de formas; esta é a base do simbolismo representado nas intrincadas esferas de marfim entalhadas pelos artífices chineses, onde uma bola se encontra dentro da outra, todas primorosamente entalhadas, todas livres, embora confinadas. Você - enquanto sentado em sua sala - é uma forma dentro de uma forma; a própria sala é uma forma dentro de outra que é a casa, e esta (por sua vez) é similar a outras casas que, colocadas uma sobre as outras ou ao lado de outras, constituem, juntas, uma forma ainda maior. Além disso, todas essas diversas formas são compostas de substância tangível que - coordenada e reunida por um esboço ou ideia reconhecidos na mente de algum pensador - cria uma forma material. Essa substância tangível é composta de energias vivas, que vibram em relação umas com as outras e ainda possuem qualidade e vida qualificada próprias.

Seria útil assinalar que todo o universo é etérico e vital por natureza, e de uma extensão que excede as cifras astronômicas e que está muito além da capacidade de compreensão da mente mais aguda da época - se é que essa afirmação faz sentido para as mentes de vocês. Tal extensão não pode ser computada nem mesmo em termos de anos luz; essa área etérica cósmica é o campo de incontáveis energias e a base de todos os cálculos astrológicos; é o cenário de todos os ciclos históricos - cósmico, sistêmico e planetário - e está relacionado com as constelações, os mundos dos sóis, as estrelas mais distantes e os numerosos universos conhecidos, como também com o nosso próprio sistema solar, os inumeráveis planetas, e com este planeta sobre o qual vivemos, nos movemos, e temos nosso ser, assim como também com a forma mais ínfima de vida conhecida pela ciência e designada por esse termo inexpressivo "átomo". Tudo existe no Espaço o qual é etérico por natureza - e, segundo diz a ciência esotérica, o Espaço é uma Entidade. A glória do homem reside no fato de que é consciente do espaço e pode imaginá-lo como o campo da atividade vivente divina, pleno de formas inteligentes e ativas, cada uma delas situada no corpo etérico dessa Entidade desconhecida, e todas relacionadas entre si através do poder, que não só lhes garante a existência, como também preserva sua posição em relação com as demais; entretanto, cada uma dessas formas diferenciadas possui, além do mais, sua própria vida diferenciada, sua própria e excepcional qualidade ou colorido integral e sua específica e peculiar forma de consciência.

Este corpo etérico - vasto e desconhecido quanto à sua extensão - é, no entanto, de natureza limitada e de capacidade estática (relativamente falando); conserva uma forma fixa da qual não se sabe absolutamente nada, mas que é a forma etérica da Entidade Desconhecida. A essa forma a ciência esotérica dá o nome de ESPAÇO; é a área fixa onde toda forma, desde um universo a um átomo, encontra seu lugar.

Às vezes falamos de um universo em expansão; o que queremos dizer, na realidade, é que é uma consciência em expansão, pois esse corpo etérico da Entidade chamada Espaço, é o receptor de muitos tipos de energias penetrantes e produtoras de formas, sendo também o campo da atividade inteligente das Vidas que habitam o Universo, das numerosas constelações, das estrelas distantes, do nosso sistema solar, dos planetas que se encontram dentro do sistema, e de tudo que constitui a soma total dessas formas separadas e viventes.

O fator que as relaciona não é mais que a consciência, e o campo de percepção consciente é criado mediante a interação de todas as formas vivas inteligentes, dentro da área do corpo etérico dessa grande Vida a que chamamos ESPAÇO.

Cada forma dentro do corpo etérico é como um centro em um planeta ou em um corpo humano, e essa semelhança - baseada no que lhes forneci aqui a respeito dos centros humanos - é correta e pode ser comprovada.

Cada forma (porque constitui uma área composta de vidas substanciadas ou átomos) é um centro dentro do corpo etérico da forma, da qual é parte integrante. Possui, como base de sua existência, um ponto dinâmico vivo que integra a forma e a preserva em seu ser essencial. Essa forma ou centro - grande ou pequena, um homem ou um átomo de substância - está relacionada com todas as outras formas e energias que se expressam no espaço circundante, sendo automaticamente receptiva a algumas e rejeitando outras, através do processo do não reconhecimento. Esse centro transmite ou retransmite outras energias que se irradiam de outras formas, e, por sua vez, se converte, então, num agente impressor. Pode-se ver, portanto, onde se unem e se fundem as verdades diferenciadas, forçando-nos a utilizar os mesmos termos para expressar as mesmas verdades ou ideias factuais.

Além do mais, cada ponto de vida dentro de um centro tem sua própria esfera de irradiação, ou seu próprio e crescente campo de influência; este campo depende necessariamente do tipo e da natureza da Consciência que nele habita. É essa interação magnética entre os numerosos centros de energia no espaço que constitui a base de todas as relações astronômicas - entre universos, sistemas solares e planetas. Entretanto, convém ter em mente que é o aspecto CONSCIÊNCIA que faz com que a forma seja magnética, receptiva, repulsiva e transmissora; essa consciência difere conforme a natureza da entidade que dá forma ou atua através de um centro, grande ou pequeno. Tenha-se em mente também que a vida que jorra através de todos os centros e que anima todo o espaço é a vida de uma Entidade; portanto, é a mesma vida que existe em todas as formas, limitada no tempo e no espaço pela intenção, desejo, forma e qualidade da consciência inerente; os tipos de consciência são numerosos e diversos, porém a vida é sempre a mesma e indivisível, pois é a VIDA UNA.

A esfera de irradiação está condicionada sempre pelo ponto de evolução de vida dentro da forma; a própria vida é o fator que correlaciona, integra e une um centro a outro e estabelece o contato; a existência é a base de toda relação, ainda que isso não seja de evidência imediata para vocês; a consciência qualifica o contato e dá colorido à irradiação. Aqui retornamos novamente à mesma triplicidade fundamental, à qual denominei Vida, Qualidade e Aparência anteriormente. Por conseguinte, uma forma é um centro de vida dentro de algum aspecto do corpo etérico da Entidade chamada Espaço, que concerne a uma existência animada e vivente, como a de um planeta. O mesmo se dá com todas as formas inferiores, como as que se acham sobre um plano ou dentro dele.

Esse centro contém em si um ponto de vida e está relacionado com todas as energias circundantes; possui sua própria esfera de irradiação ou de influência, de que depende da natureza ou força de sua consciência e do fator dinâmico condicionador da vida mental da entidade animadora. Esses são pontos que merecem uma cuidadosa consideração. Finalmente, cada centro possui seu triângulo central de energias; uma delas expressa a vida animadora da forma; outra, a qualidade de sua consciência, enquanto a terceira - a vida dinâmica e integradora, que maantém unidas a forma e a consciência em uma vivência expressiva - condiciona a irradiação da forma, sua sensibilidade ou não às energias circundantes e natureza geral da vida que lhe dá forma, e mais a sua capacidade criativa.

Muito do que disse aqui servirá para elucidar o que escrevi sobre astrologia esotérica e lhes fornecerá a chave para essa ciência das relações, que é essencialmente a chave da astrologia e também da ciência da Laya Yoga. Esta última (afortunadamente para a raça Ariana) caiu em descrédito desde os últimos dias da Atlântida; entretanto, será restaurada e utilizada numa volta mais alta da espiral, durante os próximos quinhentos anos. Quando for correta e devidamente restaurada, sua ênfase não incidirá sobre a natureza do centro envolvido, mas, sim, sobre a qualidade da consciência, que caracteriza qualquer centro e que então necessariamente condicionará sua esfera de irradiação. De acordo com a grande Lei das Correspondências, o estudante pode aplicar tudo o que eu disse ou indiquei aqui a todas as formas de vida: a um universo, a um sistema solar, planeta, ou ser humano, a qualquer forma subumana e ao menor dos átomos de substância (e o que quer que seja que vocês entendam por essa última expressão!).

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